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Gostem ou não, Zverev completa carreira com sonhado e merecido Slam

Foram necessárias 11 temporadas, 165 partidas, 125 vitórias, 41 torneios e quatro finais de Grand Slam para quem finalmente Alexander Zverev chegasse ao título que mais

Gostem ou não, Zverev completa carreira com sonhado e merecido Slam

Foram necessárias 11 temporadas, 165 partidas, 125 vitórias, 41 torneios e quatro finais de Grand Slam para quem finalmente Alexander Zverev chegasse ao título que mais almejou em sua carreira. Dono de troféus de todos os melhores níveis, incluindo Finals e ouro olímpico, faltava ao alemão triunfar nos mais exigentes torneios do calendário e aqueles que efetivamente importam para a história.

A redenção veio no saibro de Roland Garros, o Slam em que mais obteve sucesso porém ironicamente também aquele que causou a maior tragédia de sua carreira, a terrível contusão sofrida contra Rafael Nadal na semi de 2022, a qual o levaria a cirurgia, longa parada e muitas dúvidas. Sempre irônico, o destino reservou a ele uma queda para comemorar o título deste domingo muito perto do lugar onde sofreu a ruptura dos três ligamentos do calcanhar direito.

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Finally 🏆#RolandGarros pic.twitter.com/GtLJNPhFXr

— Roland-Garros (@rolandgarros) June 7, 2026

Há quem sinta empatia por Zverev e com motivos justos. Há pouco tempo, ele revelou ter diabetes do tipo 1 desde os quatro anos, quando já precisava medir a glicemia de quatro em quatro horas. A doença sempre exigiu cuidados especiais e provocaram quedas de rendimento físico. Em 2023, o mesmo torneio de Roland Garros o proibiu de injetar insulina dentro de quadra, condição que então era essencial para mantê-lo competitivo e sem riscos de saúde. Também jogam a seu favor seu esforço contínuo para resolver problemas com o saque e com o jogo de rede, além de ter tido Roger Federer como ídolo de infância e Novak Djokovic como espelho. Leia também: Franca Conquista Pentacampeonato Inédito do NBB Contra Pinheiros

No entanto, muita coisa pesa também contra Sascha e certamente as duas acusações que sofreu de violência doméstica sejam as mais relevantes. No primeiro caso, fez um acordo extrajudicial de valores milionários nunca divulgados e, no outro, a investigação não evoluiu e a namorada desistiu da ação. No que tange a seu trabalho de quadra, foi abandonado pelo técnico Juan Carlos Ferrero sob alegação de falta de empenho e sempre exagerou nas reclamações, seja da bola, do piso, do clima, do horário… Ele, sejamos justos, está longe de ser o único a fazer isso.

O fato é que tudo conspirou a seu favor neste Roland Garros. A queda imprevista de favoritos, especialmente as de Djokovic e Jannik Sinner, abriram uma oportunidade excepcional. Desde as oitavas, só enfrentou adversários que nunca haviam chegado tão longe em Slam, incluindo o vice Flavio Cobolli. Pela primeira vez em 38 anos, o campeão de Paris não encarou um único top 10 do ranking na trajetória. Mesmo nos demais Slam, isso não acontecia desde Thomas Johansson, no Australian Open de 2002.

Alexander Zverev’s team react to the moment he won his first Grand Slam title 🤩 pic.twitter.com/5KZvPYao9t

— TNT Sports (@tntsports) June 7, 2026 Mais de esporte

A final deste domingo teve, é claro, nível técnico bem abaixo da decisão espetacular do ano passado, entre Carlos Alcaraz e Sinner. Os dois jogadores tiveram momentos de superação e de tremedeira neste domingo, porém a entrega foi absoluta ao longo dos cinco sets, com direito a emoções. Cobolli nem jogou a semi de sexta-feira, então chegou fisicamente inteiro e aí se esperava que uma partida de 4 horas poderia ser favorável ao italiano. Zverev chegou a sentir cãibras, na altura do quarto set, e deu evidentes preocupações: “Foram mais emocionais do que físicas”, contaria depois, “e isso acabou me ajudando, porque comecei a bater mais na bola e a coisa toda se encaixou”.

Foi muito bom ver o alemão ousar saque-voleio, dar curtinhas, chegar em bolas muito difíceis e disparar forehands, outro golpe que trabalhou muito duro para corrigir. As duplas faltas, seu fantasma de outrora, deram algum sinal, mas ele soube controlar a reação de Cobolli e fez um quinto set de enorme empenho, com direito a defesas e grande cobertura de quadra. Raro tenista a ter vencido todo o Big 3 em seus melhores pisos, se Zverev mantiver esse padrão atual, pode sonhar com mais um Slam, especialmente na quadra dura, como já fez no US Open e na Austrália.

HAY PUNTOS QUE CAMBIAN CARRERAS. Leia também: Esporte em Foco: Seleção Brasileira, Apostas para a Copa e Atletismo

ESTE DE ALEXANDER ZVEREV PUEDE SER UNO DE ELLOS…pic.twitter.com/fzfXwLhuuf

— Tiempo De Tenis (@Tiempodetenis1) June 7, 2026

O italiano, agora um top 10 do ranking, mostra que precisa acreditar mais em si mesmo para ter chance de conquistas maiores do que o 500 que possui. Recursos não lhe faltam. Aproveitou muito bem o buraco na chave, causado por Sinner, e essa final, um tanto inesperada, pode abrir caminho para que também sonhe com seu Slam.

E mais

– Nenhum tenista alemão havia ganhado Paris na Era Aberta e o jejum do país em Slam vinha desde Becker, em Melbourne de 1996.– Agassi, Murray, Djokovic e Zverev são agora os únicos profissionais que ganharam Slam, Finals e ouro olímpico de simples ao longo da carreira.– Sascha entra para o pequeno grupo de sete jogadores em atividade que têm Slam: Djokovic (24), Alcaraz (7), Sinner (4), Wawrinka (3), Cilic (1) e Medvedev (1) são os demais.– Nada menos que 86 dos últimos 87 torneios masculinos de Slam foram vencidos por europeus. A exceção foi Del Potro, em 2009.– Pela terceira vez na Era Aberta, um Slam tem três finais consecutivas decididas no quinto set. Isso só havia acontecido em Wimbledon, entre 1970-72 e 2007-2009.– Roland Garros se encerra com 32 jogos decididos no quinto set, marca apenas superada pelas edições de 1992 e 2001, ambas com 33.– Esta é a primeira vez desde Roland Garros de 2022 que o título de Slam não fica com Djokovic, Alcaraz ou Sinner.– Com a conquista de Mirra, os seis últimos Slam femininos tiveram campeãs diferentes: Keys, Gauff, Swiatek, Sabalenka, Rybakina e Andreeva.– Siniakova e Townsend confirmaram o favoritismo e levaram as duplas. É o quarto Roland Garros e 11º Slam da número 1 do mundo e o terceiro Slam da canhota norte-americana, todas ao lado da tcheca.

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