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Piloto que denunciou políticos concorre a deputado federal

Gabriela Cecchin São Paulo A informação foi publicada inicialmente pelo portal ICL Notícias e obtida pela Folha por meio dos documentos da investigação e de entrevista

Piloto que denunciou políticos concorre a deputado federal
Gabriela Cecchin
São Paulo

A informação foi publicada inicialmente pelo portal ICL Notícias e obtida pela Folha por meio dos documentos da investigação e de entrevista com o piloto.

Mattosinho trabalhou na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba) e afirma ter transportado regularmente o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, alvo de operação por fraudes no setor de combustíveis.

Leia no AINotícia: PF apura desvio de verbas de fundos partidário e eleitoral; PCO é alvo

A investigação da PF apontou que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, enviou ao operador financeiro Fabiano Zettel a mensagem: "Resolve Ciro e galerias hoje / Manda agora la". Em resposta, Zettel encaminhou uma lista de pagamentos pendentes, na qual aparece a anotação "Espécie Ciro 350k".

De início, a polícia afirma ter acreditado que as mensagens teriam sido enviadas na mesma data da viagem; no entanto, os investigadores posteriormente constataram que a conversa se deu no dia, exatamente um ano depois.

Dois homens estão sentados em poltronas dentro de um avião particular. O homem ao fundo veste roupa preta e faz sinal de positivo com a mão direita. O homem em primeiro plano usa camiseta branca e sorri para a câmera, segurando o dispositivo para a selfie. Ao lado deles há uma janela do avião e uma pequena mesa.
Ciro Nogueira (à esq) e Daniel Vorcaro (à dir) próximos ao Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, EUA - Reprodução

"A correção ora comunicada não implica juízo conclusivo acerca da materialidade ou da destinação dos valores mencionados, tampouco invalida outras análises", afirmou a PF sobre o erro. Leia também: Governo do DF busca empresas para substituir BRB na gestão de pontos turísticos

A defesa de Daniel Vorcaro disse que não irá comentar.

Advogados de Roberto Leme afirmaram à reportagem que nega qualquer transporte de recursos, bem como qualquer vínculo com Vorcaro, e diz que o empresário "nunca sequer deu um 'bom dia' ao ex-banqueiro ou pessoas ligadas a ele.

Já a empresa TAP afirma que desconhece os fatos noticiados e que sua operação está "de acordo com a legislação pertiente, seguindo rigorosas regras de compliance".

Em declaração encaminhada à PF, Mattosinho relata que, em, fazia o trajeto São Paulo-Brasília na aeronave PR-SMG quando recebeu do gestor uma sacola de papel que deveria receber "cuidado especial" porque continha "grana".

Segundo o piloto, o peso e o formato da embalagem o fizeram concluir que havia dinheiro em espécie no interior. "Eu fiz aquele vídeo no intuito de demarcar que eu não estava maluco", disse posteriormente à PF. Mais de politica

Ao pousar em Brasília, Mattosinho afirma que permaneceu na cabine enquanto os passageiros desembarcavam. Foi nesse momento, segundo ele, que ouviu Beto Louco perguntar a um funcionário se "estava tudo certo com o Ciro" e se "o senador Ciro já estava aguardando a gente".

O piloto afirma ter entendido que a referência era a Ciro Nogueira. Beto Louco levou a sacola para fora da aeronave, segundo o piloto, e não voltou com ela para São Paulo.

SOB AMEAÇA, PILOTO VIVE SEM RESIDÊNCIA FIXA DESDE DEPOIMENTO

Mattosinho afirma que passou a receber ameaças após começar a reunir documentos e procurar a Polícia Federal. Segundo ele, uma pessoa telefonou descrevendo o endereço de uma familiar e ameaçando cometer violência sexual contra ela. Leia também: Braço-direito de mulher de Tarcísio, dirigente de órgão público vai a ato

Em outro episódio, relata que uma mulher de sua família percebeu, por três sábados seguidos, um homem fotografando a frente de sua casa. Ele também diz que pessoas que se apresentaram como policiais o procuraram em um endereço antigo, sem deixar qualquer documento ou intimação.

O piloto afirma ter contratado um especialista particular em proteção de testemunhas e adotado protocolos de segurança.

Segundo ele, o advogado chegou a apresentar a possibilidade de solicitar sua inclusão no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, previsto em lei para pessoas que correm risco em razão da colaboração com investigações e processos judiciais, mas Mattosinho considerou que os impactos em sua vida pessoal e profissional seriam excessivos.

O advogado especialista em direito penal Leonardo Tajaribe explica que a testemunha que está em situação de risco não é obrigada a entrar no programa, que pode impor limitações de contato, mudanças de rotina e, em alguns casos, alteração de endereço, afastamento do círculo social e medidas de sigilo.

"Se incluída no programa, a testemunha não pode transformar a proteção em um cardápio de preferências. O programa funciona com regras próprias de segurança, apesar de algumas medidas serem negociadas dentro do possível", afirma.

Erramos: o texto foi alterado
24.jun.2026 às 13h14

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