
Crédito, AFP
- Author, Leandro Prazeres
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published 3 junho 2026, 16:10 -03Atualizado Há 13 minutos
- Tempo de leitura: 9 min
O anúncio de que o governo dos Estados Unidos pode retomar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, ocorrido nos últimos dois dias, detonou uma disputa política entre os dois principais pré-candidatos à Presidência da República, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Lula acusa Flávio de ter pedido a imposição de tarifas ao Brasil durante visita a Donald Trump, nos Estados Unidos, na semana passada. Do outro lado, Flávio Bolsonaro acusa o governo brasileiro de não ter conseguido negociar com os Estados Unidos de forma satisfatória.
Mas embora a medida, caso implementada, possa afetar pelo menos 20% de todos os produtos exportados aos Estados Unidos, parte dos embates políticos tem se dado em torno de um ponto: o Pix.
Lula vem usando o argumento de que os Estados Unidos seriam contra o Pix, mecanismo criado pelo Banco Central que permite transações financeiras instantâneas e gratuitas. Flávio, por outro lado, usa como argumento o fato de que o Pix foi lançado em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro. Leia também: Trump diz que Irã concordou em não ter armas nucleares
O documento divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na segunda-feira como resultado de uma investigação comercial fez diversas menções ao Pix, classifica o mecanismo como um "campeão nacional" e diz que ele representaria uma ameaça à atuação de empresas norte-americanas que atuam no segmento de meios de pagamento.
Em meio a debate político, o diplomata brasileiro, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) e consultor Roberto Azevêdo, minimiza as supostas ameaças sofridas pelo Pix.
"O Pix em si não sofre nenhuma ameaça", diz Azevêdo em entrevista à BBC News Brasil. Segundo ele, o único questionamento significativo dos norte-americanos sobre o Pix está no fato de ele ser operado pelo Banco Central, que é, ao mesmo tempo, o órgão regulador das empresas de meios de pagamento que concorrem com o Pix.
"No Brasil, está se fazendo muito alarde em torno do Pix, mas não acho que o Pix vai sofrer nenhuma alteração. Eles (os EUA) não vão pedir nada disso. O que eles gostariam é que o Pix fosse administrado de forma diferente e o pedido pode ser ou não atendido pelo Brasil", completa Azevêdo.
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Com mais de 30 anos de diplomacia, Azevêdo é apontado por colegas brasileiros e estrangeiros como um especialista em negociações internacionais. No Ministério das Relações Exteriores (MRE), ele comandou o Departamento Econômico da pasta, entre 2005 e 2006.
Depois, foi indicado como embaixador do Brasil na OMC. Em 2013, assumiu a presidência do órgão, por indicação do governo brasileiro. Em 2017, foi reeleito para o cargo, mas renunciou em 2020 para assumir a vice-presidência da PepsiCo. Leia também: Pecuária brasileira na 'lista suja': o que EUA dizem sobre trabalho forçado no
Em 2023, ele deixou o cargo e hoje atua como consultor e membro de conselhos em órgãos como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Na entrevista, Azevêdo diz que o Brasil deve continuar tentando negociar para reduzir os impactos das tarifas que o governo dos EUA pode querer impor sobre o Brasil. Em tom cauteloso, Azevêdo diz acreditar que os governos de Brasil e dos Estados Unidos não teriam se empenhado efetivamente nas negociações sobre o assunto, mas evitou explicar o que teria levado o governo brasileiro a fazê-lo.
Ele diz, no entanto, que é preciso que o clima de embate eleitoral não afete o processo negocial.
"O importante é ter a cabeça fria, negociar e procurar reduzir o impacto econômico, comercial e social no Brasil da melhor maneira possível e não criar animosidade e um clima de polêmica ou de guerra com fins estritamente eleitorais", diz.
Confira os principais trechos da entrevista:


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