
Crédito, Pablo PORCIUNCULA and Andrew CABALLERO-REYNOLDS / AFP via Getty Images
- Author, Marina Rossi
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Há 1 hora
- Tempo de leitura: 7 min
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação telefônica para Donald Trump em outubro do ano passado, o petista tentou quebrar o gelo fazendo uma brincadeira com a idade deles.
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Lula estava prestes a completar 80 anos, idade que Trump alcançará no próximo mês de junho.
Na época, o Brasil vivia sob as tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre diversos produtos brasileiros e aquela ligação era a primeira vez que eles conversavam sobre o tema.
Segundo uma fonte próxima ao governo afirmou à BBC News Brasil na época, Lula afirmou, com um tom de "deixa disso", que eles não tinham "mais idade" para provocações. E prometeu que visitaria Trump próximo ao 80º aniversário do americano. Leia também: Navio cargueiro afunda após atingir rochas na Grécia
Faltando um mês para Trump completar 80 anos, Lula estará na Casa Branca, para uma reunião com o líder americano nesta quinta-feira (7/4).
O encontro ocorre após o novo atrito entre os dois países causado pelo episódio de prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos.
A situação levou o governo americano a expulsar um agente da Polícia Federal brasileira que atuava como oficial de ligação nos Estados Unidos. Em resposta, o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no Brasil.
No pano de fundo estão também os ataques de Trump ao Pix, a possibilidade de os EUA classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os investimentos em minerais críticos e as tarifas que ainda permaneceram do "tarifaço".
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Pano de fundo eleitoral
Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o encontro deve tangenciar a pauta das terras raras, o acordo que o Brasil pode firmar com a China e o do Mercosul com a União Europeia.
Já para Oliver Stuenkel, pesquisador do Carnegie Endowment e Harvard e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a reunião dos chefes de Estado deve ser sem tensionamentos e "com alguns avanços pontuais na redução de tarifas".
Mas ambos concordam que a ida de Lula à Casa Branca é estratégica para as eleições deste ano. Leia também: Ucrânia diz que Rússia violou cessar-fogo; países anunciaram diferentes tréguas
"A direita tem um imaginário que vincula muito a política externa brasileira à Venezuela, a governos progressistas, à esquerda. E essa estratégia de tentar se desvincular disso é interessante, sobretudo se o encontro significar que existe uma autonomia e soberania brasileira", afirma Bressan.
Em entrevista à repórter Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília, na semana passada, o especialista em relações internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA), afirmou algo na mesma linha.
"A única forma pela qual Trump poderia reequilibrar esse lugar que os Estados Unidos ocupam na conversa eleitoral é se ele tiver o encontro com o Lula e se esse encontro for bom."
Segundo Stuenkel, além da direita perder a narrativa de que seria mais alinhada a Trump, Lula ainda teria a seu favor a cartada da diplomacia.
"Se for uma reunião bem-sucedida, é claro que o Lula vai usar isso dizendo que consegue trabalhar com qualquer um, enquanto Flávio [Bolsonaro] carece de uma experiência diplomática."

Diálogo ou 'armadilha'?
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