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- Author, Daniel Gallas
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 21 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode ter repercussões econômicas para o Brasil, segundo especialistas.
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Em comunicado publicado na quinta-feira (28/5), o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que CV e PCC "são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil" e que elas serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.
O próprio Brasil já vinha discutindo desde o ano passado uma legislação própria para designar o PCC e o CV como terroristas. A mobilização ganhou impulso após a megaoperação policial em favelas no Rio de Janeiro em outubro do ano passado — que resultou em 121 mortes e é considerada uma das mais letais da história da cidade.
No mês passado, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou um texto que altera as leis de Terrorismo e de Organizações Criminosas — passando a classificar o CV, o PCC e outros 11 grupos criminosos de países da América Latina como terroristas. Leia também: A reação de Lula à decisão dos EUA de declarar CV e PCC como 'terroristas'
Para virar lei, o texto do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) ainda precisa passar na Comissão de Constituição e Justiça, e depois ser aprovado em votações na Câmara e no Senado.
Especialistas e acadêmicos com que a BBC News Brasil conversou afirmam que a aprovação de projetos que ampliem o conceito de terrorismo no Brasil para abranger as facções criminosas podem ter efeitos negativos na economia brasileira. O principal risco seria abrir o país a sanções internacionais com essa redesignação.
Mas com a decisão americana tomada nesta semana, alguns desses efeitos poderão ser sentidos mesmo sem uma legislação nacional específica e já a partir deste ano — dependendo de como Washington decidir agir contra o PCC e o CV de agora em diante.
Do pix ao Banco do Brasil
Para o ex-policial e pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (ONG apartidária que reúne especialistas na área), Roberto Uchôa, a redesignação de facções criminosas como grupos terroristas não tem efeitos práticos significativos no combate a grupos como o PCC e o CV, mas tem consequências econômicas importantes caso os EUA adotem sanções contra instituições brasileiras.

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O ex-policial e pesquisador dá como exemplo um fundo de investimento que seja apontado em investigações brasileiras como possivelmente conectado a uma organização criminosa. Leia também: O 'vendedor de venenos' que forneceu substâncias tóxicas para pessoas em todo o
"Você imagina que essa empresa que tem um fundo de investimento ligado ao PCC seria a primeira a ser sancionada [internacionalmente]. Começa-se sancionando ela, e depois pode se ir sancionando outras tantas empresas que tiveram de alguma forma ligações com esse fundo de investimento. A escala disso, nós não sabemos onde pode parar", disse Uchôa em entrevista à BBC News Brasil em novembro.
O problema maior, segundo o pesquisador, é que o crime organizado está profundamente infiltrado na economia brasileira — atuando em diversos setores.
Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou três operações (Carbono Oculto, Quasar e Tank) que demonstraram o quão profunda são essas conexões entre o crime organizado e a economia nacional.
A estimativa da PF é de que um esquema operado pelo PCC tenha movimentado pelo menos R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Uma reportagem da BBC News Brasil mostrou como investigações policiais indicaram que o PCC controla postos de gasolina para ganhar dinheiro sonegando impostos e adulterando combustível. Os mesmos postos — além de padarias e lojas de conveniência — seriam então usados para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Investigações prejudicadas
EUA e 'narcoterroristas'
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