Bocejando e com os olhos vermelhos, você se prepara para enfrentar as habituais dificuldades que encontramos nos aeroportos: a caminhada até a imigração, as filas que não andam e a quase infinita espera pela liberação da bagagem. Mas, em vez disso, você encontra limpadores autônomos sorridentes, gerenciados por IA, limpando os pisos impecáveis do local. E a imigração anda tão rápido que você passa alguns momentos suspeitando de alguma coisa.
Em menos de 15 minutos, você já está na rua, em meio ao calor tropical, se perguntando por que, no resto do mundo, tudo aquilo ainda é tão difícil. Alguns dias depois, você volta ao aeroporto, faz um check-in impecável para sua viagem de volta e espera o voo nos salões de trânsito do aeroporto. Lá, você encontra um cinema grátis aberto 24 horas por dia, sete dias por semana, um jardim de borboletas e a cachoeira em ambiente interno mais alta do mundo.
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Você pode até andar sobre um tanque de vidro para criação de peixes, com uma tela no teto que imita digitalmente o clima do lado externo. Às vezes, você esquece que está em um aeroporto e se sente em uma minúscula cidade futurista, brilhantemente administrada. Pode parecer o sonho do viajante frequente, mas este lugar existe.
É o aeroporto Changi, em Singapura, vencedor do prêmio Skytrax de melhor aeroporto do mundo pelo segundo ano consecutivo — e pela 14ª vez, desde a sua criação. Enquanto outros aeroportos importantes enfrentam infestações de roedores, greves e tetos que desabam, a paz futurista de Changi parece um mundo à parte. A distância entre um aeroporto médio e de classe internacional nunca pareceu tão grande.
Mas o que é necessário para que as viagens aéreas modernas possam fluir tão bem? E como Singapura consegue atingir este nível, enquanto seus concorrentes enfrentam tantas dificuldades? Max Hirsh é o diretor-gerente do centro de pesquisa Airport City Academy, dedicado ao planejamento e desenvolvimento de aeroportos. Leia também: 'Nunca vi isso antes': jogador inglês fala à BBC sobre estreia no futebol brasileiro e relação com torcida do Corinthians
Para ele, o sucesso de Changi não se restringe à qualidade. O aeroporto também oferece o básico do dia a dia, como velocidade, segurança e conectividade, além da flexibilidade de adaptação quando algo não sai conforme o planejado. "
No mundo da aviação, isso acontece muito", explica Hirsh. " O desafio não é atingir o equilíbrio em apenas um momento, mas manter o padrão por décadas, frente às alterações de demanda, tecnologia e perturbações. Changi tem sucesso porque trata esse equilíbrio como um projeto contínuo, não como um feito de design isolado.
" Primeiro, a eficiência; depois, o espetáculo Se você já tiver voado para Singapura, provavelmente terá notado a sensação de calma que permeia o aeroporto. O que provavelmente passa despercebido é como esta tranquilidade é cuidadosamente produzida.
Existe nos bastidores uma operação enorme e rigorosamente coreografada. Nela, a automação, a biometria e a análise de previsões são empregadas para remover gargalos antes que eles se tornem visíveis. São 60 mil funcionários que mantêm as bagagens, a limpeza, o consumo de energia e o fluxo de passageiros em perfeita sincronia.
Nas palavras de Hirsh, Changi parece estar sempre "um passo à sua frente". A mesma lógica se estende para os detalhes menos glamourosos. A infraestrutura de retaguarda, como orientação intuitiva, sinalização clara e gestão de público, faz com que os passageiros, já afetados pelo fuso horário, não desperdicem sua carga cognitiva tentando encontrar o seu portão. Mais de mundo
Existem 500 toaletes espalhados pelos terminais, o que também ajuda bastante. Cada um tem uma tela sensível ao toque para que os passageiros avaliem sua experiência. E qualquer queda nas avaliações fará uma equipe de limpeza surgir em questão de minutos.
" A hierarquia é simples", explica Hirsh. " Primeiro, eficiência;
segundo, atmosfera; terceiro, espetáculo. " Changi tem tanto a oferecer que pode ser necessário fazer várias visitas para apreciar sua amplitude. Leia também: 'Eu estava na sala com Trump e ouvi o som dos tiros': o relato do correspondente da BBC que testemunhou ataque
O exemplo mais conhecido é a cachoeira interna Jewel Rain Vortex, no complexo de varejo anexo ao aeroporto. Ela se tornou uma das imagens turísticas mais conhecidas de Singapura. Os viajantes também podem observar Toni, o bartender robótico de Changi, preparar diversos coquetéis nos terminais 2 e 3 do aeroporto.
O jardim de borboletas importa pupas a cada duas a três semanas, para nunca ficar sem exibir as maravilhas aladas. E, se os insetos voadores não forem a sua praia, existe também um jardim de cactos e outro de girassóis no telhado. A nova zona Fit and Fun, aberta no início de 2025, é repleta de atividades que agradam a todos os gostos.
Ela oferece desde sacos de boxe até minitrampolins. E, para quem tiver uma escala mais longa (e não precisar de visto de entrada), o aeroporto oferece até mesmo tours guiados gratuitos da cidade. As atrações são continuamente atualizadas e fazem mais do que reduzir o ônus de uma longa viagem.
Elas também têm um propósito mais prático: incentivar as pessoas a explorar as instalações, levando-as a caminhar para diferentes locais dentro do terminal, e ajudam a evitar a sensação de superlotação característica de outros aeroportos. Facilidade para chegar e para sair Parte da eficiência de Changi nasce, ao mesmo tempo, do pragmatismo e da ambição. As restrições trabalhistas de Singapura levaram o aeroporto a adotar a automação nos setores de imigração e limpeza, além de outros serviços aos passageiros.
" Os serviços de imigração precisam de muita mão de obra e nem todos os singapurenses estão dispostos a fazer este trabalho", explica o vice-presidente de comunicações corporativas e marketing do Changi Airport Group, Ivan Tan. "
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