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Por que o deus grego Kairós segue importante em momentos chave da vida moderna

Crédito, Getty Images Article Information Author, Dalia Ventura Role, Da BBC News Mundo Published Há 2 horas Tempo de leitura: 7 min "Agora ou nunca." Poucas expressões

Por que o deus grego Kairós segue importante em momentos chave da vida moderna
Detalhe da obra "O momento da decisão (Kairós)", c. 1544. Faz parte da coleção do Palazzo Vecchio, em Florença. Vê-se o deus com a parte de trás da cabeça calva e cabelo na frente, barba e asas, segurando uma lâmina, e é possível ver a parte superior de uma balança.

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    • Author, Dalia Ventura
    • Role, Da BBC News Mundo
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"Agora ou nunca." Poucas expressões resumem melhor uma experiência humana universal: a sensação de que existe um instante preciso para agir e que, se o deixarmos escapar, talvez não volte.

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Muitas vezes, só compreendemos a importância desses momentos quando eles já passaram.

E então vêm os lamentos: "Se eu tivesse dito alguma coisa naquele momento!". Ou as recriminações: "Quando vou aprender a não abrir a boca?". Mas também as comemorações: "Ainda bem que tive coragem". Ou a satisfação de descobrir, depois, que uma decisão tomada no último minuto foi mesmo a correta.

Os gregos antigos fizeram mais do que apenas perceber o valor desses sopros fugazes: eles deram a isso uma palavra, kairós (καιρός), e criaram um conceito. Leia também: Os curiosos métodos que as pessoas usavam para acordar antes da invenção

Ao contrário de cronos (χρόνος), o tempo que avança, o do calendário e do relógio, kairós era algo mais fugidio: a ocasião oportuna que se abre e se fecha, o instante em que algo, uma palavra, uma decisão, uma ação, pode acontecer com toda a sua força ou se perder para sempre.

Assim, enquanto cronos expressava a concepção quantitativa do tempo, a duração, a idade, a velocidade, observou o filósofo John E. Smith, da Universidade Yale, kairós apontava para seu caráter qualitativo: a posição especial que um acontecimento ocupa em uma sequência, o momento que marca uma oportunidade que talvez não volte.

Em essência, nem todo instante é igual: alguns têm peso, e esse peso não é medido em horas.

A imagem do instante oportuno

Kairós era uma divindade menor do panteão grego, filho de Zeus segundo algumas fontes, irmão do Destino segundo outras.

Além de sua genealogia divina, vale a pena observar sua aparência, pois, quando se tratava de imaginar seus deuses, os gregos deixavam pouco ao acaso: cada detalhe tinha um significado. Mais de mundo

Kairós na capa de Humanitas, obra de Urs Graf, 1513. Gravura que o mostra sobre um globo, com asas nos pés, segurando uma navalha, com o cabelo esvoaçando para a frente e nu.

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Legenda da foto, Kairós é um instante único que surge e exige atenção

A obra em si se perdeu, mas permaneceu na memória graças a textos como os do poeta Posídipo de Pela (c. 310-240 a.C.), que compôs um diálogo imaginário com a estátua.

Na mão, tinha uma navalha. Seu fio, segundo a interpretação mais difundida, representava a natureza escorregadia do kairós: aquele instante crítico em que uma ação pode mudar tudo. Um segundo antes pode ser cedo demais; um segundo depois, tarde demais.

E há um detalhe inesquecível: Kairós tinha cabelos longos e abundantes na parte da frente, caindo sobre o rosto. Mas, na parte de trás, era completamente calvo.

"Para que quem me encontrar de frente possa me segurar", responde a estátua.

O fato de ser calvo atrás não era um capricho estético, mas um aviso.

A sabedoria de saber quando agir

Mulher vestida com jaqueta e calças vermelhas, sapatos brancos, atravessando uma entrada que aparece escura atrás e colorida à frente, com grama verde no chão e figuras geométricas que mostram flores, mar, folhas, um sol amarelo e uma ave voando, tudo sobre um fundo azul-céu.
Legenda da foto, Há momentos que duram segundos, mas mudam uma vida inteira: uma porta pela qual se passa, uma ligação que se atende, uma pergunta que se faz ou se deixa passar

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