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Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais diferentes de TDAH: como isso pode mudar

Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais diferentes de TDAH: como isso pode mudar tratamento para o transtorno Crédito, Getty Images Article Information Author, Giulia

Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais diferentes de TDAH: como isso pode mudar
Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais diferentes de TDAH: como isso pode mudar tratamento para o transtorno
Menina se distrai olhando para o alto enquanto segura lápis, supostamente enquanto faz lição de casa

Crédito, Getty Images

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    • Author, Giulia Granchi
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

Por décadas, médicos e pesquisadores trataram o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade — o TDAH — como se fosse uma condição relativamente única, variando apenas no quanto cada pessoa era desatenta, hiperativa ou impulsiva.

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Agora, um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista científica JAMA Psychiatry, uma das publicações de psiquiatria mais respeitadas do mundo, vem colocar em xeque essa visão.

Usando imagens de ressonância magnética do cérebro de mais de mil crianças, pesquisadores de universidades na China, nos Estados Unidos e na Austrália conseguiram identificar três perfis cerebrais distintos dentro do TDAH — o que a pesquisa chama de "biotipos".

Segundo o estudo, cada um dos perfis tem suas próprias características no cérebro, com diferentes sintomas predominantes e implicações para quais tratamentos funcionam melhor para cada perfil. Leia também: Quando a Ozivy, concorrente do Ozempic feita no Brasil, deve ser lançada e

O problema com o diagnóstico atual

O manual que orienta os diagnósticos psiquiátricos em boa parte do mundo, o DSM, classifica o TDAH com base em comportamentos observáveis — dificuldade de atenção, impulsividade, agitação — e a partir daí define se o quadro é predominantemente desatento, hiperativo ou combinado.

O problema é que esse sistema foi construído com base em consenso clínico — grupos de especialistas deliberando sobre quais comportamentos são clinicamente relevantes — e não necessariamente no que ocorre no funcionamento do cérebro.

Mas o novo estudo demonstra que o que ocorre no cérebro é muito mais variado do que as categorias do DSM conseguem descrever.

"O TDAH é caracterizado por uma considerável heterogeneidade clínica, e os sistemas de classificação existentes limitam o desenvolvimento de abordagens baseadas em neurobiologia", escrevem os pesquisadores logo na abertura do artigo.

Para Guilherme Polanczyk, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental da USP e do Programa de Diagnóstico e Intervenções Precoces do IPq (Instituto de Psiquiatria), o DSM continua sendo um instrumento válido — mas insuficiente para dar conta da diversidade real dos pacientes. Mais de mundo

"Existe um grupo muito heterogêneo de pessoas com TDAH, assim como ocorre em outros diagnósticos", afirma.

"As técnicas de neurociência, sem dúvida, têm potencial para identificar esses subgrupos, e entendemos que, eventualmente, isso poderia levar a tratamentos mais direcionados e específicos."

Como o estudo foi feito

A equipe, liderada pelo médico e pesquisador Qiyong Gong, da Universidade de Sichuan, na China, coletou imagens de ressonância magnética estrutural — um exame que mostra a anatomia do cérebro em detalhes — de crianças com e sem TDAH em seis centros de pesquisa diferentes, espalhados por China e Estados Unidos.

No total, participaram 446 crianças com diagnóstico de TDAH e 708 sem o transtorno no grupo principal do estudo. Os resultados foram depois verificados em um segundo grupo independente, com mais 554 crianças com TDAH. A média de idade era de cerca de 11 anos.

A partir das imagens, os pesquisadores construíram o que chamam de "redes de similaridade morfométrica" — uma forma de mapear como diferentes regiões do cérebro se assemelham entre si em estrutura e volume.

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