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O fazendeiro que quis abandonar o narcotráfico na Colômbia, mas não pôde

O fazendeiro que quis abandonar o narcotráfico na Colômbia, mas não pôde Legenda da foto, O agricultor de coca Perea diz que não recebeu o apoio financeiro necessário

O fazendeiro que quis abandonar o narcotráfico na Colômbia, mas não pôde
O fazendeiro que quis abandonar o narcotráfico na Colômbia, mas não pôde
O cultivador de coca Perea, em pé entre suas plantas. Atrás dele, há lonas verdes penduradas diante de uma construção.
Legenda da foto, O agricultor de coca Perea diz que não recebeu o apoio financeiro necessário para deixar de cultivar a planta
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    • Author, Catherine Ellis
    • Role, Repórter de negócios
    • Reporting from, Meta, Colômbia
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

Quando Perea parou de cultivar coca, a matéria-prima usada para produzir cocaína, ele jurou nunca mais plantá-la.

Ele arrancou os arbustos verdes de sua pequena propriedade em uma área remota da província de Meta, na Colômbia— acessível apenas por via fluvial— e os substituiu por culturas legais, como mandioca e banana.

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Perea foi um dos milhares de agricultores que aderiram a um programa governamental de substituição de cultivos, criado para ajudá-los a abandonar o plantio de coca.

No entanto, grande parte da assistência prometida nunca chegou, e a falta de estradas, somada às inundações recorrentes, dificultava a venda de sua produção.

Em 2024, desiludido, ele voltou a cultivar coca. "É uma tragédia", diz Perea. "Mas, quando você tem filhos e não tem trabalho, que escolha lhe resta? Se a ajuda nunca chega, você volta a cultivar a planta." Leia também: Motorista atropela multidão durante parada LGBTQIA+ em Berlim; uma pessoa

Um close-up da mão de um homem segurando um punhado de folhas de coca.
Legenda da foto, Folhas de coca, que podem ser processadas para produzir a droga cocaína

A folha de coca é uma cultura ancestral tradicionalmente usada por comunidades indígenas em chás e medicamentos. No entanto, hoje, a maior parte dela é processada para a produção de cocaína. Estima-se que 70% da oferta global dessa droga ilegal provenha da Colômbia.

"A coca apresenta algumas vantagens importantes em relação a outras culturas", afirma Lucas Marín Llanes, pesquisador colombiano especializado na economia da coca e em estratégias de substituição de cultivos. "As colheitas são rápidas— os agricultores conseguem realizar três ou quatro por ano —, o transporte é mais fácil e eles sabem por qual preço venderão."

Pesquisas das quais Marín participou indicam que o cultivo de coca também pode impulsionar as economias locais, tendo elevado o PIB municipal em até 10% em algumas áreas entre 2014 e 2019.

Programas de substituição foram criados para ajudar os agricultores colombianos de coca a abandonar essa cultura e desenvolver meios de subsistência legais.

Contudo, atualmente, o plantio de coca atinge níveis recordes, ultrapassando 250 mil hectares, e muitos colombianos participantes desses programas relatam sentir-se decepcionados. Mais de mundo

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Elena Hernández mudou-se para a região de cultivo de coca de Guaviare durante o "boom" da década de 1990, atraída por uma remuneração melhor. "Havia mais dinheiro naquela época; via-se isso em toda parte", diz ela. "Consegui economizar e comprar uma casa pequena."

Mas a indústria da coca também trouxe violência e insegurança. Grupos armados disputavam o controle, enquanto o governo tentava conter a produção por meio da erradicação manual, fumigação aérea e prisões.

Esses esforços cortaram a renda das famílias, mas não conseguiram impedir o cultivo. Por isso, quando um programa nacional de substituição foi lançado pelo governo da época, em 2017, Hernández não hesitou em aderir, juntando-se a cerca de 100 mil famílias às quais foi prometido apoio financeiro em troca de abandonar o cultivo de coca.

Cada família deveria receber 36 milhões de pesos colombianos, hoje equivalentes a cerca de R$ 57 mil, pagos ao longo de dois anos.

"Da forma como nos foi apresentado, parecia muito promissor para o desenvolvimento do nosso território", diz Hernández.

Doralba Bejarano sorri para a câmera em uma praça pública movimentada. Ela usa um boné preto com frases que incluem o nome "Puerto Rico" e uma camisa rosa.
Legenda da foto, Doralba Bejarano diz que tem tranquilidade após deixar de cultivar folhas de coca para a indústria da cocaína
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