
Crédito, Fairfax Media via Getty Images
- Author, Mitchell Labiak
- Role, Repórter de Negócios, BBC News
- Published 26 maio 2026
- Tempo de leitura: 13 min
Cameron George transformou sonho em realidade. Em 2019, ele trabalhava repondo mercadorias em uma loja da rede de supermercados Walmart. Hoje, o americano de 26 anos atua em tempo integral como criador de conteúdo e trader de criptomoedas.
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As suas redes sociais estão repletas de fotos em que aparece ao lado de sua McLaren 600 LT verde-limão e da mulher com quem tem cinco filhos. Ele diz que gostaria de ter entre 10 e 20 filhos. Em seus muitos vídeos sobre investimentos, que publica desde os 13 anos, George se mostra confiante e carismático.
Entre os assuntos mais frequentes de seu conteúdo estão os mercados de previsão — plataformas online nas quais usuários fazem apostas sobre temas que vão de partidas de futebol à reabertura do estreito de Ormuz ou até quem Taylor Swift escolherá como madrinhas de casamento. Como muitos homens jovens, George acompanha essas plataformas de perto. Ele as usa principalmente para monitorar o mercado de criptomoedas e tentar compreender melhor o noticiário.
"As pessoas sempre tiveram opiniões, mas esta é a primeira vez na história em que dá para apostar dinheiro literalmente em qualquer opinião", diz George. "Estou muito animado para ver o quanto essa indústria ainda pode crescer e evoluir... É uma época louca para se estar vivo." Leia também: Por que países querem atrair jovens para as Forças Armadas

Crédito, Cameron George/Instagram
"Loucura" talvez seja a palavra certa. Os mercados de previsão viraram uma indústria multibilionária em plena expansão. As apostas nessas plataformas, especialmente nas principais, Polymarket e Kalshi, cresceram com a explosão do interesse por apostas nos Estados Unidos. A Kalshi foi recentemente avaliada em US$ 22 bilhões (cerca de R$ 124 bilhões), e a Polymarket, em US$ 9 bilhões (aproximadamente R$ 51 bilhões).
Segundo um estudo recente da empresa de análise Morning Consult, a maior parte dos usuários desses mercados tem menos de 45 anos, e 71% são homens. Já uma pesquisa do Instituto Americano para Garotos e Homens (AIBM, na sigla em inglês) em parceria com a Ipsos mostrou que pouco mais de um quarto dos homens americanos entre 18 e 24 anos usaram algum mercado de previsão ou aplicativo de apostas nos últimos seis meses. Na população em geral, o índice é de 14%.
Até que ponto esse fenômeno revela questões mais profundas sobre os homens e a autoestima deles?
'Vibe' de homens jovens
Os mercados de previsão reúnem vários interesses historicamente associados ao universo masculino. Mais de mundo
"[Eles] parecem surgir no encontro de diferentes culturas online já dominadas por homens, como apostas esportivas, especulação com criptomoedas, cultura dos 'finance bros' [parceiros da área de finanças], fandoms [grupo de pessoas que se reúnem por um interesse em comum] de streamers e influenciadores, investimentos impulsionados por memes e comunidades competitivas de previsões online", afirma a professora Elvira Bolat, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido.
"A vibe é a de homens jovens", diz Jonathan Cohen, diretor de políticas de apostas esportivas do AIBM. Para ele, há também um componente neurológico importante: a relação de homens jovens com esportes, dinheiro e mercados de previsão estaria ligada ao que define como "um córtex pré-frontal ainda em desenvolvimento e uma forte inclinação ao risco".

Crédito, Getty Images Leia também: 'Hipersexualização dos seios traz ansiedade para mulheres': o que uma socióloga
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
As apostas seguem restritas em muitos Estados dos EUA, mas os mercados de previsão escapam dessa classificação. No país, eles não são considerados jogos de azar, o que permite operar nos 50 Estados americanos. Em vez disso, são enquadrados como negociações de contratos futuros de commodities — a mesma categoria usada para negociações de petróleo ou metais no mercado financeiro. Como bolsas de valores e plataformas de commodities, esses sites ganham dinheiro cobrando pequenas taxas sobre cada transação.
Os defensores desse mercado afirmam que ele oferece uma forma mais moderna e eficiente de ganhar dinheiro. Isso porque as probabilidades variam conforme o comportamento dos usuários, e não pela definição de uma casa de apostas. Segundo eles, isso gera cotações mais vantajosas e funciona como um termômetro instantâneo da opinião pública sobre assuntos que vão do esporte à política. Também argumentam que esses dados seriam mais confiáveis do que pesquisas tradicionais, já que as pessoas arriscam o próprio dinheiro naquilo em que acreditam.
Já os críticos veem a situação de forma mais preocupante. Para eles, o visual e a estratégia de divulgação dessas plataformas acabam suavizando os riscos e tornando as apostas algo banal. Os especialistas afirmam que homens jovens, sobretudo, vêm sendo atraídos para perder dinheiro em sites e aplicativos que lembram plataformas convencionais de investimento em ações, e não ambientes de apostas.

'Monitorando a situação'




Pânico moral?

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