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Por que classificar PCC e CV como terroristas pode fortalecer facções

Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Inclusão das facções na lista americana de organizações terroristas estrangeiras entrou em vigor na sexta-feira (5/6)

Por que classificar PCC e CV como terroristas pode fortalecer facções, segundo
Pichação com os dizeres "proibido roubar CV" em um muro de uma rua na zona norte de Belém, no Pará

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Inclusão das facções na lista americana de organizações terroristas estrangeiras entrou em vigor na sexta-feira (5/6)
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    • Author, Julia Braun
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published 5 junho 2026, 13:56 -03
    Atualizado Há 5 horas
  • Tempo de leitura: 5 min

A designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos tem potencial de provocar o efeito contrário desejado por Donald Trump e fortalecer as facções criminosas no Brasil e no mundo.

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Essa é a visão compartilhada pelo criminologista Nikos Passas, professor da Universidade Northeastern, nos Estados Unidos. O advogado foi um dos especialistas que colaborou para a implementação das convenções das Nações Unidas contra a corrupção e crime organizado transnacional e vem acompanhando de perto a estratégia americana contra o narcoterrorismo na América Latina.

"No passado, vimos que a aplicação rigorosa de medidas contra essas organizações às vezes serve de incentivo para que elas se tornem mais bem organizadas, mais sofisticadas e, consequentemente, mais poderosas e resilientes", disse em entrevista à BBC News Brasil.

Para Passas, o PCC e o CV foram capazes de crescer e expandir suas operações nas últimas décadas apesar das medidas tomadas no Brasil e internacionalmente para pará-los, o que demonstra sua capacidade de se adaptar e encontrar novas soluções criminosas. Leia também: EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas: a linha do tempo

A inclusão das facções na lista americana de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), que entrou em vigor nesta sexta-feira (5/6), deve significar inicialmente um novo desafio para suas lideranças, diz.

Mas sem uma colaboração estreita entre os governos americano e brasileiro, o cenário pode rapidamente se reverter a favor dos criminosos.

"Se não houver a cooperação internacional necessária para combater atos criminosos, um efeito indesejável e imprevisto pode ser que essas organizações se tornem mais poderosas e difíceis de detectar", explica.

Nikos Passas

Crédito, Arquivo Pessoal

Legenda da foto, Passas acredita que facções têm recursos para continuar operando apesar de restrições

As facções precisarão, por exemplo, mudar a forma como gerenciam suas finanças para que possam continuar atuando. E segundo o criminologista, há indícios de que elas são capazes de encontrar aconselhamento legal e financeiro sofisticado para fazer isso. Mais de mundo

Da mesma forma, organizações criminosas tendem a fragmentar suas operações quando as autoridades fecham o cerco contra sua estrutura, diz Nikos Passas. Por vezes, isso acaba significando uma expansão para diferentes regiões geográficas e jurisdições. Leia também: Preços dos ingressos da Copa estão em queda — a Fifa está tentando se livrar

"A história nos ensina que esse tipo de organização rapidamente recorre a conhecimentos jurídicos sofisticados. Eles podem comprar o apoio de profissionais que lhes mostram como contornar a lei", afirma o criminologista.

Ainda segundo o especialista, a colaboração estreita entre países é uma das melhores formas de combater as organziações e fazer com que as medidas implementadas sejam bem-sucedidas.

No caso do PCC e do CV, porém, ainda não está claro como as autoridades no Brasil e nos Estados Unidos atuarão daqui para frente.

A designação das organizações como terroristas foi vista como uma derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo brasileiro era contra a medida– o principal argumento era de que ela poderia colocar em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.

Mas a decisão do Departamento de Estado americano foi anunciada mesmo assim, um dia depois do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ter encerrado uma viagem para Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio.

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