Ex-BBB Marcele Albuquerque revela sofrer com alopecia emocional causada
Ler matéria →Perdi o olfato por causa da sinusite e quase incendiei minha casa Anosmia e dificuldades respiratórias marcaram a vida de Priscila, devido a uma rinossinusite crônica, mas tratamento inovador mudou a sua história Pelo fato de não sentir cheiros, eu quase fui presa, quase morri queimada e coloquei a risco a vida de todo o pessoal que morava comigo. Mas, para entender essa história, é preciso voltar alguns anos.
Eu comecei a ter problemas respiratórios muito jovem. Lembro-me de desenvolver na infância uma bronquite e, desde então, ser sempre acompanhada por quadros de gripe. A situação, no entanto, piorou muito na adolescência.
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Entre os 13 e 15 anos foi um período muito complicado. Eu sentia realmente que o meu nariz havia fechado. Passei a ter muita dificuldade para respirar, desenvolvi uma voz anasalada e perdi completamente o olfato.
Mas, naquela época, nem eu nem minha família percebíamos que não era normal viver com o nariz sempre escorrendo ou “travado“. O meu diagnóstico chegou bem tarde, por volta dos 20 anos. Era rinosisnusite (também chamada apenas de “sinusite”) crônica com pólipos nasais, uma inflamação na qual crescem pólipos (pequenos ‘caroços’) dentro do nariz, bloqueando a passagem de ar.
A essa altura, a doença já tinha se estabelecido nas minhas vias aéreas e tinha acometido todos os bolsões de ar da cabeça. Era muito desgastante fisicamente: você tem que comer e respirar de boca aberta, o seu nariz perde a funcionalidade e, querendo ou não, isso afeta o corpo todo. O convívio social era outro problema. Leia também: Ex-BBB Marcele Albuquerque revela sofrer com alopecia emocional causada
Em jantares ou reuniões de trabalho, eu precisava interromper apresentações para fazer pausas para respirar. Isso impactava muito o meu dia a dia e me causava vergonha. Foi já convivendo com esse quadro que aconteceu um episódio que marcou de vez o impacto da perda do olfato na minha vida.
O incêndio Eu morava nos Estados Unidos e sempre ficava muito preocupada com os problemas respiratórios por causa do quadro que eu tinha. Fui morar em uma casa compartilhada e dividia um quarto grande com outras duas meninas. No dia em que cheguei, elas saíram e eu aproveitei para deixar o quarto bem limpinho para me instalar.
Havia um tapete no quarto. Eu o enrolei e guardei em uma portinha, sem perceber que ali ficava o heater, o aquecedor central da casa. Pouco tempo depois, o alarme de incêndio começou a tocar.
Eu fiquei desesperada, comecei a sair do quarto e perguntar para as pessoas o que estava acontecendo. Todo mundo foi tentando descobrir de onde vinha o cheiro de queimado, mas eu não sentia nada. A fumaça também não era visível, então saímos para o lado de fora procurando a origem do problema.
Quando olhei para cima, vi a fumaça saindo da janela do meu quarto. Foi aí que descobrimos que eu tinha enrolado o tapete sobre o aquecedor e, então, começou a pegar fogo. Resumindo: a casa foi interditada. Mais de saude
Veio o caminhão de bombeiros, o CSI [perícia dos EUA] e muita gente, porque achavam que eu tinha colocado fogo na casa de propósito. Eu iria ser extraditada do país. Então, tudo se resolveu quando eu contei a eles a verdade e expliquei o que tinha acontecido.
Mas foi assim que quase fui presa, quase morri queimada e quase matei todo o pessoal que morava comigo. É esse tipo de situação que mostra como a falta de algum sentido implica diretamente no nosso dia a dia. +
A jornada por diagnóstico e tratamento Desde que os sintomas começaram a se intensificar, na minha adolescência, houve uma longa jornada. Com o tempo, ir ao pronto-socorro já não resolvia minha situação. Foi aí que meus pais optaram por procurarmos um especialista. Leia também: Morre Bonnie Tyler ganha destaque após novo desdobramento em morre bonnie
Então, eu fui redirecionada a um otorrinolaringologista e uma pneumonologista. Foi nessa época que fiz uma nasofibroscopia, exame rápido e minimamente invasivo realizado com um tubo acoplado a uma câmera, que permite visualizar o interior do nariz, da faringe e da laringe. Antes disso, eu fazia apenas exames como raio-X e tomografia dos seios da face.
Na época, a nasofibroscopia ainda não era tão acessível. Hoje sabemos o quanto esse exame facilita o diagnóstico. Também nesse período que fui orientada a fazer minha primeira cirurgia— em seguida, faria outras três.
Ao longo da vida, tambémfiz tratamentos recorrentes com antibióticos, anti-inflamatórios e corticoides, o que chegou a trazer efeitos colaterais, como pressão alta no olho. Somente décadas depois, conheci uma médica que trouxe alternativas diferentes. Então, comecei um tratamento com medicamento imunobiológico (com o Em menos de um ano, houve regressão da polipose de 100% para 10%.
+ Então, fui recuperar minha biblioteca olfativa e, sobretudo, voltar a respirar. A perda de olfato tem um fator emocional e físico: o cheiro se relaciona com a alimentação e até com o afeto.
Mas, pra mim, a falta da respiração era o que mais me preocupava e limitava muito a minha vida no dia a dia. Em dado momento, você passa a considerar que não tem qualidade de vida e, então, diversas coisas ruins passam pela sua cabeça. A vida com cheiros Tenho voltado aos poucos a me adaptar aos cheiros.
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