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O lado sombrio do 'boom' de lifting de bumbum brasileiro

O lado sombrio do 'boom' de lifting de bumbum brasileiro Crédito, Getty Images Legenda da foto, Em rápida expansão, o setor hoje oferece aplicações de cosméticos

O lado sombrio do 'boom' de lifting de bumbum brasileiro
O lado sombrio do 'boom' de lifting de bumbum brasileiro
Close na região do glúteo de uma mulher com marcações feitas a caneta por um cirurgião

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Em rápida expansão, o setor hoje oferece aplicações de cosméticos injetáveis em praticamente qualquer lugar, de salões de beleza a escritórios alugados e quartos de hotel
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    • Author, Shona Elliott
    • Role, Investigação da BBC News
  • Published 9 julho 2026, 15:31 -03
    Atualizado Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 13 min

Quando Alice Webb decidiu fazer um Brazilian butt lift (BBL, na sigla em inglês) não cirúrgico— procedimento em que grandes volumes de preenchimento dérmico são injetados no bumbum— em uma clínica temporária instalada em um salão de beleza alugado, em setembro de 2024, esperava terminar a tempo de buscar os filhos na escola naquela tarde.

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Mas Webb, de 33 anos, nunca mais voltou para casa.

Mãe de cinco filhos, ela morreu menos de 24 horas depois de se submeter ao procedimento, tornando-se a primeira pessoa no Reino Unido de que se tem notícia a morrer após um BBL não cirúrgico. Um inquérito judicial será realizado no outono para determinar a causa da morte.

A morte de Webb colocou em evidência um debate cada vez mais intenso sobre o mercado britânico de procedimentos estéticos. Em rápida expansão, o setor hoje oferece aplicações de cosméticos injetáveis em praticamente qualquer lugar, de salões de beleza a escritórios alugados e quartos de hotel. Leia também: Marrocos: a missão do país africano para se tornar uma potência no futebol

Close do rosto de Alice Webb, uma jovem de cabelos longos e escuros

Crédito, PA Media

Legenda da foto, Alice Webb fez um BBL não cirúrgico

Nos dois últimos anos, investiguei essa indústria e me infiltrei nela disfarçada para descobrir o que realmente acontece por trás das portas das clínicas. Encontrei profissionais dispostos a injetar centenas de mililitros de preenchimento no meu corpo em salas improvisadas em prédios comerciais. Também me ofereceram medicamentos de venda sob prescrição sem a devida consulta médica e me venderam injeções para emagrecimento sem identificação por meio das redes sociais.

Conversei com dezenas de mulheres que sentiram dores intensas após receber cosméticos injetáveis anunciados como indolores e de baixo risco. Muitas desenvolveram infecções e acabaram hospitalizadas.

A organização Save Face, que credencia profissionais e clínicas de estética no Reino Unido, afirma ter registrado inúmeros casos de danos graves relacionados a procedimentos estéticos. Entre eles, o de uma paciente que perdeu a capacidade de fechar os olhos após uma cirurgia nas pálpebras mal sucedida e o de outra que sofreu perfurações no intestino durante uma lipoaspiração.

"É tão horrível que parece um filme de terror. Mas esses procedimentos estão sendo realizados nas ruas principais das nossas cidades", afirma Ashton Collins, diretora da Save Face, Ashton Collins. Mais de mundo

O Reino Unido tem um dos mercados de cosméticos injetáveis menos regulamentados da Europa. Ao contrário do que ocorre em muitos países europeus, qualquer pessoa pode se qualificar para aplicar preenchedores dérmicos e oferecer esses procedimentos ao público.

Agora, os governos da Escócia e da Inglaterra afirmam que vão endurecer a regulamentação desse setor bilionário. Mas isso será suficiente? E por que, mais de uma década depois de especialistas alertarem que os preenchedores dérmicos representavam "uma crise prestes a acontecer", os pacientes continuam expostos a danos que poderiam ser evitados?

Das Kardashians aos salões de beleza

Em junho de 2024, Joanne (que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome) fez um BBL não cirúrgico em uma clínica temporária instalada em um apartamento em Essex, no Reino Unido, porque considerava o procedimento menos arriscado do que viajar para a Turquia para fazer um BBL cirúrgico. Isso foi antes da morte de Webb.

"Eu só queria um bumbum empinado", diz Joanne, mãe de dois filhos e moradora do sul do País de Gales. "Eu devia ter dado meia-volta e ido embora."

Pouco depois do procedimento, durante o qual recebeu 1 litro de preenchimento dérmico, ela desenvolveu uma sepse e precisou ser internada. Dois anos depois, afirma que ainda carrega cicatrizes nas coxas e nos glúteos deixadas pelo tratamento.

Os cosméticos injetáveis já foram associados a clientes de meia-idade e com alto poder aquisitivo que buscavam tratamentos discretos contra o envelhecimento. Mas o setor passou por uma transformação profunda na última década.

Montagem com duas fotos de Joanne. À esquerda, ela aparece em uma praia vazia no País de Gales ao entardecer, olhando seriamente para a câmera. Usa um gorro cinza de lã, casaco preto e tem os cabelos tingidos de cinza. À direita, uma selfie feita no hospital mostra Joanne com um cateter intravenoso no braço. Ela veste uma camiseta azul-marinho e está com os cabelos loiros
Legenda da foto, Joanne foi internada com sepse após fazer um BBL líquido
Ashton Collins, fundadora da Save Face, em seu escritório. Ao fundo, aparece o logo da organização na janela

Crescimento acelerado

As mãos de uma enfermeira preparam uma aplicação de Botox. Ao fundo, aparecem um frasco maior e, desfocada, uma placa de advertência para material tóxico
Legenda da foto, Pesquisadores descobriram que os procedimentos com Botox eram mais comuns nas áreas mais pobres

Regulação mais branda?

O problema da fiscalização

Louise Moller posa em casa usando um vestido branco de festa
Legenda da foto, Louise Moller, em foto feita antes do procedimento de BBL
Ricky Sawyer, durante investigação com câmera oculta da BBC em uma clínica temporária em Londres
Legenda da foto, Ricky Sawyer descreve a si mesmo como "o maior aplicador de Brazilian butt lift do Reino Unido"

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