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O risco de uma eleição decidida na delegacia, no medo e na raiva

Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva

O risco de uma eleição decidida na delegacia, no medo e na raiva

Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva. No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores "nem-nem" (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?

Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do "recado das urnas". Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

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A ascensão de Jair Bolsonaro em 2018 tinha um tanto de surpresa, até mesmo para boa parte do establishment, embora o alerta de tsunami tocasse desde fins de 2017, quando o candidato começava a ser normalizado pela elite ou viralizava. A surpresa foi grande em especial nas reviravoltas no fim da campanha e no resultado parlamentar impressionante de direitas e "outsiders". Viu-se derrota ainda mais dura da esquerda e o massacre do centro tucano ou atucanado. Desde então, a desconexão entre o grosso das elites tecnocráticas e programáticas e partidos apenas aumenta. Leia também: Inscrições para concurso da Dataprev se encerram nesta quinta (6) às 16h

Haveria pistas de surpresa ou de elementos que possam moldar a eleição além da "polarização" e da delegacia?

Lula disputa a Presidência faz 37 anos, é vitorioso faz 24 anos e encruou nos últimos 4. O bolsonarismo, desde sempre reacionário, está na liça faz 9. Nenhuma corrente apresenta nomes novos, marcas de governo vendáveis e plano diferente, que mexa com ânimos sociais ou represente forças sociais inovadoras.

Algumas candidaturas murcham ou crescem na campanha, que começa daqui a 10 dias; na TV e no rádio, no final do mês. Flávio é mais conhecido por ser Bolsonaro, não por ser Flávio. Vai crescer ou encolher quando seu jeito e sua ficha corrida forem mais expostos, em especial para o eleitor oscilante? Mais de economia

Lula e lulismo envelheceram. Os tantos programas eleitorais ou eleitoreiros de crédito e gasto que Lula 3 lançou podem ter mais repercussão se propagandeados na campanha? Aquilo que se chama de "economia", em particular emprego e benefícios sociais, não tem causado comoção ou mudado opiniões; não deve mudar de modo relevante até a eleição. Faz anos, de resto, a opinião sobre "economia" depende mais de preferência política, não o contrário.

Planos técnicos são incompreensíveis para o eleitorado. Mudanças econômicas, se é que há plano disso, serão escamoteadas pelas candidaturas. Haverá algum estelionato eleitoral ou inércia que causará crise. Não há mensagem nova de outra natureza. Difícil esperar conformação nova no Congresso. Leia também: Lula sanciona piso do frete e veta anistia a caminhoneiros que bloquearam

Não há expectativa de mudança como em 1994 (FHC), 2002 (Lula) ou 2018 (Bolsonaro), mesmo que não se gostasse da mudança. Partidos não estão nem aí para mudança nem tem competência para tanto. Poderia ser "normal" em país mais "normal", mais arrumado, menos pobre, desigual, violento etc. Não o somos.

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