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Por que novo tarifaço de Trump não deve decidir eleição a favor de Lula

Mas, diferentemente de 2025, quando o primeiro tarifaço uniu a esquerda em torno da bandeira da " soberania nacional " e melhorou percepções sobre o governo, o impacto

Por que novo tarifaço de Trump não deve decidir eleição a favor de Lula
encontro entre Lula e Trump, sentados, em outubro de 2025, na Malásia

Crédito, ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images

Legenda da foto, Relação entre Lula e Trump teve idas e vindas desde o primeiro tarifaço; na foto, encontro entre os dois em outubro de 2025, na Malásia
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    • Author, Vitor Tavares
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published 22 julho 2026
  • Tempo de leitura: 8 min

Ao entrarem em vigor nesta quarta-feira (22/7), as novas tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem manter acesa, até a eleição de outubro, a disputa de narrativas entre o governo Lula (PT) e a família Bolsonaro sobre de quem é a culpa pela taxação.

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Mas, diferentemente de 2025, quando o primeiro tarifaço uniu a esquerda em torno da bandeira da "soberania nacional" e melhorou percepções sobre o governo, o impacto positivo ao presidente brasileiro deve ser mais limitado, segundo analistas consultados pela BBC News Brasil.

"Nesse primeiro momento, não é uma boa notícia para o Flávio Bolsonaro, mas está muito longe de ser qualquer bala de prata [para o Lula]. A depender das consequências objetivas do tarifaço e a depender de como Flávio e Lula se colocam sobre o tema, pode mudar essa sensação", resume o analista político Beto Vasques, professor da FESPSP que tem feito pesquisa com eleitores indecisos.

As tarifas passam a valer nesta quarta após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação em que acusou o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem o comércio dos EUA" e com críticas ao Pix, Leia também: EUA assinam acordo histórico que permite Arábia Saudita desenvolver energia

Do lado da campanha de Flávio Bolsonaro, o próprio pré-candidato sabe que o tema tende a prejudicar seu objetivo de chegar ao Palácio do Planalto.

Em uma carta enviada no início de julho ao USTR, o senador fez um alerta: caso o governo Trump confirmasse a nova taxa contra o Brasil, isso daria uma "vitória política" a Lula.

No documento, Flávio pedia o adiamento por 180 dias da aplicação. Ou seja, para depois das eleições. O senador ainda foi ao EUA participar de uma audiência pública antes da confirmação das tarifas.

Em um artigo publicado na segunda-feira (20/7), o economista americano Paul Krugman, ganhador do Nobel, ressaltou essa percepção ao dizer que as tarifas podem fortalecer Lula.

De fato, segundo o cientista político Sergio Simoni Junior, professor na Universidade de São Paulo (USP), ainda é Lula quem tem mais chance de usar as tarifas em seu benefício nas eleições, devido às contradições persistentes do discurso bolsonarista sobre as tarifas. Mais de mundo

"É um discurso que tem ainda essa contradição: dizem 'olha, nós estamos negociando [com os EUA], diferente do governo. Mas ainda assim defendendo a tarifa se eles não ganharem eleição", avalia.

Mas essa contradição, dizem os analistas consultados, deve se somar a outros vários fatores contra os dois candidatos que vão decidir o voto dos indecisos.

Experimento com indecisos: de quem é a culpa?

Legenda da foto, Flavio tem percepção pior do eleitorado sobre tarifaço

Diretor do Instituto Democracia em Xeque, Beto Vasques tem feito pesquisas qualitativas com eleitores indecisos para as eleições 2026 junto à cientista política Esther Solano.

São reunidos semanalmente dois grupos de eleitores, a quem são aplicados questionários baseados em estudos de pesquisas quantitativas (como Quaest ou Datafolha) e de monitoramento de redes sociais.

Os grupos são formados pelo chamado "eleitor pendular" de Estados como Minas Gerais, Bahia e São Paulo. São pessoas que em 2018 votaram em Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad, em 2022 votaram Lula contra Bolsonaro e agora estão indefinidas, sem rejeitar totalmente nem Lula nem Flávio.

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