O boicote à Copa do Mundo anunciado pela Uefa contra plano da Fifa para 'vender
Ler matéria →Play audio, "Guerra do Paraguai, 160 anos: as descobertas que contradizem o que a escola ensinou sobre o conflito sangrento", Duration 16,0816:08

- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published Há 57 minutos
- Tempo de leitura: 10 min
A Guerra do Paraguai, o maior e mais sangrento conflito armado da história da América Latina, voltou ao centro de uma disputa diplomática entre Brasil e Paraguai nesta semana.
A crise foi desencadeada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar, na última sexta-feira (24/7), que "um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil".
Leia no AINotícia: Japão: Shopping destruído danificado há 10 anos
A fala ocorreu durante um evento no interior de São Paulo, em que o presidente fala sobre a importância de investimentos na indústria de defesa brasileira.
"A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", disse Lula.
Nesta quinta-feira (30/7), o governo do presidente Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para prestar esclarecimentos sobre o episódio. Leia também: O boicote à Copa do Mundo anunciado pela Uefa contra plano da Fifa para 'vender
O Congresso paraguaio também aprovou manifestações de repúdio às declarações do presidente brasileiro.
A repercussão reacendeu um debate histórico que, mais de 160 anos após o fim da guerra, continua sensível no Paraguai e cercado de interpretações divergentes sobre as origens e a condução do conflito— muitas delas em desacordo com a versão que, por décadas, foi ensinada nas escolas.
Guerra de versões
Pule Promoção Agregador de pesquisas e continue lendo
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
A Guerra do Paraguai durou de dezembro de 1864 a março de 1870. De um lado estava a pequena República do Paraguai, com cerca de 400 mil habitantes. De outro, a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai— juntos, somavam pouco mais de 11 milhões de habitantes. Mais de mundo
O resultado foi arrasador. Calcula-se que a população paraguaia tenha se reduzido para menos de 190 mil pessoas. "90% dos homens morreram", afirma o historiador Francisco Doratioto, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB).
"Do sexo masculino, sobraram apenas idosos e crianças."
Mas ao longo de pelo menos duas décadas, a maior parte dos estudantes brasileiros aprendeu uma história errada sobre o conflito. Leia também: A relação entre o El Niño e a frente de rajada, fenômeno que causou ventos
A versão mais contada pelos professores de História era aquela popularizada pelos ideólogos de esquerda que faziam oposição ao regime militar que comandou o Brasil durante a ditadura, de 1964 a 1985.
Com foco em uma aversão ao imperialismo estrangeiro e qualquer interferência das grandes potências nos destinos sul-americanos, vendia-se a narrativa de que o conflito do século 19 havia sido causado, financiado e indiretamente capitaneado pela Grã-Bretanha.
Nessa história, o Paraguai ascendia como um país que caminhava para ser considerado desenvolvido, com industrialização, justiça social e uma produção de riquezas sem igual, de forma independente, configurando assim uma exceção naquele contexto de novos países americanos que estavam conseguindo autonomia frente aos colonizadores a preço de uma dependência econômica de nações ricas.
Vendo-se ameaçados por aquele paisinho que se tornaria um concorrente de sua influência, sobretudo no Brasil e na Argentina, os ingleses despejaram dinheiro e reforços bélicos. O resultado: um massacre que teria condenado ao Paraguai à pobreza e ao subdesenvolvimento. Fim do sonho sul-americano.
Doratioto, contudo, questiona essa versão. "Onde está qualquer documento que prove que foi a Inglaterra? Não existe um documento oficial, não existe nada que mostre que o governo inglês tinha interesse em fazer uma guerra na região", disse em entrevista concedida à BBC News Brasil em dezembro de 2024.



O investimento inglês
Violência militar

Leia também no AINotícia
- O boicote à Copa do Mundo anunciado pela Uefa contra plano da Fifa para 'venderMundo · agora
- As possíveis consequências do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA na convençãoMundo · agora
- Promotoria na Bolívia ordena a prisão de Evo Morales: quais acusações eleMundo · 4h atrás
- A relação entre o El Niño e a frente de rajada, fenômeno que causou ventosMundo · 4h atrás
