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O passado de Alok em Londres: 'Eu limpava o chão do bar enquanto o DJ tocava'

O passado de Alok em Londres: 'Eu limpava o chão do bar enquanto o DJ tocava' Crédito, Clément Protin/Divulgação Legenda da foto, DJ Alok nos bastidores da O2 Academy

O passado de Alok em Londres: 'Eu limpava o chão do bar enquanto o DJ tocava'
O passado de Alok em Londres: 'Eu limpava o chão do bar enquanto o DJ tocava'
Alok, um homem de barba e cabelo escuro, posa em um corredor de paredes brancas e azul-acinzentadas, olhando diretamente para a câmera com expressão séria. Ele veste um casaco oversized preto sobre uma camisa esportiva preta com o número "03" em vermelho, além de óculos de sol estreitos e um colar prateado, compondo um visual de inspiração urbana e contemporânea.

Crédito, Clément Protin/Divulgação

Legenda da foto, DJ Alok nos bastidores da O2 Academy, em Brixton, em Londres
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    • Author, Pedro Martins
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published Há 8 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

Foi com uma sensação agridoce que Alok retornou a Londres, em junho, para abrir sua próxima turnê, Rave the World. Das mesmas calçadas onde agora seus fãs aguardavam a abertura das portas da O2 Academy, casa de shows no lendário bairro de Brixton, o DJ recolhia bitucas de cigarro em 2010, quando se mudou para a capital britânica com o sonho de viver de música.

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Ele e o irmão, Bhaskar, tinham começado a tocar juntos e viram algumas faixas terem bom desempenho bem em plataformas de streaming voltadas à música eletrônica. Decidiram mudar-se para Londres, atraídos por um mercado mais aberto ao gênero. Mas os planos não saíram como o esperado, e tudo o que Alok conseguiu para se manter foi um emprego de barback, uma espécie de assistente de barman.

"Vir para cá me dá até alguns gatilhos, sabe? Naquele momento, eu limpava o chão enquanto o DJ tocava, recolhia as bitucas de cigarro da rua enquanto as pessoas ficavam na fila. Muitos brasileiros vêm para cá com um sonho, acabam ralando muito, mas eu não dei conta e voltei para o Brasil", ele relembrou, em entrevista à BBC News Brasil, antes de subir ao palco.

Esse tipo de trabalho, porém, não lhe era estranho. Foi o mesmo caminho que seus pais, Ekanta e Swarup— que mais tarde se tornariam nomes seminais do psytrance, subgênero psicodélico da música eletrônica, no Brasil— trilharam. A mãe se mudou para Orlando, levando os filhos, para trabalhar como faxineira em uma boate. Foi ali que conheceu o psytrance e decidiu começar a tocar. Leia também: Mundo: Tarifas EUA-Brasil, Celebração na Inglaterra e Nomeação Diplomática

"Meu pai foi visitar a gente e acabou curtindo também. Eles começaram a pegar discos de vinil, equipamento de som, levar para o Brasil e tocar para 30 pessoas. Era quase contracultura, porque a música eletrônica não tem matriz brasileira, como samba, pagode, sertanejo e MPB. Como vi esse processo deles, para mim foi natural seguir o meu também", diz.

Nascido em Goiânia, Alok conta que, até por volta dos 13 anos, era quase nômade. Além da cidade americana conhecida por seus parques temáticos, ele se lembra com detalhes, por exemplo, de quando viveu em Amsterdã, em uma comunidade hippie.

"Meus pais me tiraram da sociedade. Na Holanda, morei em um prédio abandonado que tinha sido um hospital. Depois fui para Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros. Quando fui inserido na sociedade, em Brasília, tive um choque de realidade e comecei a questionar meus próprios valores, como se aquilo estivesse completamente fora do sistema", lembra o DJ, aos 34 anos.

Talvez a família de Alok estivesse mesmo fora do sistema. Mas hoje ele diz que foi justamente isso que o salvou. Quase dois anos depois de acumular tentativas frustradas de se tornar DJ em Londres, decidiu voltar ao Brasil e pensou em retomar o curso de Relações Internacionais. Mas, então, seus próprios pais reprovaram a ideia.

"Meu pai disse para eu abandonar a faculdade e não desistir de ser DJ. Para mim, era muito complexo continuar vivendo de arte. Eu via meu pai e minha mãe passando muita dificuldade financeira, e não queria aquilo. Mas aí tentei dar mais uma chance, larguei o psytrance, que vinha deles, e foi a melhor coisa que fiz", diz. Mais de mundo

Alok sozinho no centro de um palco, atrás de uma ampla mesa de som, iluminado por feixes de luz vermelha que se projetam em direção ao público. Ao fundo, uma grande estrutura metálica envolta por fumaça e iluminação branca cria uma atmosfera futurista e industrial.

Crédito, Clément Protin/Divulgação

Legenda da foto, DJ Alok apresenta sua turnê Rave the World na O2 Academy, em Brixton, em Londres

Foi nessa época que o DJ começou a se especializar na chamada house music, uma vertente da música eletrônica mais melódica e dançante, com vocais, algo bem diferente do psytrance de seus pais, marcado por batidas mais rápidas e intensas voltadas à atmosfera hipnótica das raves.

A ideia deu certo. Com trabalhos ainda underground, que iam de remixes de Snoop Dogg a Barão Vermelho, ele começou a alcançar audiências na casa dos milhões. Em 2016, lançou a música que levou sua carreira ao patamar que ocupa hoje: Hear Me Now, gravada em parceria com o cantor Zeeba, dono dos vocais da faixa, e o DJ Bruno Martini. Leia também: Por que Andy Burnham, prestes a se tornar novo premiê do Reino Unido, é

Com quase 1 bilhão de reproduções apenas no Spotify, Hear Me Now se tornou não só um marco na carreira do DJ, mas também da indústria musical brasileira. Dez anos depois do lançamento, continua sendo a faixa brasileira mais tocada no Spotify, a plataforma de streaming musical mais popular do mundo.

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Como as raves representam um movimento de contracultura que influencia o mundo até hoje17 agosto 2019

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Depressão e cura com indígenas

O sucesso de Hear Me Now não foi suficiente para garantir estabilidade por muito tempo. O problema, afinal, já não era financeiro, mas emocional. Em depressão, Alok decidiu, após assistir a um vídeo de povos indígenas cantando, visitar a aldeia dos Yawanawá, no Acre, a 2,7 mil km de São Paulo, onde vive o DJ.

Alok de olhos fechados em meio à natureza, usando um cocar de grandes penas em tons de branco, preto, laranja e amarelo, que ocupa quase toda a composição. Vestido com um casaco acolchoado bege, ele aparece em uma postura contemplativa.
Legenda da foto, Alok recebeu cocar na aldeia Yawanawá, no Acre

Do palco ao palanque

Alok se apresenta ao fundo do palco, cercado por dezenas de performers vestidos de preto, com braços prateados e máscaras espelhadas que ocultam seus rostos. Os dançarinos executam uma coreografia sincronizada com os braços erguidos em diferentes direções.
Legenda da foto, Alok fez, no Coachella de 2025, apresentação com 50 dançarinos para refletir sobre a humanidade da arte e o uso de inteligência artificial

Nova turnê e inteligência artificial

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