'Tive que fazer um botox no meu currículo': Como a IA prejudica mulheres
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- Author, Dalia Ventura
- Role, Da BBC News Mundo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 7 min
"Agora ou nunca." Poucas expressões resumem melhor uma experiência humana universal: a sensação de que existe um instante preciso para agir e que, se o deixarmos escapar, talvez não volte.
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Muitas vezes, só compreendemos a importância desses momentos quando eles já passaram.
E então vêm os lamentos: "Se eu tivesse dito alguma coisa naquele momento!". Ou as recriminações: "Quando vou aprender a não abrir a boca?". Mas também as comemorações: "Ainda bem que tive coragem". Ou a satisfação de descobrir, depois, que uma decisão tomada no último minuto foi mesmo a correta.
Os gregos antigos fizeram mais do que apenas perceber o valor desses sopros fugazes: eles deram a isso uma palavra, kairós (καιρός), e criaram um conceito. Leia também: Os curiosos métodos que as pessoas usavam para acordar antes da invenção
Ao contrário de cronos (χρόνος), o tempo que avança, o do calendário e do relógio, kairós era algo mais fugidio: a ocasião oportuna que se abre e se fecha, o instante em que algo, uma palavra, uma decisão, uma ação, pode acontecer com toda a sua força ou se perder para sempre.
Assim, enquanto cronos expressava a concepção quantitativa do tempo, a duração, a idade, a velocidade, observou o filósofo John E. Smith, da Universidade Yale, kairós apontava para seu caráter qualitativo: a posição especial que um acontecimento ocupa em uma sequência, o momento que marca uma oportunidade que talvez não volte.
Em essência, nem todo instante é igual: alguns têm peso, e esse peso não é medido em horas.
A imagem do instante oportuno
Kairós era uma divindade menor do panteão grego, filho de Zeus segundo algumas fontes, irmão do Destino segundo outras.
Além de sua genealogia divina, vale a pena observar sua aparência, pois, quando se tratava de imaginar seus deuses, os gregos deixavam pouco ao acaso: cada detalhe tinha um significado. Mais de mundo

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A obra em si se perdeu, mas permaneceu na memória graças a textos como os do poeta Posídipo de Pela (c. 310-240 a.C.), que compôs um diálogo imaginário com a estátua.
Na mão, tinha uma navalha. Seu fio, segundo a interpretação mais difundida, representava a natureza escorregadia do kairós: aquele instante crítico em que uma ação pode mudar tudo. Um segundo antes pode ser cedo demais; um segundo depois, tarde demais.
E há um detalhe inesquecível: Kairós tinha cabelos longos e abundantes na parte da frente, caindo sobre o rosto. Mas, na parte de trás, era completamente calvo.
"Para que quem me encontrar de frente possa me segurar", responde a estátua.
O fato de ser calvo atrás não era um capricho estético, mas um aviso.
A sabedoria de saber quando agir

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