
Crédito, Victor Parolin/BBC News Brasil
- Author, Marina Rossi
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 21 min
Nos últimos meses, Simone Tebet deu um cavalo de pau em sua vida. Ela deixou o Ministério do Planejamento e Orçamento, que comandava desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mudou-se de Brasília para São Paulo e trocou o MDB, partido ao qual foi filiada por três décadas, pelo PSB.
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Os movimentos foram todos "acertados" previamente, como ela afirma nesta entrevista à BBC News Brasil, para disputar uma vaga no Senado por São Paulo como representante da centro-esquerda — termo que ela evita, preferindo "frente ampla" ou "campo democrático".
É uma arena nova para Tebet, que deixou o Direito e a academia para fazer carreira política no Mato Grosso do Sul, onde foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.
Mas também é a continuidade de outra guinada em sua trajetória a partir da eleição de 2022, quando ficou em terceiro lugar no primeiro turno com uma candidatura à direita de Lula e o apoio que deu ao petista no segundo turno, considerado importante para a vitória bastante apertada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Leia também: Panorama Internacional: Tensões Diplomáticas e Fenômenos Climáticos
Com discurso moderado, liberal e em defesa do agronegócio, Tebet vai compor agora a chapa pela reeleição de Lula para a Presidência e da candidatura de Fernando Haddad (PT) para o governo paulista.
Segundo levantamento da Quaest no fim de abril, Tebet liderava as intenções de voto para o Senado em todos os cenários testados. Talvez por isso, ela diz não estar tão preocupada com quem será o segundo candidato desta "frente ampla": Márcio França (PSB), seu novo companheiro de sigla, ou Marina Silva (Rede), ambos também ex-ministros de Lula.
Também afirma que não a preocupa quem serão os adversários de Lula na disputa pela Presidência. Para ela, a eleição será definida pela capacidade que o governo do qual ela fez parte terá de comunicar suas realizações. "A gente fez muito e comunicou mal", disse.
Para ela, não fará diferença se Lula disputará um eventual segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), cujo nome chegou a ser ventilado após as revelações sobre a ligação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de comandar uma fraude financeira bilionária.
"A família Bolsonaro é uma coisa só. Pensam igual e pensaram o país da mesma forma", diz Tebet. Mais de mundo
"O Deus deles, 'Deus, pátria e família', não é o mesmo Deus nosso. A pátria não é a pátria brasileira, é a pátria estrangeira", afirma, evocando o lema de Jair Bolsonaro.
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Dois dias após a entrevista, concedida em 26 de maio, o presidente americano Donald Trump anunciou a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Na mesma esteira, na terça-feira (02/06), o governo Trump ameaçou taxar, novamente, produtos brasileiros, desta vez em 25%, devido a práticas "não razoáveis" que "oneram ou restringem o comércio dos EUA".
Depois disso, o presidente americano publicou duas fotos com Flávio no Salão Oval. Uma delas foi a mesma que Flávio havia publicado na semana passada após ida aos EUA. Na outra, também aparece seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
"Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu Trump na sua rede Truth Social.





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