
Crédito, Instagram Renan Santos
- Author, Marina Rossi
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Há 52 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
"Estou à direita de Flávio Bolsonaro (PL)." É como o pré-candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, define sua posição no espectro político nesta eleição.
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Com forte atuação nas redes sociais e brevíssimo tempo no horário político, o estreante de 42 anos lançou-se na disputa tendo o confronto, a provocação e o ataque como peças centrais do seu discurso.
Por enquanto, a estratégia para tentar abocanhar eleitores de direita tem sido colocar Flávio como uma figura de centro em um jogo de bola dividida nesse campo político, que ainda tem Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) na disputa até o momento.
"Não existe terceira via", disse Santos em entrevista à Jovem Pan. "Eu sou o candidato da direita, o Flávio é um candidato do centro, o Lula é candidato do centro e os outros dois, o Zema e o Caiado, são o 'centro dois' e o 'centro três', o cara que fica no banco de reservas do Flávio." Leia também: Coreia do Norte aproveita a guerra no Oriente Médio para reforçar arsenal nuclear
Para Adriano Oliveira, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Renan atrai um eleitor jovem, que rejeita tanto o bolsonarismo quanto o lulismo.
"Renan Santos é um candidato antissistema da extrema-direita, consegue atrair uma juventude que não se interessa por política, não tem memória do lulismo, enquanto o governo Lula está com baixa avaliação", diz.
Segundo Oliveira, Santos pode interferir negativamente na candidatura de Flávio, tirando votos dele. "O grande potencial dele é fazer com que a eleição não termine no primeiro turno, um cenário que é remoto, mas que devemos considerar."
É por isso que o candidato do Missão tem focado tanto no filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Eu vou acabar com a raça do Flávio Bolsonaro. Me aguarde, seu vagabundo", disse Renan em uma live.
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Fim do content Mais de mundo
Da USP ao MBL
Encenar discursos virulentos é uma das marcas de Renan Santos, que foi um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) em 2014, época em que surgiram vários outros movimentos pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT).
Naquela época, o "escritor, presidente e guitarrista", como se define, vinha de uma experiência mal-sucedida na política. Após entrar na faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em 2003, tentou, por meio da juventude do PSDB, disputar o Diretório do Centro Acadêmico (DCE).
"Ele se via como um vocacionado da política", diz à BBC News Brasil Ellen Elsie Nascimento, que pesquisou o MBL em sua tese de doutorado pela USP, Ativismo liberal-conservador no Brasil pós-2013, publicada em 2022. Leia também: Quem é Iván Mordisco, criminoso mais procurado da Colômbia, apontado como sucessor de Escobar, que está por trás de ataques no país
Mas Renan viu seu projeto político-estudantil afundar depois que alguns colegas rejeitaram a disputa. Acabou se dizendo traído e derrotado, conta a pesquisadora, e deixou a faculdade antes de concluir o curso.
Anos mais tarde, na eleição de 2014, Renan trabalhou na campanha do empresário Paulo Batista, candidato a deputado estadual pelo extinto Partido Republicano Progressista (PRP). Em vídeos nas redes sociais, Batista se vestia de super-herói e tinha um "raio privatizador" para "exterminar comunistas".
Um dos seus rivais naquela eleição era o também candidato a deputado estadual Evandro Sinotti (PMDB), autor de Não, Sr. Comuna! Guia Para Desmascarar as Falácias Esquerdistas (editora Sinotti), que tinha na sua equipe de campanha um jovem franzino de 18 anos chamado Kim Kataguiri.
Apesar do sucesso nas redes sociais, o efeito não se refletiu nas urnas e nenhum dos candidatos foi eleito. Mas Kim Kataguiri e Renan Santos se tornaram amigos e acabaram fundando, no fim daquele ano, o MBL.
O movimento surgiu "metade arte, metade política", como define Kim Kataguiri à BBC News Brasil. "Metade se interessava por política e metade era do meio artístico. Isso explica um pouco o trabalho esteticamente diferente desde o início. A minha metade, assim como a do Renan, era a da política."
A nova Missão de Renan

'Mutirão anti-Bolsa Família'

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