
- Author, Sarah Rainsford
- Role, Correspondente da BBC News para o sul e o leste da Europa
- Há 2 horas
- Tempo de leitura: 7 min
"Somos como uma provocação para o inimigo. Porque levamos a guerra ao território deles para que também a sintam", diz o soldado ucraniano, enquanto sua unidade se apressa para montar drones de longo alcance e lançá-los contra a Rússia.
A Ucrânia intensificou seus ataques de longo alcance nas últimas semanas, mirando especialmente instalações de exportação de petróleo como nunca antes.
Leia no AINotícia: EUA escoltam navios em Ormuz; Irã alega bloqueio e "avisos"
Em uma entrevista rara, o comandante de todos os sistemas não tripulados da Ucrânia disse à BBC que esses ataques vão aumentar e afirmou que as forças dos drones também estão contendo o avanço russo na linha de frente, causando um número recorde de baixas entre seus soldados.
"Entre 1.500 e 2.000 km dentro do território russo já não existe a 'retaguarda pacífica'", alerta Robert Brovdi.
"O 'pássaro' ucraniano, amante da liberdade, voa para lá quando e para onde bem entender." Leia também: Como PCC e CV representam maior risco para Lula em encontro com Trump
Na base secreta de lançamento — um campo chuvoso no leste da Ucrânia —, os drones de longo alcance são preparados, e somos instruídos a recuar para uma distância segura.
A equipe trabalha rapidamente antes que as forças russas possam detectá-los e lançar mísseis balísticos contra nós.
Ouve-se uma ordem a gritos, seguida pelo rugido ensurdecedor de um motor e um clarão branco quando o primeiro dispositivo decola em direção à Rússia, como um pequeno avião a jato.
O presidente Volodymyr Zelensky descreve esses ataques de longo alcance como "muito dolorosos" para Moscou, causando perdas "críticas" que chegam a dezenas de bilhões de dólares em seu setor energético, apesar da recente alta nos preços globais do petróleo.

Crédito, BBC/Moose Campbell Mais de mundo
O aumento desses ataques se deve, em parte, à tecnologia. Os drones de fabricação nacional estão cada vez mais baratos e voam mais longe: o modelo que vemos decolar agora pode percorrer mais de 1.000 km, e outros já alcançam o dobro dessa distância.
Mas também tem a ver com a concentração de alvos. Além dos militares e das instalações de produção, as exportações de energia da Rússia foram identificadas como um alvo prioritário.
"Putin extrai recursos naturais e os transforma em dinheiro manchado de sangue, que depois usa contra nós na forma de drones Shahed e mísseis balísticos", afirma o comandante Brovdi, justificando os ataques. Leia também: Ucrânia diz que Rússia violou cessar-fogo; países anunciaram diferentes tréguas
Os moradores de Tuapse, na costa russa do Mar Negro, se queixam de uma "chuva tóxica" após uma segunda onda de ataques em larga escala contra a refinaria local em poucos dias. Mas Brovdi se mantém impassível.
"Se as refinarias de petróleo são uma ferramenta para gerar dinheiro que é usado para a guerra, então são um alvo militar legítimo, passível de destruição."
Localização secreta
O comandante trava uma guerra nos céus a partir de uma localização secreta nas profundezas da terra.
Somos levados para conhecê-lo em uma van com vidros fumê, depois descemos umas escadas e caminhamos por corredores repletos de cápsulas para dormir, até chegar a uma caverna de alta tecnologia, coberta por telas do chão ao teto.
A trilha sonora é uma sucessão de bipes e sons metálicos, à medida que novos dados são enviados a dezenas de homens vestidos com camisetas e moletons com capuz, curvados sobre controles e teclados. Eles monitoram imagens transmitidas diretamente do campo de batalha por pilotos de drones com nomes como KitKat e Antalya.

De empresário a comandante

'Pássaros e vermes'

Objetivo: moralidade russa
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