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Por que Milei resolveu dobrar a aposta e atacar Lula de novo?

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Presidente da Argentina, Javier Milei, atacou Lula em evento em São Paulo para lançamento de candidatura de Flávio Bolsonaro

Por que Milei resolveu dobrar a aposta e atacar Lula de novo?
Javier Milei e Flávio Bolsonaro

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Presidente da Argentina, Javier Milei, atacou Lula em evento em São Paulo para lançamento de candidatura de Flávio Bolsonaro
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    • Author, Daniel Gallas
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published 3 agosto 2026
    Atualizado Há 7 horas
  • Tempo de leitura: 10 min

As recentes críticas de Javier Milei a Luiz Inácio Lula da Silva seriam uma tentativa do presidente argentino de agradar a Donald Trump e aproximar a Argentina ainda mais da Casa Branca.

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A avaliação é de Christopher Sabatini, professor americano e pesquisador sênior do programa América Latina, EUA e Américas da Chatham House, um dos principais centros de estudos britânicos, com sede em Londres.

Milei esteve no Brasil no mês passado para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Em um duro discurso, criticou o socialismo, Lula e as políticas sociais do brasileiro.

"Esse é o método que ele tem operado em toda a região: causar desequilíbrio econômico com o objetivo de 'comprar' votos para não perder o poder nas eleições seguintes", afirmou. Leia também: Os fósseis brasileiros em Oxford que voltarão ao país para recompor acervo

No domingo, Milei voltou a fazer críticas a Lula, chamando o brasileiro de "ladrão" e "corrupto".

"O pior é que eles me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um corrupto e um ladrão. É um condenado. Saiu da prisão por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em defesa dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes [do STF], que me negou uma visita a [Jair] Bolsonaro."

Para Christopher Sabatini, Milei busca mostrar seu alinhamento com Trump e com movimentos políticos de direita. Ele lembra que a Argentina já recebeu ajuda financeira dos EUA no passado recente— e que o país vem enfrentando dificuldades econômicas.

"As recompensas [para Milei de agradar Trump] podem vir mais tarde, em vez de imediatamente, mas podem se mostrar valiosas", diz Sabatini.

Ele diz que a participação ativa de Milei na campanha de Flávio Bolsonaro, tendo viajado ao Brasil para participar do lançamento da candidatura, é algo sem precedentes— e que pode ter consequências para as relações entre Brasil e Argentina, em um momento em que a União Europeia e o Mercosul podem estar prestes a ratificar um grande acordo comercial.

"Se você está negociando um grande acordo comercial, isso levanta questionamentos sobre se os governos estão comprometidos com a integração econômica de longo prazo ou se considerações partidárias estão prevalecendo." Leia também: Como um parafuso ajudou os Estados Unidos a conquistar o mundo

Sabatini acredita que as declarações de Milei devem ter pouco peso junto ao eleitorado brasileiro, já que dificilmente ampliarão o apoio a Flávio Bolsonaro entre indecisos.

Confira abaixo trechos da entrevista de Christopher Sabatini à BBC News Brasil.

BBC News Brasil— O que Milei tem a ganhar com esses ataques a Lula? O que você acha que motivou esses ataques?

Primeiro, isso tem o objetivo de agradar Donald Trump, que serve como modelo e aliado político para ele nos Estados Unidos. Milei está tentando mostrar que está totalmente comprometido com um movimento político nos moldes do Maga [Make America Great Again] no hemisfério e com o apoio a candidatos alinhados a ele: candidatos de direita, antissistema e fora do establishment tradicional.

O segundo fator é ideológico. Desde que entrou na vida pública, Milei fala sobre a necessidade de uma revolução libertária. Embora Donald Trump não seja libertário, Milei claramente é. Ele acredita em um movimento conservador antissistema capaz de desafiar o status quo e reverter o socialismo e os modelos econômicos centrados no Estado.

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