
Crédito, Domínio Público/Autor desconhecido/Wikimedia Commons
- Author, Edison Viega
- Role, De Bled (Eslovênia) para BBC News Brasil
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 9 min
"O país está pronto para a semana de cinco dias [de trabalho]. Seguramente é algo que deve se espalhar por toda a indústria. […] Já é hora de nos livrarmos da ideia de que é 'tempo perdido' o lazer dos trabalhadores, ou um privilégio de classe."
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O pronunciamento foi feito por um dos maiores magnatas da história da humanidade, o engenheiro mecânico e empresário Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company, considerado um pioneiro no formato industrial conhecido como linha de montagem em série.
A ideia de aumentar o fim de semana do trabalhador superava, a favor do proletariado, o que havia sido determinado em 1919 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) — e havia se tornado padrão internacional por convenção: o teto praticado era de 48 horas semanais.
A decisão não foi tomada de uma hora para outra. A Ford já vinha testando em alguns departamentos o novo formato. Em artigo publicado no jornal The New York Times em março de 1922, o filho de Henry Ford, Edsel Bryant Ford (1893-1943), que presidia a empresa desde 1919, escreveu que "toda pessoa precisa de mais de um dia por semana para descanso e recreação". Leia também: Fim da escala 6x1 avança na Câmara com aval em comissão: o que falta pra
No texto, argumentava que "a Ford sempre buscou promover uma vida doméstica ideal para seus empregados" e disse acreditar que "para viver de forma apropriada, todo ser humano deveria dispor de mais tempo para passar com sua família".

Crédito, Ford Motor Company, Photographic Department , The Henry Ford Collections/Domínio público/Wikimedia Commons
Após ser adotado voluntariamente pela Ford, o sistema se expandiu. Nos Estados Unidos, a jornada de trabalho semanal foi reduzida por lei em 1938 — limitada a 44 horas semanais. Em 1940, o teto cairia para as 40 horas semanais idealizadas por Ford 14 anos antes.
Fim do Promoção Agregador de pesquisas Mais de mundo
Principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, o sistema fordista de organização de trabalho fabril se espalhou pelo mundo.
"O modelo americano de industrialização e economia nacional foi multiplicado nas sociedades que tomaram parte da reconstrução da economia mundial, a partir de 1945, como o Japão e a China", explica o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp).
"O modelo começou a demonstrar uma vantagem econômica para as empresas, o que acabou por disseminar essa forma de jornada", diz. A concorrência acabou convencida de que menos horas trabalhadas "não significavam menos dinheiro". Leia também: O livro que deu origem a filme com Wagner Moura e conta a história que levou ao
"Até os anos 1960, a formação de administradores e o adestramento de trabalhadores foram ações conjugadas, engatando patrões e empregados no compromisso pelo sucesso da empresa através da produção e da produtividade do trabalho", contextualiza o historiador. "Criou-se mesmo uma ilusão perversa, a de que um não existiria sem o outro."
Vêm daí, relata Martinez, ideias como a de que o empregado precisa "vestir a camisa da empresa". Era a celebração de uma "paz social", ressalta o historiador, vendida por Henry Ford — um estratagema eficaz na contenção das insatisfações proletárias.
Se regulamentar o descanso se tornou uma necessidade sobretudo com o advento do capitalismo industrial e as jornadas cada vez mais desgastantes, é fato que o fim de semana de dois dias representou a quebra de um paradigma que vinha desde a antiguidade.
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Um exemplo importante disso está no livro sagrado que está na base do mundo judaico-cristão.
Tempo e dinheiro


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