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O livro de Agatha Christie que foi eleito o melhor romance policial de todos os

O livro de Agatha Christie que foi eleito o melhor romance policial de todos os tempos Crédito, Divulgação Legenda da foto, Em 55 anos de carreira, a escritora inglesa

O livro de Agatha Christie que foi eleito o melhor romance policial de todos os
O livro de Agatha Christie que foi eleito o melhor romance policial de todos os tempos
Retrato em preto e branco de Agatha Christie, uma mulher de cabelos curtos e ondulados, usando vestido escuro, colar de pérolas, brincos e pulseira. Ela apoia a cabeça sobre uma das mãos e olha diretamente para a câmera, diante de um fundo claro e liso.

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Legenda da foto, Em 55 anos de carreira, a escritora inglesa Agatha Christie escreveu 66 romances policiais, 153 contos e mais de 30 peças teatrais
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    • Author, André Bernardo
    • Role, Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

Em 2013, a Associação Britânica de Escritores Policiais (CWA, na sigla em inglês) se reuniu para eleger, como parte das comemorações de seu 60º aniversário, o melhor romance do gênero de todos os tempos.

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Participaram da disputa, entre outros títulos, O Cão dos Baskervilles, de Arthur Conan Doyle, e O Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris. Computados os 600 votos, O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie, foi eleito o vencedor.

Antes de virar livro em , O Assassinato de Roger Ackroyd (ou The Murder of Roger Ackroyd, no original) foi publicado, sob o formato de folhetim, no jornal London Evening News, entre 16 de julho e .

"Esse romance tem características imitadas, mas jamais igualadas, que fazem dele um clássico instantâneo: uma delas é o plot twist [reviravolta] no final. Na época, nem tinha esse nome, mas hoje é celebrado em livros, filmes e séries do gênero", observa Renan Castro, editor-assistente da Globo Livros, editora que acaba de lançar uma edição de luxo comemorativa da obra com capa dura, tradução de Renato Rezende e design de Rafael Nobre. Leia também: Como a guerra no Irã afeta o real e outras moedas locais: veja quem são os

A culpa é sempre do mordomo?

Em Uma Autobiografia, Agatha Christie atribui a inspiração para escrever O Assassinato de Roger Ackroyd a duas pessoas: primeiro, ao seu cunhado, James "Jimmy" Watts, marido de Margaret "Madge" Frary Miller; e, segundo, ao lorde Louis Mountbatten. "Foi, de longe, o [livro] que obteve mais sucesso", declarou a autora de 66 romances policiais, 153 contos e mais de 30 peças.

Certa vez, ao terminar a leitura de um romance policial, James Watts soltou um muxoxo de impaciência: "Hoje em dia, quase todo mundo vira criminoso, até mesmo o detetive. Gostaria de ver um Watson que virasse criminoso", queixou-se o cunhado da escritora, fazendo alusão ao Dr. John H. Watson, fiel escudeiro de Sherlock Holmes e, na maioria das vezes, o narrador dos livros protagonizados pelo detetive mais famoso de todos os tempos.

Tempos depois, uma ideia parecida foi sugerida por Mountbatten. "Ele me escreveu sugerindo que a história fosse narrada na primeira pessoa por alguém que, no final, fosse o criminoso", relata a autora no livro de memórias. "Minha mente vacilava ao pensar em Hastings assassinando alguém", admite, em referência ao Capitão Arthur Hastings, melhor amigo de Hercule Poirot em oito romances e 26 contos.

Como não imaginava Hastings como um assassino frio e calculista, o que Agatha Christie fez? Providenciou a viagem dele para a Argentina, onde ele passou a morar depois de casado com Dulcie Duveen, e promoveu o médico da pacata King's Abbot, Dr. James Sheppard, a narrador da história. "Muitos dizem que O Assassinato de Roger Ackroyd é enganador. Mas, se o lerem com cuidado, verificarão que estão errados", pondera a autora.

"É, sem dúvida, o melhor romance policial do século 20", reitera o escritor Jared Cade, autor de Secrets from the Agatha Christie Archives e Agatha Christie and the Eleven Missing Days, inéditos no Brasil.

"Parte de sua simplicidade enganosa reside no fato de parecer um mistério de assassinato convencional. Estudos literários sobre ficção policial debatem se ela jogou limpo com o leitor ou se desrespeitou as regras do gênero. A maioria dos leitores hoje aceita que é responsabilidade deles suspeitar de todo e qualquer personagem, um por um." Leia também: Nasa revela seus planos para construir base lunar permanente até 2032

"Agatha Christie revolucionou o gênero e surpreendeu os leitores. Muitos deles ficaram confusos, principalmente porque o assassino é muito simpático", arremata a escritora Susanne Lieder, autora da biografia Agatha Christie e a Trajetória do Mistério (2025). "Pessoalmente, adorei a história e me diverti muito com Caroline. É a minha personagem favorita!"

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Estrela em ascensão

O Assassinato de Roger Ackroyd não foi o primeiro livro escrito por Agatha Christie. Antes de sua publicação, há cem anos, a autora já havia lançado, segundo seu site oficial, cinco romances policiais: O Misterioso Caso de Styles (1920), O Inimigo Secreto (1922), Assassinato no Campo de Golfe (1923), O Homem do Terno Marrom (1924) e O Segredo de Chimneys (1925).

"Há uma lenda de que Agatha Christie teria se tornado famosa por causa de O Assassinato de Roger Ackroyd. Já era uma estrela em ascensão!", afirma o escritor e biógrafo Tito Prates, autor de Agatha Christie: Uma Biografia de Verdades (2022) e presidente da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (Aberst). "No começo dos anos 1920, já tinha publicado mais de 70 contos em revistas dos Estados Unidos e da Inglaterra."

Cena em ambiente interno mostra seis pessoas reunidas ao redor de uma mesa preta com um objeto circular vermelho no centro. Um homem de terno claro está em pé falando com os demais, enquanto outro homem aparece ao fundo segurando um chapéu. À direita, uma mulher vestida como empregada doméstica observa a cena.

Crédito, Divulgação

Legenda da foto, David Suchet interpretou Hercule Poirot na versão televisiva de O Assassinato de Roger Ackroyd, em 2000

Adivinhe quem vem para matar

Duda Menezes, uma mulher de cabelos curtos e cacheados, lê um livro de Agatha Christie em uma sala com estantes cheias de livros ao fundo. Ela usa blusa clara, brincos pequenos e segura o livro aberto com as duas mãos, sentada em um ambiente iluminado com luz amarelada.
Legenda da foto, O Assassinato de Roger Ackroyd é o livro favorito da jornalista pernambucana Duda Menezes

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