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Lula pode 'jogar parado' com prolongamento da crise entre Michelle e Flávio

Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Os impactos do caso Michelle para ela, para Flávio, para Lula e para a direita Published 2 julho 2026, 07:23 -03

Lula pode 'jogar parado' com prolongamento da crise entre Michelle e Flávio
Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente brasileiro (2019-2022) Jair Bolsonaro, fala durante uma coletiva de imprensa após Bolsonaro ter deixado o hospital DF Star, em Brasília, em 27 de março de 2026. Ela usa óculos escuros e blusa azul.

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Os impactos do caso Michelle para ela, para Flávio, para Lula e para a direita
Published 2 julho 2026, 07:23 -03
Atualizado Há 26 minutos
Tempo de leitura: 6 min

A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar o PL Mulher não deve ser lida como um episódio isolado, mas como o desfecho de uma crise que já vinha se arrastando dentro da família Bolsonaro e que pode prejudicar não só a candidatura de Flávio, mas o bolsonarismo como um todo, avalia o cientista político e professor da EAESP-FGV Marco Antonio Carvalho Teixeira.

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"Não é a saída do PL Mulher apenas. A saída é o desfecho da crise. Michelle Bolsonaro foi ignorada e escanteada pelos filhos [de Bolsonaro] desde o momento em que Flávio foi ungido como candidato pelo próprio Jair Bolsonaro", diz o professor.

"Acharam que a Michelle ia ficar simplesmente quieta e dada como derrotada."

A crise foi impulsionada por uma disputa local, de alianças políticas no Ceará. Leia também: EUA aplicam primeiras sanções contra rede acusada de ligação com PCC

Flávio disse que o pai apoia o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no pleito para governador. Michelle criticou a decisão durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo no Estado, um político bolsonarista com robusto discurso conservador.

Ela disse, à época, que "fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá".

"Michelle trouxe fortes falas do Ciro Gomes contra a família e contra Bolsonaro, sobretudo. Essa crise acabou não sendo resolvida politicamente", diz o cientista político.

No dia seguinte aos comentários da ex-primeira-dama, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e ela foi chamada de autoritária pelo hoje candidato ao Palácio do Planalto.

Ele lembra também que Michelle queria uma candidatura diferente ao Senado no Estado— a da vereadora de Fortaleza e vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa, que disputaria uma das duas vagas ao lado de Alcides Fernandes (PL), pai de André Fernandes (PL), deputado federal mais votado no Ceará em 2022. Mais de mundo

Os ataques a Michelle vindos dos EUA

Para o professor, o gatilho para Michelle elevar o tom foi uma ofensiva digital coordenada contra ela, partindo do que ele chamou de "núcleo dos Estados Unidos" do partido, em referência a vozes influentes no bolsonarismo que vivem no país. Leia também: Michelle: de primeira-dama vista como trunfo à briga com filhos de Bolsonaro

"Veio a artilharia pesada do Oswaldo Eustáquio, do Allan dos Santos e, sobretudo, do Paulo Figueiredo", afirma Teixeira.

O empresário e jornalista Paulo Figueiredo publicou vídeo em que afirmou que "mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não."

O pior desfecho, avalia, seria a saída da mulher de Bolsonaro do partido.

"Se ela sair do PL, isso seria um estrago sem precedentes para a campanha do Flávio. Por duas razões: primeiro, porque ela é praticamente dada como eleita senadora pelo Distrito Federal. Segundo: ela é uma liderança importante, além de ser madrasta dele. Para uma candidatura que fala de família, Deus, pátria, aquela coisa toda, seria um tiro de artilharia muito pesado."

Quem sai mais prejudicado?

"Se ela estiver fazendo cálculo político com isso, é um risco muito grande. O estrago que isso está fazendo em termos de imagem, para ela e para o Flávio Bolsonaro, é gigantesco", diz o professor.

O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV-EAESP, em retrato com camisa social listrada
Legenda da foto, O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da FGV-EAESP

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