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Isadora Albernaz
Brasília
Ex-prefeita de Contagem (MG), Marília Campos (PT) afirmou nesta quinta-feira (25) que a decisão de seu partido de lançar uma candidatura própria ao Governo de Minas Gerais é um "equívoco estratégico".
Favorita do presidente Lula (PT) para concorrer ao governo estadual em outubro, Marília reafirmou, em nota, sua pré-candidatura ao Senado e defendeu que o PT deve "liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva", citando partidos como PC do B, PV, PSB, MDB, Rede, PSOL e PDT.
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Segundo Marília, há dificuldade da esquerda em consolidar uma candidatura competitiva ao governo mineiro, e o lançamento de um nome próprio poderia "reproduzir uma disputa fortemente polarizada".
"[A decisão] tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula", disse.
A pressão para que Marília concorra ao Governo de Minas Gerais aumentou após uma reunião com Lula na quarta-feira (24), na qual o presidente indicou a petistas do estado a preferência por uma candidatura própria do partido e mencionou o nome da ex-prefeita. Leia também: PIX Pensão: Senado aprova transferência automática de alimentos; segue à sanção
Depois do encontro, a presidente do PT de Minas Gerais, a deputada estadual Leninha, confirmou a decisão do partido de ter um nome da sigla na disputa. "As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o estado", disse, em nota.
Segundo estado com mais eleitores, Minas Gerais é um dos principais gargalos da pré-candidatura de reeleição do presidente da República.
No comunicado compartilhado nesta quinta, Marília Campos disse ainda que sua candidatura ao Senado é a "única disponibilidade política" para a disputa de 2026. A ex-prefeita afirmou que sua decisão "demonstra força política" e mencionou ter o apoio do presidente nacional do PT, Edinho Silva.
"Trata-se de uma pré-candidatura estratégica porque Minas não possui atualmente senadores da base do presidente Lula e porque representa um importante avanço na presença feminina em cargos majoritários", disse.
"A equipe da pré-candidatura reafirma a convicção de que Minas Gerais precisa construir uma ampla aliança democrática para a disputa do Governo do Estado, reunindo os partidos que sustentam o governo Lula e priorizando aquilo que une as forças progressistas e democráticas", completou Marília. Mais de politica
Lula foi a Minas Gerais na última semana alimentando a esperança de convencer a ex-prefeita de Contagem a disputar o governo estadual em meio à pressão do diretório mineiro do PT.
Políticos próximos de Marília afirmam, sob reserva, que a nota divulgada pelo PT-MG é mais uma tentativa de pressioná-la a desistir da pré-candidatura ao Senado. Segundo aliados, Marília tem reiterado que pretende manter o projeto eleitoral.
Ela não participou da reunião de dirigentes mineiros com Lula nem esteve nas agendas cumpridas pelo petista no estado na semana passada. Na ocasião, o presidente anunciou investimentos na área da saúde em Belo Horizonte e Divinópolis Leia também: Filho de Bolsonaro pode perder vaga em comissão em Balneário Camboriú por faltas
O imbróglio em Minas Gerais para Lula se formou depois de o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) se negar a concorrer ao governo, como queria o petista. Ele anunciou a decisão no fim de maio, quando também disse que pretende deixar a vida pública após o término de seu mandato, em janeiro.
O palanque mineiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário para a reeleição de Lula, tampouco está definido.
Integrantes do PL afirmam que o apoio ao senador Cleitinho (Republicanos) é hoje a principal aposta do PL no estado e admitem que a candidatura do empresário Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) e recém-filiado, só deve ser lançada caso Cleitinho decida não concorrer.
Colaborou Artur Búrigo, em Belo Horizonte
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