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Por que o Spotify não tem um botão para filtrar música feita por IA

Crédito, Getty Images Article Information Author, Zoe Corbyn Role, Da BBC News em San Francisco Há 6 horas Tempo de leitura: 8 min Em meados de 2025, a frustração de

Por que o Spotify não tem um botão para filtrar música feita por IA
Uma foto de banco de imagens de uma jovem loira usando fones de ouvido brancos e olhando para o celular.

Crédito, Getty Images

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    • Author, Zoe Corbyn
    • Role, Da BBC News em San Francisco
  • Há 6 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

Em meados de 2025, a frustração de Cedrik Sixtus chegou a um novo limite.

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Ao perceber que suas playlists no Spotify estavam cada vez mais repletas de faixas que ele suspeitava terem sido geradas por inteligência artificial (IA), o programador, que vive em Leipzig, na Alemanha, criou uma ferramenta para rotular e bloquear automaticamente esse tipo de música nas suas playlists.

Batizado de Spotify AI Blocker, o software foi publicado em plataformas de compartilhamento de código e centenas de pessoas o baixaram. A ferramenta filtra uma lista crescente de mais de 4,7 mil artistas suspeitos de usar IA, com base em iniciativas comunitárias de monitoramento e em sinais como um volume incomum de lançamentos, capas com estética típica de IA e o apoio de ferramentas externas de detecção.

"É uma questão de escolha — se você quer ouvir música feita por IA ou não", afirma Sixtus. Para ele, o ideal seria que o próprio Spotify identificasse claramente esse tipo de conteúdo e oferecesse a opção de filtrá‑lo. Leia também: Por que a Anvisa proibiu agora o clobutinol, xarope banido em outros países

A ferramenta de Sixtus é instalada inicialmente no navegador pela versão do Spotify para web. Ele alerta que usar seu software "pode violar os termos de serviço do Spotify".

Ele não é o único incomodado com isso. O tema desperta debates acalorados nos fóruns da comunidade do Spotify, o serviço de streaming de música mais popular do mundo. Enquanto alguns criticam a qualidade da música gerada por IA, outros simplesmente rejeitam a ideia de ouvir algo que não foi criado por um ser humano.

O Spotify fez algumas concessões para lidar com essas preocupações.

Neste mês, passou a testar um recurso que indica, nos créditos de uma música, de que forma a IA foi utilizada por um artista. Mas é um sistema voluntário baseado no que um artista informa à sua gravadora ou distribuidora.

"É um equilíbrio delicado — quase existencial — para o Spotify", avalia Robert Prey, pesquisador do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, especializado em plataformas de streaming. Segundo ele, a empresa tenta evitar julgamentos de valor sobre a forma como a música é criada, mas corre o risco de minar a confiança entre ouvintes, artistas e a indústria se não oferecer transparência suficiente. Mais de mundo

"O Spotify precisa entender o que os ouvintes querem e como os artistas se sentem — tudo isso enquanto a IA evolui, se difunde e se torna cada vez mais difícil de detectar", acrescenta.

A chegada da IA generativa à música provoca fascínio e inquietação em igual medida. Serviços como Suno e Udio já conseguem gerar canções completas — com letra, voz e instrumentação — a partir de simples comandos de texto, em questão de segundos, e com um nível de refinamento cada vez maior.

Um teste recente, que fez parte de uma pesquisa da Deezer–Ipsos, mostrou que 97% dos ouvintes não conseguiram diferenciar corretamente músicas feitas por IA de faixas criadas por humanos. Ao mesmo tempo, dezenas de milhares dessas músicas parecem ser enviadas diariamente às plataformas de streaming, onde podem diluir o bolo de receitas destinado a artistas humanos — ainda que, por enquanto, a maioria tenha poucas reproduções. Leia também: A piada sobre Melania que reacendeu briga entre comediante Jimmy Kimmel e Trump

Spotify, YouTube Music e Amazon Music vêm evitando, até agora, adotar rótulos claros ou filtros visíveis para o usuário, sem recorrer abertamente a ferramentas de detecção ou exigir autodeclarações sistemáticas — embora esse cenário possa mudar com o surgimento de padrões no setor.

Artistas amplamente suspeitos de serem criações de IA, como Sienna Rose, Breaking Rust e The Velvet Sundown, são tratados como quaisquer outros no Spotify. A plataforma afirma agir apenas contra o que considera usos nocivos da tecnologia, como spam, envios massivos de faixas ou músicas muito curtas criadas para burlar o sistema.

"Nossa prioridade é combater usos prejudiciais [da IA], como falsificação de identidade e spam, em vez de filtrar músicas com base em como foram feitas", disse um porta‑voz da empresa, ressaltando que o uso de IA na música existe em um espectro, e não como uma categoria binária.

Uma imagem do aplicativo da Deezer que destaca a etiqueta informando aos usuários se a música foi gerada por IA

Crédito, Deezer

A Deezer — uma concorrente menor do Spotify — adotou uma abordagem mais rigorosa.

Um celular mostrando o aplicativo do Spotify com vários músicos
Legenda da foto, O Spotify diz que está focado em usos "nocivos" de IA, como falsificação de identidade
Tift Merritt no tapete vermelho de uma cerimônia de premiação em Nashville, Tennessee. Sorrindo, com cabelo loiro, ela usa uma jaqueta branca.
Legenda da foto, "Os ouvintes merecem saber", diz a cantora e compositora Tift Merritt

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