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O que investimento de Joesley Batista em fabricante brasileira de armamentos em

O que investimento de Joesley Batista em fabricante brasileira de armamentos em dificuldade indica sobre boom do setor bélico Crédito, Getty Images Legenda da foto, O

O que investimento de Joesley Batista em fabricante brasileira de armamentos em
O que investimento de Joesley Batista em fabricante brasileira de armamentos em dificuldade indica sobre boom do setor bélico
Joesley Batista

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O empresário Joesley Batista
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    • Author, Matheus Gouvea de Andrade
    • Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
  • Published Há 49 minutos
  • Tempo de leitura: 7 min

Com conflitos avançando pelo mundo, os gastos militares seguem em tendência de alta.

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E o Brasil também vive uma espécie de "boom" do seu setor bélico — os gastos militares no país aumentaram 13% no ano passado, muito acima da média global de quase 3% no mesmo período. Além de gastar mais, o Brasil tem exportado mais, com ampla demanda global por equipamentos brasileiros, que vão de munição convencional a aviões.

Com esse mercado aquecido, grandes negócios no setor militar brasileiro chamaram a atenção de investidores e analistas nos últimos meses.

Um deles foi o aporte milionário de diversos investidores na Avibrás, empresa brasileira líder na produção de sistemas de defesa e do setor aeroespacial, especializada em foguetes e mísseis. Leia também: Vazamento 'bombástico' ameaça candidatura de Flávio Bolsonaro, diz a revista

Fundada em 1961, a Avibrás estava desde 2022 em recuperação judicial. No mês passado, após uma crise financeira que incluiu uma greve de 1.281 dias, a Avibrás retomou suas atividades em sua fábrica de São José dos Campos (SP) — agora rebatizada de Avibrás Aeroco.

Nos últimos anos, movimentos pela aquisição da Avibrás por grupos da China e dos Emirados Árabes chegaram a ser reportados. Mas a produção de mísseis e foguetes está sendo retomada graças a um aporte de R$ 300 milhões de diversos investidores, entre eles o bilionário Joesley Batista, do grupo JBS.

Outros grandes investimentos no setor armamentista brasileiro também chamam atenção.

Na última semana, a Embraer anunciou que fechou o maior pedido internacional já feito por um único país, os Emirados Árabes, para o cargueiro C-390 Millennium, o maior avião desenvolvido pela companhia.

Gastos militares recordes

Segundo o último relatório sobre o tema elaborado pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares mundiais aumentaram 2,9% em termos reais para US$ 2,887 trilhões em 2025. Foi o 11º ano consecutivo de crescimento e o maior nível de gastos já registrado pelo SIPRI. O total representou 2,5% do PIB global em 2025.

O Brasil foi o país que mais investiu na América do Sul, aumentando seus gastos militares em 13% em 2025, chegando a US$ 23,9 bilhões. Esse aumento se deveu principalmente ao maior investimento em desenvolvimento tecnológico naval e aos custos mais elevados com pessoal militar, segundo o SIPRI. Leia também: Gravação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro impulsiona Caiado e Zema, mas não

Um dos destaques neste rearmamento global são os países europeus integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Com conflitos e ameaças à região, nações menos militarizadas nas últimas décadas como a Alemanha vêm ampliando gastos com o setor.

Como resultado, entre os cinco maiores compradores de equipamentos militares do Brasil no último ano, três são da região: Alemanha, Bulgária e Portugal. Os outros foram Emirados Árabes e Estados Unidos.

Em 2025, a indústria de defesa brasileira atingiu novo recorde histórico de exportações. Foram US$ 3,1 bilhões em autorizações para exportações de produtos e serviços, crescimento de 74% em relação a 2024 (US$ 1,78 bilhão), segundo o ministério da Defesa. O valor é mais que o dobro do registrado em 2023 (US$ 1,45 bilhão). Houve um aumento acumulado de cerca de 114%, entre 2023 e 2025.

A Base Industrial de Defesa (BID) — que é o conjunto de empresas estatais e privadas articuladas pelo Ministério da Defesa que desenvolve, produz e mantém produtos estratégicos militares — comercializa atualmente para 140 países em todos os continentes, com 80 empresas exportadoras. O setor representa cerca de 3,5% do PIB e gera quase 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

"Há certo grau de segurança em dizer que os gastos militares globais seguirão crescendo. Houve uma mudança na percepção das pessoas. Observamos mais de 100 países aumentando seus gastos em 2025, o que mostra que é algo mais generalizado", aponta à BBC News Brasil Diego Lopes, pesquisador sênior do programa de despesas militares e produção de armamentos do SIPRI.

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