← Saúde
Saúde

Polilaminina ganha destaque após novo desdobramento em polilaminina: 4

O artigo foi disponibilizado na terça-feira, 4, no jornal Spinal Cord, publicação especializada em doenças da medula espinhal editada pelo grupo Nature

Polilaminina ganha destaque após novo desdobramento em polilaminina: 4

Polilaminina: 4 inconsistências do estudo recém-publicado, segundo especialistas Primeiro teste da substância em humanos chega a uma revista científica com mudanças em relação ao pré-print, mas ainda pairam dúvidas sobre seus resultados Após ser rejeitado por ao menos três periódicos, o estudo sobre os efeitos da polilaminina em humanos foi publicado em uma revista científica esta semana. O artigo foi disponibilizado na terça-feira, 4, no jornal Spinal Cord, publicação especializada em doenças da medula espinhal editada pelo grupo Nature.

O trabalho passou, pela primeira vez, por uma revisão formal feita por outros cientistas. Até então, o artigo estava disponível online apenas como pré-print, uma versão preliminar (ou um “rascunho”) do material, não avaliada por pares. A falta desse filtro científico, em contraste com o grande barulho do experimento na mídia, era uma das principais críticas de especialistas.

Leia no AINotícia: Saúde: Panorama Semanal com Foco em Deficiências, Vícios e Segurança Alimentar

Na versão final, o artigo corrige alguns problemas metodológicos apontados anteriormente por pesquisadores e adota um tom mais cauteloso em relação aos resultados. Mas, apesar dos ajustes, o trabalho ainda carrega fragilidades importantes, segundo cientistas. A pedido da VEJA SAÚDE, especialistas avaliaram a nova publicação, trazendo apontamentos sobre o que mudou e quais inconsistências continuam:

Conclusões mais modestas A readequação dos objetivos e conclusões da pesquisa é uma das principais mudanças da versão do Spinal Cord. “

O preprint descrevia o trabalho como um estudo com objetivo de avaliar segurança e eficácia, enquanto a versão publicada afirma que ele não testa formalmente essa segunda hipótese”, explica o farmacêutico Flávio Emery, docente da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP). No pré-print, os autores eram enfáticos em dizer que os dados do teste piloto sugeriam “a eficácia da polilaminina no tratamento da lesão medular aguda”, citando o que chamaram de uma “notável melhora funcional” nos pacientes. Agora, a equipe afirma que o foco do estudo é apenas avaliar se a aplicação é viável e segura, e reconhece abertamente que “o desenho do estudo não permite tirar conclusões sobre a eficácia“. Leia também: Azia após usar Mounjaro e Ozempic? Saiba o que fazer

A fisioterapeuta Francielle Romanini, especialista em lesão medular, explica que a mudança é importante, porque um estudo piloto, sem grupo de comparação— o caso dessa pesquisa —, seria “aceitável” para testar segurança, mas não para provar se uma substância é, de fato, efetiva. No entanto, para a doutoranda, integrante do Spinal Cord Injury Rehabilitation Research Group, os autores continuam dando destaque desproporcional à evolução neurológica dos pacientes, por exemplo. “

Isso cria uma impressão de eficácia que o próprio delineamento do estudo não permite confirmar”, diz. + Incerteza sobre melhora espontânea persiste

Outro ponto que sempre esteve no centro das críticas ao estudo é a falta de dados sobre o chamado “choque medular”— uma espécie de apagão temporário do sistema nervoso logo após o trauma. Quando isso ocorre, o paciente perde os movimentos imediatamente. Essa reação, porém, pode ser transitória e, à medida que o choque passa, a vítima pode recuperar parte das funções sozinha em poucos dias.

Sem descartar esse quadro antes da aplicação da polilaminina, não há como saber se os ganhos dos pacientes vieram da substância ou da recuperação natural do próprio corpo. Além disso, aplicar o produto durante durante esse período poderia piorar o quadro dos participantes. O pré-print não mencionava o uso de técnicas que garantissem que os voluntários não estavam em choque.

Respondendo a essa lacuna, o novo texto passou a informar que foram realizados dois testes de reflexos (bulbocavernoso e o sinal de Babinski) que indicaram que nenhum dos pacientes passava pelo quadro no momento da inserção da molécula. Apesar da adição, Romanini aponta novas ressalvas no próprio artigo aprovado. Segundo ela, o texto informa que parte dos pacientes passaram por cirurgia de descompressão, procedimento para aliviar a pressão na medula e que é usado, justamente, para reduzir a compressão que pode provocar ou piorar os impactos conhecidos como choque medular. Mais de saude

Com isso, permanece a dúvida sobre se a melhora veio da droga, do procedimento cirúrgico ou da evolução clínica individual. Conflitos quanto a pacientes falecidos O estudo incluiu oito pacientes com lesão medular completa tratados com polilaminina.

Três morreram ao longo da pesquisa: dois nos primeiros dias após o procedimento, por complicações do trauma, e um terceiro durante o período de acompanhamento. Como esse último já havia passado pelas primeiras avaliações e apresentado melhora neurológica antes de morrer, ele continuou sendo incluído na análise dos resultados.

Na versão preliminar do estudo, essa terceira morte aparecia descrita no corpo do texto, mas não era considerada nas conclusões e nem no resumo, que mencionavam apenas dois óbitos. No pré-print, os pesquisadores também afirmavam que, ao desconsiderar os dois pacientes que morreram logo após a internação, seria possível dizer que 100% dos participantes haviam recuperado o controle motor. Essa interpretação foi retirada da versão publicada. Leia também: Tirzec ganha destaque após novo desdobramento em tirzec: o que é

“Considerando que os dois participantes que não apresentaram recuperação da função motora foram justamente aqueles que morreram durante a hospitalização, podemos interpretar que 100% dos pacientes que sobreviveram por, ao menos, um mês de acompanhamento recuperaram o controle motor“, dizia o manuscrito. Agora, os autores mantiveram a conclusão de que seis dos oito participantes (75%) apresentaram recuperação motora, embora apenas cinco tenham sobrevivido até o fim do acompanhamento. “Diferentemente do pré-print, em que os pacientes que faleceram foram excluídos, na versão publicada, foram contabilizados no total, considerando seus falecimentos”, diz Emery.

Outro erro corrigido foi o seguinte: um paciente que havia morrido aparecia em um gráfico como se tivesse uma evolução clínica cerca de 400 dias após o procedimento. Segundo a equipe, tratava-se de um erro de digitação. Além disso, embora a taxa de recuperação de 75% tenha sido mantida e comparada pelos autores aos cerca de 15% descritos na literatura para casos semelhantes, ela passou a ser apresentada de forma mais cautelosa.

“ Antes, essa taxa era usada como um dos principais argumentos em favor da eficácia da polilaminina. Agora, ela aparece de forma mais contida, dentro da discussão sobre segurança e viabilidade”, diz Romanini.

Ainda assim, Emery pondera: “Foram três mortes de oito pacientes, com dados que não transmitem a segurança necessária, infelizmente”, acrescenta. Justificativa para registro retrospectivo

O estudo foi iniciado em dezembro de 2016, mas só foi cadastrado no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) anos mais tarde. Quer dizer que a inclusão dos participantes começou antes do registro público da pesquisa, o que hoje é considerado uma má prática em ensaios clínicos. Isso porque o registro antecipado aumenta a transparência e evita mudanças nos objetivos após os primeiros resultados.

Azia após usar Mounjaro e Ozempic? Saiba o que fazer
Saude

Azia após usar Mounjaro e Ozempic? Saiba o que fazer

Ler matéria →

Leia também