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Por que EUA não conseguem controlar o Estreito de Ormuz

Por que EUA não conseguem controlar o Estreito de Ormuz 26 março 2026 Uma faixa de mar estreita, controlada pelo Irã , por onde passam 20% do petróleo consumido no

Por que EUA não conseguem controlar o Estreito de Ormuz
Por que EUA não conseguem controlar o Estreito de Ormuz
26 março 2026

Uma faixa de mar estreita, controlada pelo Irã, por onde passam 20% do petróleo consumido no planeta. Esse é o Estreito de Ormuz, uma das rotas de energia mais importantes do mundo, que conecta os produtores do Oriente Médio aos principais mercados da Ásia-Pacifico, da Europa e América do Norte.

Desde que o Irã anunciou seu fechamento, no dia 02 de março, logo após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos, a rota se tornou um dos epicentros da atual guerra no Oriente Médio.

O Irã atacou mais de uma dezena de navios que tentaram atravessar o estreito. Os Estados Unidos, por sua vez, têm pressionado aliados europeus a apoiar os esfoços para reabrir Ormuz.

Mesmo sem um bloqueio total da passagem, o fluxo de navios caiu drasticamente desde o início do conflito, e o impacto disso já é sentido nos preços do petróleo em todo o mundo.

Mas por que os EUA, mesmo com uma das maiores forças militares do mundo, não conseguem garantir o funcionamento do Estreito de Ormuz, que está com o acesso restrito desde o início da guerra contra o Irã?

A importância do Estreito de Ormuz

Para entender a importância do Estreito de Ormuz, é preciso voltar pelo menos ao século 2, quando a região já funcionava como um entreposto comercial sob domínio do Império Persa. Leia também: EUA abordam navio com petróleo iraniano, e Trump autoriza tiros contra minas no estreito de Ormuz

No século 14, a cidade de Ormuz sofreu repetidos ataques do Império Mongol. A população, então, abandonou a cidade original, às margens do rio Minab, e se mudou para a ilha de Gerum, consolidando o domínio sobre o estreito.

No século 16, os portugueses tomaram a região e construíram uma fortaleza. Os navios paravam ali para reabastecimento, comércio e cobrança de tributos.

Em 1622, os portugueses foram expulsos por forças persas com o apoio inglês.

Essa lógica de poder, no entanto, pouco mudou desde então: quem controla esse trecho tem influência direta sobre os fluxos de comércio de produtos estratégicos para o mundo todo.

Hoje, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passa por ali. Esse petróleo não vem apenas do Irã, mas também de países do Golfo, como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Mais de mundo

Quase 90% desse volume segue para a Ásia. A China, sozinha, recebe cerca de 38%, seguida por Índia, Coreia do Sul e Japão.

Além disso, o estreito é uma rota essencial para o gás natural liquefeito, usado como combustível na indústria, no transporte e no aquecimento de residências em vários países. Leia também: Guerra assimétrica: a estratégia do Irã no confronto com os EUA

No sentido contrário, é pelo estreito de Ormuz que entram alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais para o Oriente Médio.

Desenho do Estreito de Ormuz

Crédito, Nicolas Economou/Reuters

Antes do conflito, cerca de 130 embarcações passavam pelo estreito de Ormuz todos os dias. Hoje, esse fluxo caiu para cinco ou seis navios — uma redução de cerca de 95%.

Desde 28 de fevereiro, quando a guerra começou, quase 100 navios conseguiram cruzar a região. Ou seja, o corredor não está completamente fechado, mas muitas embarcações deixaram de passar por medo de ataques — e as seguradoras também elevaram os preços, já que até armamentos de pequeno porte podem causar grandes danos.

Qualquer instabilidade no estreito de Ormuz tem impacto quase imediato no restante do mundo, afetando preços, cadeias de abastecimento e economias inteiras.

A dificuldade de reabrir a rota

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