A espécie de peixe que vive sem machos há 100 mil anos
Ler matéria →Os megabanquetes 'patrióticos' no centro de disputa entre direita e esquerda na França

- Author, Hugh Schofield
- Role, Correspondente em Paris
- Published Há 27 minutos
- Tempo de leitura: 6 min
Três mil e quinhentos franceses famintos devoram travessas de embutidos e, de tempos em tempos, irrompem em um coro barulhento.
Trata-se da edição mais recente de um fenômeno gastronômico que vem se espalhando pelo interior da França.
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A cidade de Colmar, na Alsácia— famosa por seu centro medieval com casas de estrutura de madeira aparente— foi palco, no último fim de semana, de um dos banquets géants (banquetes gigantes), enormes eventos gastronômicos cuja popularidade no país se tornou repentinamente uma questão política polêmica.
Organizados por uma empresa chamada Le Canon Français (O Canhão Francês), os banquetes são extremamente concorridos: por 81 euros (cerca de R$ 483), os participantes têm direito a quatro pratos da gastronomia local, vinho à vontade e várias horas de cantoria e camaradagem.
Mas a festa não agrada a todos. Para o partido de esquerda radical La France Insoumise (LFI, ou "França Insubmissa"), os banquetes têm um lado obscuro. Leia também: Praga mortal ressurge em gado nos EUA após 60 anos
A LFI afirma ter evidências de cânticos racistas e de funcionários imigrantes sendo insultados. Como a carne de porco aparece frequentemente no cardápio, o partido diz que as festas são pensadas para excluir muçulmanos e vegetarianos.
O partido também cita o envolvimento financeiro de um empresário ultraconservador chamado Pierre-Edouard Stérin como evidência de uma motivação oculta: promover a agenda da direita radical.
Stérin, bilionário que fez fortuna com a Smartbox, empresa de vales-presente de experiências, criou um centro de estudos que defende ideias de direita, como restringir a imigração, proibir o aborto e promover a herança cristã da França.

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"Se estivessem agindo de boa-fé, Le Canon Français nunca teria aceitado Stérin como investidor. Mas aceitaram, pegaram o dinheiro dele", diz Emma Fourreau, membro do Parlamento Europeu pela LFI.
"E é assim porque compartilham o mesmo ecossistema político, cujo objetivo é levar a direita radical ao poder."
No banquete de Colmar, realizado nos arredores da cidade, em um espaço enorme parecido com um galpão, essas acusações são prontamente rejeitadas. Leia também: Guia do Everest dado como morto conta como sobreviveu 6 dias sozinho
Em uma atmosfera festiva, os convidados se sentam em mesas compridas, com 50 pessoas de cada lado. Muitos homens vestem o que se tornou uma espécie de uniforme do Canon Français: boinas e suspensórios. Algumas mulheres usam um traje tradicional do nordeste da França.
Há uma breve fala da organização, que lembra os convidados da "carta de princípios" assinada na compra do ingresso e que os obriga a se comportar com respeito e decoro. Então a diversão começa: um exército de garçons traz travessas de chucrute, depois queijos e o tradicional bolo kougelhopf— feito com manteiga, passas e amêndoas. O vinho corre solto.
Periodicamente, os comensais largam os garfos e se juntam em coro. Clássicos de artistas como Michel Delpech e Joe Dassin são os favoritos.
São canções de uma geração anterior, mas os participantes– que aparentam ter principalmente entre 20 e 30 anos– as conhecem de cor.
"Viemos por quatro coisas: ambiente, amigos, álcool e comida", diz um jovem, em uma resposta que se repete várias vezes. Ninguém quer falar de política, exceto para dizer que acham que toda a controvérsia é exagerada.


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