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- Author, Gerardo Lissardy
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 8 min
O indiciamento anunciado nesta quarta-feira (20/5) pelo governo dos Estados Unidos contra o ex-presidente de Cuba Raúl Castro marca uma fase crítica no longo histórico de tensões entre os dois países.
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O Departamento de Justiça americano anunciou que Castro e outras cinco pessoas enfrentam acusações penais, que incluem conspiração para matar cidadãos americanos e assassinato. O caso se refere à derrubada, pela força aérea cubana, de duas aeronaves civis, 30 anos atrás.
O ataque contra os aviões operados pelo grupo de exilados cubanos Irmãos ao Resgate, de Miami (EUA), causou a morte de quatro pessoas. Três delas eram cidadãos americanos, o que intensificou os desentendimentos entre Washington e Havana, travados desde a Guerra Fria (1947-1991).
Na época do incidente, Raúl Castro era ministro da Defesa do governo cubano, então presidido pelo seu irmão Fidel (1926-2016). Raúl viria a governar a ilha entre 2008 e 2018. Leia também: Por que o lançamento de um relógio gerou confrontos e fechou lojas ao redor do
Atualmente, ele tem 94 anos e se aposentou da vida pública, embora ainda seja considerado uma figura influente na ilha.
O indiciamento contra Raúl Castro foi apresentado em Miami, berço do anticastrismo nos Estados Unidos, no dia da comemoração da independência cubana. Ele traz claras consequências políticas.
Acusar formalmente à Justiça americana por assassinato um alto funcionário cubano, esteja ele no cargo ou aposentado, é uma medida que Washington nunca havia tomado até agora, ao longo das sete décadas de inimizade com a ilha.
A medida gera uma série de questionamentos sobre suas consequências formais e práticas.
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Cuba sofre uma grave crise econômica, intensificada nos últimos meses pelo bloqueio petrolífero imposto pelo presidente americano. Donald Trump declarou, neste mês de maio, que poderia tomar o controle da ilha "quase imediatamente".
Os comentários de Trump e o indiciamento de Castro trazem à memória o ocorrido em janeiro na Venezuela, quando os Estados Unidos capturaram o então presidente Nicolás Maduro em uma operação militar, depois de acusá-lo de nacrotráfico. E, a partir daí, Washington assumiu maior influência sobre o governo de Caracas. Leia também: Governo Trump indicia Raúl Castro: a derrubada de aviões pela qual EUA acusam
Cynthia Arnson é especialista ns relações entre os Estados Unidos e a América Latina da Universidade Johns Hopkins, em Washington. Ela destaca "duas interpretações básicas" da decisão de apresentar neste momento as acusações contra Raúl Castro.
"Uma é que elas fazem parte de uma campanha de 'pressão máxima' [sobre Cuba], que tem a guerra psicológica como componente importante", explica Arnson à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
"A segunda interpretação está mais próxima do precedente da Venezuela."
Mas, da mesma forma que outros analistas, ela alerta que "os paralelos entre Cuba e a Venezuela não se sustentam em muitos aspectos, com relação à possibilidade de uma operação militar".

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