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Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da aposta

Ativos mencionados na matéria Publicidade A Hapvida ( HAPV3 ), uma das maiores operadoras de planos de saúde do país, passou de papel de primeira linha no crédito

Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da aposta

Ativos mencionados na matéria

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A Hapvida (HAPV3), uma das maiores operadoras de planos de saúde do país, passou de papel de primeira linha no crédito privado para caso de estudo sobre como um resultado trimestral pode virar a percepção do mercado de cabeça para baixo em poucas semanas.

A descrição usada pela Polo Capital é direta: “o avião que caiu”. Até meados do ano passado, a companhia era considerada um emissor de alta qualidade, tanto que conseguiu captar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões em outubro pagando apenas CDI mais 1,30 ponto percentual — uma taxa baixa para os padrões brasileiros.

A virada começou no resultado do terceiro trimestre. A empresa queimou caixa depois de dez trimestres seguidos gerando dinheiro, perdeu clientes (ou “vidas”, como se diz no jargão do setor de saúde), anunciou a troca de seu presidente e viu a ação despencar 45% em um único pregão.

“Eu pelo menos nunca vi uma empresa cair 45% num dia se não for fraude. E não era fraude”, afirma Conrado Rocha, sócio da Polo Capital responsável pela posição da gestora nos papéis da companhia.

A análise foi feita no Stock Pickers, podcast comandado por Lucas Collazo. Rocha está há 16 anos na Polo Capital, gestora carioca com 23 anos de história. Entrou em 2010 na área operacional, passou 14 anos analisando ações e, desde o fim de 2024, dedica-se exclusivamente ao time de crédito da casa.

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Depois do resultado ruim, o presidente da Hapvida foi para o conselho e o diretor financeiro assumiu a presidência. A companhia então decidiu parar de falar com o mercado por dois a três meses para entender internamente o que havia acontecido — uma postura que ampliou o nervosismo dos credores.

Quando voltou a divulgar resultados, em 18 de março, o quarto trimestre também veio fraco, com nova perda de clientes e margem pior que a esperada. A dívida da empresa, que estava em CDI mais 1,30, escalou para CDI mais 2, depois para CDI mais 5 e finalmente para CDI mais 8, patamar recente.

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O caixa que dá fôlego e os 10 executivos contratados de uma vez

Apesar da deterioração dos números, há uma folga importante na estrutura da companhia: a Hapvida tem apenas R$ 2 bilhões em dívidas vencendo nos próximos dois anos e mantém cerca de R$ 8 bilhões em caixa, dos quais R$ 5,5 bilhões são de caixa livre. Leia também: Messias diz que atuará por STF menos intervencionista para tentar atrair indecisos

Ou seja, mesmo com a queima registrada no último trimestre, a empresa não tem pressão imediata para renegociar dívidas ou sair ao mercado em condições desfavoráveis.

A gestora Squadra, conhecida no mercado pelas cartas detalhadas que escreve para empresas nas quais investe, tem pressionado por indicações no conselho da Hapvida.

A resposta da empresa a essa pressão foi inusitada: anunciou de uma vez só a contratação de 10 novos executivos, incluindo diretor financeiro, de relações com investidores, de fusões e aquisições, de recursos humanos e de assistência médica.

O movimento chamou atenção justamente pelo volume. “Todo dia acontece alguma coisa que nunca tinha acontecido antes”, comenta Rocha, citando o autor Morgan Housel, cujo livro trata de psicologia financeira.

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A Hapvida fatura cerca de R$ 30 bilhões por ano, tem posição dominante no Nordeste, onde o modelo de atendimento verticalizado está consolidado, e enfrenta competição predatória no Sudeste, onde hospitais independentes e outras operadoras disputam clientes com agressividade nos preços. Mais de economia

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Para levantar recursos e reduzir exposição em regiões de margem menor, a empresa colocou à venda sua unidade do Sul do país. Leia também: Startups: O que a SpaceX ganha ao comprar a Cursor?

A Polo monitora três sinais específicos que poderiam forçar uma mudança na posição atual.

O primeiro é a continuidade da perda de clientes, porque isso gera uma dinâmica ruim de diluição de custos fixos — os hospitais e unidades ficam cada vez mais ociosos, mas os gastos permanecem.

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Segundo, é uma nova troca de diretoria, o que quebraria a memória histórica da administração e dificultaria qualquer plano de recuperação.

“Ninguém dorme bem aqui. Estamos aqui olhando todo dia, falando com a companhia”, resume o gestor.

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