Cientistas descobrem microplásticos no corpo de girinos da Amazônia
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Crédito, Bruno Ferreira
- Author, André Biernath
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 3 min
Esse é o primeiro estudo a documentar a contaminação por microplásticos— partículas de plástico com menos de 5 milímetros, produzidas nesse tamanho ou resultado da degradação de objetos maiores— nos filhotes de anuros (grupo que reúne sapos, rãs e pererecas) na Amazônia.
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Vistos no microscópio, esses produtos lembram fiapos retorcidos ou pequenos canudos de cores chamativas (veja imagens mais abaixo).
Mas, na prática, eles revelam como a poluição por microplásticos está espalhada pelo mundo todo— e pode ter efeitos no meio ambiente e até na saúde humana.
"Nós sabemos que a contaminação por microplásticos é onipresente. Mas, às vezes, imaginamos que essa contaminação não chega em locais mais remotos, e é justamente o contrário", comenta a bióloga Fabrielle Barbosa de Araújo, autora principal do estudo. Leia também: Mundo: Tarifas EUA-Brasil, Celebração na Inglaterra e Nomeação Diplomática
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Como o estudo foi feito
Os cientistas coletaram cem girinos da espécie de sapo Scinax x-signatus em cinco pontos de lagoas rasas que se formam após as chuvas.
A pesquisa aconteceu no Parque Ecológico do Gunma, em Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém.
Os animais foram levados para o laboratório e analisados no microscópio.
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Foi nessa etapa que os especialistas detectaram os microplásticos no organismo de todos os 100 girinos.
A bióloga conta que esses seres passam por 46 fases de desenvolvimento, que vão desde o período em que eles se encontram dentro de ovos até a metamorfose para o corpo adulto.
Em pesquisas anteriores, os cientistas da Universidade Federal do Pará já tinham encontrado microplásticos na pele, nos pulmões e no sistema digestivo de sapos adultos. Leia também: A reação do governo Lula ao novo tarifaço de Trump: 'Seguiremos sem viralatice'
Os cientistas também observaram uma associação entre maior concentração de microplásticos e menor peso corporal dos girinos.
"Alguns dados disponíveis na literatura científica indicam que os microplásticos podem causar desde alterações no próprio DNA até problemas no desenvolvimento e deformações no intestino e na boca desses animais", detalha a bióloga.
"Eles são organismos muitos sensíveis, que sofrem muito quando há qualquer alteração no ambiente."

Crédito, Fabrielle Barbosa
Como microplásticos foram parar no meio da Amazônia?
Araújo explica que os microplásticos se espalham pelo ambiente de diferentes formas.

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