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Por que o dono da Ford criou a escala de trabalho 5x2 há 100 anos — e como isso

Crédito, Domínio Público/Autor desconhecido/Wikimedia Commons Legenda da foto, Linha de montagem da Ford, em fotografia de 1913 Article Information Author, Edison Viega

Por que o dono da Ford criou a escala de trabalho 5x2 há 100 anos — e como isso
A imagem em preto e branco mostra trabalhadores em uma linha de montagem industrial dentro de uma fábrica. Homens usando bonés, aventais e roupas de trabalho manipulam peças metálicas alinhadas sobre uma esteira comprida, enquanto outros operários aparecem ao fundo em diferentes etapas da produção. O ambiente é amplo, com máquinas, ferramentas e estruturas industriais visíveis ao redor.

Crédito, Domínio Público/Autor desconhecido/Wikimedia Commons

Legenda da foto, Linha de montagem da Ford, em fotografia de 1913
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    • Author, Edison Viega
    • Role, De Bled (Eslovênia) para BBC News Brasil
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

"O país está pronto para a semana de cinco dias [de trabalho]. Seguramente é algo que deve se espalhar por toda a indústria. […] Já é hora de nos livrarmos da ideia de que é 'tempo perdido' o lazer dos trabalhadores, ou um privilégio de classe."

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O pronunciamento foi feito por um dos maiores magnatas da história da humanidade, o engenheiro mecânico e empresário Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company, considerado um pioneiro no formato industrial conhecido como linha de montagem em série.

A ideia de aumentar o fim de semana do trabalhador superava, a favor do proletariado, o que havia sido determinado em 1919 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) — e havia se tornado padrão internacional por convenção: o teto praticado era de 48 horas semanais.

A decisão não foi tomada de uma hora para outra. A Ford já vinha testando em alguns departamentos o novo formato. Em artigo publicado no jornal The New York Times em março de 1922, o filho de Henry Ford, Edsel Bryant Ford (1893-1943), que presidia a empresa desde 1919, escreveu que "toda pessoa precisa de mais de um dia por semana para descanso e recreação". Leia também: Australianas ligadas ao Estado Islâmico retornam ao país; polêmica e protestos marcam chegada

No texto, argumentava que "a Ford sempre buscou promover uma vida doméstica ideal para seus empregados" e disse acreditar que "para viver de forma apropriada, todo ser humano deveria dispor de mais tempo para passar com sua família".

A imagem em preto e branco mostra um homem usando terno, colete, gravata e camisa de colarinho alto posando para um retrato formal. Ele tem cabelos claros e ondulados, penteados para trás, e olha diretamente para a câmera com expressão séria. O fundo escuro e desfocado destaca o rosto e a roupa do retratado.

Crédito, Ford Motor Company, Photographic Department , The Henry Ford Collections/Domínio público/Wikimedia Commons

Legenda da foto, Henry Ford é tido como 'pai' da linha de montagem em série

Após ser adotado voluntariamente pela Ford, o sistema se expandiu. Nos Estados Unidos, a jornada de trabalho semanal foi reduzida por lei em 1938 — limitada a 44 horas semanais. Em 1940, o teto cairia para as 40 horas semanais idealizadas por Ford 14 anos antes.

Principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, o sistema fordista de organização de trabalho fabril se espalhou pelo mundo.

"O modelo americano de industrialização e economia nacional foi multiplicado nas sociedades que tomaram parte da reconstrução da economia mundial, a partir de 1945, como o Japão e a China", explica o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

"O modelo começou a demonstrar uma vantagem econômica para as empresas, o que acabou por disseminar essa forma de jornada", diz. A concorrência acabou convencida de que menos horas trabalhadas "não significavam menos dinheiro". Leia também: Fim da escala 6x1 avança na Câmara com aval em comissão: o que falta pra

"Até os anos 1960, a formação de administradores e o adestramento de trabalhadores foram ações conjugadas, engatando patrões e empregados no compromisso pelo sucesso da empresa através da produção e da produtividade do trabalho", contextualiza o historiador. "Criou-se mesmo uma ilusão perversa, a de que um não existiria sem o outro."

Vêm daí, relata Martinez, ideias como a de que o empregado precisa "vestir a camisa da empresa". Era a celebração de uma "paz social", ressalta o historiador, vendida por Henry Ford — um estratagema eficaz na contenção das insatisfações proletárias.

Se regulamentar o descanso se tornou uma necessidade sobretudo com o advento do capitalismo industrial e as jornadas cada vez mais desgastantes, é fato que o fim de semana de dois dias representou a quebra de um paradigma que vinha desde a antiguidade.

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Um exemplo importante disso está no livro sagrado que está na base do mundo judaico-cristão.

Tempo e dinheiro

A imagem em preto e branco mostra uma linha de produção industrial dentro de uma fábrica ampla, com operários trabalhando em diferentes máquinas e equipamentos metálicos. Em primeiro plano, peças mecânicas alinhadas sobre uma esteira passam por processos de usinagem enquanto trabalhadores operam painéis de controle e acompanham a produção. O ambiente é iluminado por estruturas industriais no teto e tem aparência de registro histórico de uma fábrica automotiva ou metalúrgica.
Legenda da foto, Setor de produção de motores de indústria automobilística no Brasil, sem data identificada
A imagem em preto e branco mostra o interior de uma fábrica com diversos operários trabalhando ao redor de grandes máquinas industriais. Os trabalhadores usam macacões claros e manipulam peças metálicas espalhadas pelo chão e sobre bancadas, enquanto equipamentos de grande porte ocupam quase todo o espaço do galpão.
Legenda da foto, Funcionários trabalhando em fábrica de motores em São Bernardo do Campo, em março de 1958

No Brasil

A imagem em preto e branco mostra duas pessoas sentadas em um veículo antigo de quatro rodas finas e estrutura simples, semelhante aos primeiros automóveis. O homem conduz o veículo enquanto a mulher está sentada ao lado dele, ambos usando roupas pesadas e chapéus típicos do início do século 20. Ao fundo, aparecem árvores sem folhas e uma construção com telhado inclinado em uma paisagem de inverno.
Legenda da foto, Henry Ford e sua mulher
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