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Por que ministro da Defesa diz que Brasil teria que só 'abrir o portão' aos EUA

Crédito, Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images Article Information Author, Thayz Guimarães Role, De Brasília para BBC News Brasil Published Há 42 minutos Tempo de

Por que ministro da Defesa diz que Brasil teria que só 'abrir o portão' aos EUA
Close de quatro militares brasileiros usando capacetes, equipamentos táticos e pintura de camuflagem no rosto. Eles aparecem perfilados lado a lado, em posição de atenção, com a bandeira do Brasil visível no uniforme de um deles e iluminação que destaca seus rostos.

Crédito, Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images

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    • Author, Thayz Guimarães
    • Role, De Brasília para BBC News Brasil
  • Published Há 42 minutos
  • Tempo de leitura: 9 min

"Abrir o portão." Foi assim que o ministro da Defesa, José Múcio, disse que o Brasil deveria reagir a uma eventual invasão dos Estados Unidos. "A gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", afirmou, arrancando risadas dos presentes.

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Múcio fez a declaração na terça-feira (4/8) durante um encontro da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria brasileira, quando defendia maior previsibilidade no orçamento das Forças Armadas.

Ela veio em meio a uma escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, Washington anunciou uma nova tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, e Brasília negou vistos a dois diplomatas americanos. Horas depois da declaração do ministro, o governo americano cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.

Apesar do tom bem-humorado, a resposta de Múcio expôs um aparente paradoxo. Leia também: Minha Casa Minha Vida: imóveis subsidiados em SP vão para Airbnb

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares brasileiros cresceram 13% em termos reais em 2025, para US$ 23,9 bilhões— uma alta bem superior aos 3,4% registrados na América do Sul e aos 2,9% registrados globalmente.

Ainda assim, o ministro havia afirmado em junho que a situação das Forças Armadas era "precaríssima" e "incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil".

Como o país pode ter aumentado tanto seus gastos e, ao mesmo tempo, continuar com dificuldades para manter equipamentos, treinar tropas e concluir projetos que se arrastam há décadas?

Militares brasileiros em formação.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Militares brasileiros em formação

O que entra na conta do Sipri

A conta do Sipri inclui as despesas com pessoal (salários e benefícios de militares e civis, aposentadorias e pensões), projetos estratégicos e equipamentos (compras de armamentos, obras, pesquisa e desenvolvimento) e operação e manutenção. Mais de mundo

Isso não quer dizer que todas as áreas das três Forças tenham recebido 13% a mais, nem que esse crescimento tenha se convertido integralmente em novos meios operacionais. Leia também: Trump e secretário de Guerra batem boca por falta de mísseis e frustração

Dados do Sipri mostram que os gastos militares brasileiros correspondiam a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e a 1,1% em 2025. Em termos reais, o valor gasto pelo Brasil em 2025 superou o de 2016 em apenas 1,6%, enquanto o total mundial aumentou 41% no mesmo período.

"A fatia do orçamento da Defesa destinada à modernização e a investimentos em pesquisa e desenvolvimento é muito diminuta, algo em torno de 6% a 8%, porque o percentual para custeio e pessoal acaba sendo elevado", afirma Hélio Caetano Farias, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme).

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Recursos extras de um lado, bloqueios de outro

Nos últimos anos, o governo passou a financiar parte dos projetos militares por mecanismos diferentes do orçamento discricionário ordinário, entre eles o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em novembro de 2025, uma lei complementar abriu outro caminho: autorizou que despesas de capital com projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento da indústria nacional ficassem fora da meta fiscal e do limite de gastos.

Um militar brasileiro usando uniforme camuflado, capacete azul e mochila aparece em primeiro plano segurando uma arma, enquanto outros militares com capacetes azuis permanecem perfilados ao fundo, desfocados.
Legenda da foto, Treinamento militar em maio de 2026 no Rio de Janeiro

Comprar não basta

Defesa como política industrial

A imagem mostra a silhueta de oito militares armados alinhados em primeiro plano enquanto um helicóptero militar paira ao fundo, levantando poeira. Ao fundo, há montanhas sob a luz do entardecer, compondo um cenário de treinamento ou operação militar.

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