Ex-líder cubano é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Incidentes ocorreram em 1996.
Justiça americana acusa Raúl Castro de assassinato
Os Estados Unidos acusaram criminalmente nesta quarta-feira (20) Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e ex-presidente de Cuba, de 94 anos.
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De acordo com os autos, Castro é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos.
As acusações são relativos a um episódio ocorrido em fevereiro de 1996, quando dois aviões civis foram derrubados na ilha. Na época, Raúl era ministro da Defesa, e seu irmão, Fidel Castro (1926-2016), ainda era o líder do regime.
Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba — Foto: Norlys Perez / Reuters Leia também: Os paralelos entre o indiciamento de Raúl Castro nos EUA e o caso que levou à
Outras cinco pessoas foram denunciadas pelos mesmos crimes: Lorenzo Alberto Pérez Pérez, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga e Raúl Simanca Cárdenas.
A acusação levanta temores de uma ação militar americana semelhante à que sequestrou o então líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e o levou a Nova York para ser julgado por um tribunal dos EUA.
Veja quais são as penas máximas que Raúl Castro e os outros cidadãos cubanos enfrentariam em um possível julgamento em solo americano:
- Homicídio: os condenados estão sujeitos à pena de morte ou prisão perpétua.
- Conspiração para matar cidadãos norte-americanos: a pena máxima para o crime é prisão perpétua.
- Destruição de aeronaves: os acusados podem pegar cinco anos de prisão por cada aeronave destruída, se condenados.
Abate dos aviões
As vítimas foram Armando Alejandre, de 45 anos; Carlos Costa, de 29; Mario de la Peña, de 24; e Pablo Morales, de 29.
O Brothers to the Rescue era sediado principalmente em Miami e realizava voos para localizar cubanos no Caribe que tentavam deixar a ilha em embarcações precárias.
Isso porque, nos anos 1990, após o fim da União Soviética, Cuba mergulhou em uma crise econômica e milhares de cubanos tentaram deixar o país rumo aos EUA em travessias pelo mar, segundo o The New York Times. Leia também: Raúl Castro indiciado, porta-aviões no Caribe e mais: os sinais de que Trump
Foto de arquivo: O presidente cubano Raúl Castro conversa com seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, durante uma cerimônia em Havana, em . — Foto: REUTERS/Desmond Boylan/Foto de arquivo
Mas, depois que acordos migratórios entre EUA e Cuba passaram a determinar a devolução de cubanos encontrados no mar, as ações do grupo mudaram de foco. Segundo o jornal americano, a organização passou a desafiar o governo Fidel Castro com voos sobre Cuba e até com lançamentos de panfletos sobre a ilha.
De acordo com o governo cubano, os aviões foram abatidos porque violaram o espaço aéreo do país. Já a Organização da Aviação Civil Internacional afirmou que o ataque ocorreu em águas internacionais, sobre o Estreito da Flórida.
As famílias das vítimas processaram o governo cubano na Justiça americana e, em 1997, receberam uma indenização de US$ 187,6 milhões. Parte do valor foi paga com ativos cubanos congelados pelo Tesouro dos EUA, segundo o jornal norte-americano.
Pressão sobre a ilha
- Cuba
- Estados Unidos
- Raúl Castro
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