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Por que o Pacaembu saiu da rota de jogos de times grandes em São Paulo?

Estádio do Pacaembu, em São Paulo (Pedro Ernesto Guerra/ Santos FC) Publicidade A nova fase do Estádio do Pacaembu, rebatizado como Arena Mercado Livre Pacaembu após a

Por que o Pacaembu saiu da rota de jogos de times grandes em São Paulo?
Estádio do Pacaembu, em São Paulo (Pedro Ernesto Guerra/ Santos FC)
Estádio do Pacaembu, em São Paulo (Pedro Ernesto Guerra/ Santos FC)

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A nova fase do Estádio do Pacaembu, rebatizado como Arena Mercado Livre Pacaembu após a concessão à iniciativa privada, ainda não conseguiu recolocar o tradicional palco paulistano na rota dos grandes clubes do estado.

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Se antes o estádio era presença constante no calendário de equipes como Santos, Palmeiras e São Paulo, além de ser casa do Corinthians, hoje o espaço tem sido ocupado majoritariamente por uma agenda diversificada de eventos, que vai de shows internacionais a competições de outras modalidades.

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Nos últimos meses, o local recebeu atrações como o tenor Andrea Bocelli, partidas de basquete, eventos de ginástica e vôlei, além de apresentações musicais como a dupla Jorge & Mateus e festivais de música eletrônica. Também houve iniciativas esportivas e de entretenimento como o Dia de Craque, onde jogadores amadores podiam experimentar um jogo no estádio, e programações ligadas ao Carnaval. A pluralidade de usos evidencia o reposicionamento comercial da arena, mas contrasta com a ausência de jogos relevantes do futebol paulista.

A expectativa no momento da privatização era justamente a oposta. Com a modernização da estrutura, o Pacaembu voltaria a ser uma alternativa frequente, quase uma “segunda casa” para os grandes clubes. No entanto, fatores técnicos, burocráticos e até esportivos acabaram afastando esse cenário.

Um dos principais entraves apontados pelos clubes é a questão do alvará definitivo para a realização de partidas. Dirigentes frequentemente citam a ausência dessa liberação como impeditivo, argumento que encontra respaldo na Federação Paulista de Futebol. A entidade confirma que o estádio ainda não possui autorização permanente, embora destaque que licenças temporárias podem ser emitidas mediante solicitação, como ocorreu recentemente em jogos da Portuguesa.

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Além da burocracia, decisões estratégicas e preferências específicas também pesam. O Santos, por exemplo, evita atuar no local por conta do gramado sintético, que não agrada a Neymar. Já o Palmeiras tem optado por mandar partidas em Barueri, casa que hoje pertence à Crefisa, empresa de sua presidente, quando não utiliza seu estádio principal, enquanto o São Paulo tem direcionado jogos para cidades do interior do Estado ou para o Canindé, casa da Portuguesa. Mais de economia

Outro ponto simbólico dessa transformação é a decisão de eliminar o tradicional tobogã, uma das marcas mais reconhecíveis do estádio, para dar lugar à construção de um hotel, cuja entrega está prevista apenas para 2027. A mudança reforça a nova lógica de exploração do espaço, voltada à diversificação de receitas e ao uso contínuo, mas também evidencia como o futebol deixou de ser prioridade em um dos cartões-postais mais emblemáticos da cidade.

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O contexto da concessão também trouxe questionamentos. Durante o processo de obras, houve debates sobre a qualidade das intervenções entregues, incluindo a interdição das obras de uma passarela. Soma-se a isso uma dívida superior a R$ 10 milhões, valor que, segundo o consórcio responsável, não é visto como alarmante diante do potencial de faturamento da arena e do montante já investido no projeto.

Na prática, o Pacaembu vive uma transição. De templo tradicional do futebol paulista, caminha para se consolidar como uma arena multiuso, mais alinhada ao entretenimento e a eventos corporativos. Enquanto questões estruturais e regulatórias não forem plenamente resolvidas, e enquanto os clubes não enxergarem vantagens esportivas e financeiras claras, o estádio seguirá distante do protagonismo que já teve no calendário dos grandes times de São Paulo.

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Danilo Lavieri

Danilo Lavieri é jornalista experiente em cobertura de esportes, especialmente em bastidores e negócios do mundo do futebol. Atualmente, é colunista do UOL e comentarista do Canal UOL, com passagens por Abril, iG e Máquina do Esporte, com direito a coberturas de três Copas e outras importantes competições de futebol de clubes e seleções.

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