Avião da Air India sofre turbulência severa e deixa 17 feridos em voo para Índia
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Crédito, Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images
- Author, Thayz Guimarães
- Role, De Brasília para BBC News Brasil
- Published Há 42 minutos
- Tempo de leitura: 9 min
"Abrir o portão." Foi assim que o ministro da Defesa, José Múcio, disse que o Brasil deveria reagir a uma eventual invasão dos Estados Unidos. "A gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", afirmou, arrancando risadas dos presentes.
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Múcio fez a declaração na terça-feira (4/8) durante um encontro da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria brasileira, quando defendia maior previsibilidade no orçamento das Forças Armadas.
Ela veio em meio a uma escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, Washington anunciou uma nova tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, e Brasília negou vistos a dois diplomatas americanos. Horas depois da declaração do ministro, o governo americano cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
Apesar do tom bem-humorado, a resposta de Múcio expôs um aparente paradoxo. Leia também: Minha Casa Minha Vida: imóveis subsidiados em SP vão para Airbnb
Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares brasileiros cresceram 13% em termos reais em 2025, para US$ 23,9 bilhões— uma alta bem superior aos 3,4% registrados na América do Sul e aos 2,9% registrados globalmente.
Ainda assim, o ministro havia afirmado em junho que a situação das Forças Armadas era "precaríssima" e "incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil".
Como o país pode ter aumentado tanto seus gastos e, ao mesmo tempo, continuar com dificuldades para manter equipamentos, treinar tropas e concluir projetos que se arrastam há décadas?

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O que entra na conta do Sipri
A conta do Sipri inclui as despesas com pessoal (salários e benefícios de militares e civis, aposentadorias e pensões), projetos estratégicos e equipamentos (compras de armamentos, obras, pesquisa e desenvolvimento) e operação e manutenção. Mais de mundo
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Isso não quer dizer que todas as áreas das três Forças tenham recebido 13% a mais, nem que esse crescimento tenha se convertido integralmente em novos meios operacionais. Leia também: Trump e secretário de Guerra batem boca por falta de mísseis e frustração
Dados do Sipri mostram que os gastos militares brasileiros correspondiam a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e a 1,1% em 2025. Em termos reais, o valor gasto pelo Brasil em 2025 superou o de 2016 em apenas 1,6%, enquanto o total mundial aumentou 41% no mesmo período.
"A fatia do orçamento da Defesa destinada à modernização e a investimentos em pesquisa e desenvolvimento é muito diminuta, algo em torno de 6% a 8%, porque o percentual para custeio e pessoal acaba sendo elevado", afirma Hélio Caetano Farias, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme).
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- 'Guardiões do espaço': a unidade militar dos EUA capaz de rastrear mísseis lançados em qualquer ponto do globo3 agosto 2025
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Recursos extras de um lado, bloqueios de outro
Nos últimos anos, o governo passou a financiar parte dos projetos militares por mecanismos diferentes do orçamento discricionário ordinário, entre eles o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Em novembro de 2025, uma lei complementar abriu outro caminho: autorizou que despesas de capital com projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento da indústria nacional ficassem fora da meta fiscal e do limite de gastos.

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