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O voo da tragédia: os 146 deportados pelos EUA no dia dos terremotos

Crédito, Nicole Kolster Legenda da foto, José Rincón mostra na tela do celular a foto do seu neto Abelardo Rincón, que voltava dos Estados Unidos, deportado no voo 164

O voo da tragédia: os 146 deportados pelos EUA no dia dos terremotos que
José Rincón olha para a câmera e mostra, na tela do celular, foto do seu neto Abelardo Rincón, que regressava deportado dos Estados Unidos para a Venezuela no voo 164, em La Guaira, Venezuela, julho de 2026

Crédito, Nicole Kolster

Legenda da foto, José Rincón mostra na tela do celular a foto do seu neto Abelardo Rincón, que voltava dos Estados Unidos, deportado no voo 164
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    • Author, Nicole Kolster e Ángel Bermúdez
    • Role, de La Guaira (Venezuela) e Miami (EUA) para a BBC News Mundo
  • Published 2 julho 2026, 16:53 -03
    Atualizado Há 27 minutos
  • Tempo de leitura: 12 min

Orlando Torres deve sua vida a uma ligação telefônica não atendida.

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Ele é um dos passageiros do chamado voo 164, que levou de volta para a Venezuela 146 migrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos no último dia 24 de junho— poucas horas antes do duplo terremoto que sacudiu o país sul-americano.

Os dois terremotos deixaram pelo menos 2 mil mortos e dezenas de milhares de pessoas feridas e desaparecidas.

Os migrantes repatriados foram recebidos na Venezuela pelo programa governamental Missão Volta à Pátria. Do aeroporto, seguiram para o Hotel Santuário La Llanada, em La Guaira, capital do Estado venezuelano de Vargas, o mais atingido pelos terremotos. Leia também: A mulher que comanda a 'CBF da Noruega', enfrentou a Fifa e revolucionou

O edifício onde os migrantes deportados realizavam uma série de procedimentos administrativos, sanitários e de segurança desabou durante o duplo terremoto, deixando um trágico saldo de mortes e grandes incertezas.

Foi justamente um desses trâmites que permitiu a Torres salvar sua vida. Ele foi um dos últimos passageiros a sair do avião e chegar ao hotel, segundo conta em um áudio fornecido pelos seus familiares à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Poucos minutos antes do terremoto, Torres estava em um edifício anexo ao principal para cumprir com um último trâmite: falar por telefone com seu irmão, a pessoa a quem ele seria entregue pelos agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), o órgão do governo venezuelano encarregado do processo.

Mas o irmão de Torres não atendeu à ligação. Por isso, seu trâmite atrasou em alguns minutos, que foram vitais para evitar que ele estivesse no edifício principal de quatro andares, que abrigava a maior parte dos deportados e foi reduzido a escombros.

O voo 164 era um dos aviões semanais de deportação, que devolveram dezenas de milhares de venezuelanos ao seu país de origem, como parte da ofensiva migratória do governo Donald Trump nos Estados Unidos. Mais de mundo

Como outros milhões de compatriotas, muitos dos repatriados haviam emigrado para os Estados Unidos nos últimos anos, para fugir do colapso econômico da Venezuela e da perseguição do governo do país, arriscando suas vidas em um perigoso trajeto.

Familiares dos migrantes que foram deportados no voo 164 dos Estados Unidos para a Venezuela, no dia dos dois terremotos (24/6), no lado de fora dos edifícios que desabaram em La Guaira

Crédito, Nicole Kolster

Legenda da foto, Familiares dos migrantes que foram deportados no voo 164, que chegou à Venezuela no dia dos dois terremotos (24/6), no lado de fora dos edifícios que desabaram em La Guaira

Incertezas

Horas antes da tragédia, a Missão Volta à Pátria anunciou, em postagem no X (antigo Twitter), que, no voo 164, chegaram à Venezuela "120 homens, 19 mulheres, 5 meninos e 2 meninas, todos prontos para começar uma nova etapa na sua pátria amada".

Um vídeo postado no Instagram no mesmo dia mostra os migrantes deportados chegando ao Aeroporto Internacional de Maiquetía, perto de Caracas, e o chefe da Missão Volta à Pátria, Mervin Maldonado, cumprimentando e entregando brinquedos para as crianças.

As autoridades venezuelanas não ofereceram um balanço público sobre o que ocorreu com estas pessoas. A BBC News Mundo apresentou pedidos de informação a Maldonado e à Grande Missão Volta à Pátria, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Uma contagem informal inicial, baseada em testemunhos de um grupo de sobreviventes, indica que apenas 12 pessoas teriam sobrevivido. Testemunhos posteriores de vítimas e familiares sugerem que o número pode ser maior.

Mildrey, esposa de Darwin Serrano, outro migrante repatriado no voo 164, vindo dos Estados Unidos, em La Guaira, na Venezuela, em julho de 2026
Legenda da foto, Mildrey, esposa de Darwin Serrano, outro migrante repatriado no voo da tragédia
Foto de Darwin, um dos migrantes deportados do voo 164, na tela de um celular em La Guaira, Venezuela, em julho de 2026
Legenda da foto, Foto de Darwin, um dos migrantes deportados do voo 164

'Esperando para levá-lo em um caixão'

Foto de Abelardo Rincón e seu bracelete de deportação na tela do celular, mostrada por seu avô, José Rincón, em La Guaira, Venezuela, julho de 2026
Legenda da foto, Abelardo Rincón morava há seis anos em Atlanta, na Georgia (EUA), segundo seu avô, José Rincón.

A triste alegria de voltar

Caminhão do Sebin, dois agentes e uma jornalista com jaleco dizendo 'imprensa' em espanhol, em La Guaira, Venezuela, julho de 2026
Legenda da foto, O Sebin é responsável pela custódia dos restos do hotel que recebeu os migrantes deportados do voo 164

Incertidão e questionamentos

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