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'O planeta em que nascemos não existe mais': o climatologista que alerta

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Mais de 200 mil pessoas foram evacuadas somente na França devido aos incêndios de julho Article Information Author, Alejandra

'O planeta em que nascemos não existe mais': o climatologista que alerta para
Um bombeiro visto de costas diante das chamas perto de Mirabel-et-Blacons, no sudeste da França.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Mais de 200 mil pessoas foram evacuadas somente na França devido aos incêndios de julho
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    • Author, Alejandra Martins
    • Role, Da BBC News Mundo
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 14 min

"Não vamos recuperar, pelo menos em nenhum futuro previsível, o clima e a atmosfera que já perdemos", diz o climatologista equatoriano Raúl Cordero.

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"Mas isso não significa que devemos nos acomodar. Porque ainda podemos perder mais", ele acrescenta, em entrevista à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

Cordero, que trabalhou durante anos no Chile e realiza várias pesquisas na Antártida, é atualmente professor da Universidade de Groningen, na Holanda.

De incêndios a ondas de calor e inundações, "há uma epidemia de eventos extremos ao redor do mundo que estão se tornando cada vez mais intensos e frequentes", em suas palavras. Leia também: O que faz Cuba depender do exterior para alimentar sua população

Os 11 anos entre 2015 e 2025 foram os mais quentes já registrados, segundo um relatório de março da Organização Meteorológica Mundial.

Cordero explicou por que o hemisfério norte está se aquecendo quase duas vezes mais rápido que o hemisfério sul, o que esperar do efeito combinado das mudanças climáticas e do El Niño e como, apesar de tudo, ele ainda encontra motivos para ter esperança.

Leia abaixo trechos da entrevista.

BBC— Ao apresentar seu relatório deste ano sobre o estado do clima no Reino Unido, o serviço meteorológico britânico afirmou que "o clima do século 20 já não existe". O senhor concorda com isso?

Raúl Cordero— Sim, concordo plenamente. O clima depende, em última instância, da atmosfera, e a atmosfera na qual nascemos já não existe. O planeta em que nascemos já não existe. Mais de mundo

Nós alteramos a composição atmosférica do planeta com as emissões de gases de efeito estufa. E não a alteramos apenas um pouco: a concentração de CO2, o principal gás de efeito estufa, é hoje 50% maior do que era há pouco mais de um século.

Se alguém modifica em tamanha proporção a composição atmosférica do planeta, o clima vai mudar. E ele nunca voltará a ser o que era até que esse excedente de 50% de CO2 diminua.

Portanto, não é apenas o clima que temos hoje de diferente. A atmosfera é diferente. E há algo ainda pior: não vamos recuperá-los, pelo menos em nenhum futuro previsível. Leia também: 'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga

O professor Raúl Cordero, um homem branco, vestindo uma camisa preta, sob uma cortuna branca.

Crédito, Acervo pessoal

Legenda da foto, Raúl Cordero é professor da Universidade de Groningen, na Holanda

BBC— Quando o senhor diz "nenhum futuro previsível", a que se refere?

Cordero— O futuro previsível costuma estar associado aos horizontes da vida humana. É muito difícil que consigamos reduzir a concentração de gases de efeito estufa em menos de cem anos.

Colunas de fumaça saindo de uma usina termelétrica a carvão em Kentucky, nos Estados Unidos.
Legenda da foto, "O CO2 que estamos emitindo não apenas vai mudar o clima hoje, mas continuará a mudá-lo pelos próximos 100 anos", diz Cordero
Concepción García em pé no meio de um cômodo destruído pelo fogo, onde se veem o teto e as paredes escurecidos e carbonizados.
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Legenda da foto, "As ondas de calor são a manifestação mais letal do aquecimento global", diz Cordero
Pedaços de gelo flutuando no oceano em Svalbard, no Ártico.
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Legenda da foto, Onda de calor na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia
O professor Raúl Cordero, um homem branco, veste uma camisa preta de mangas curtas e está em frente a uma estante de livros.
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