Nova decisão da Anvisa mantém suspensão da Ypê: o que muda na prática? E quais os próximos passos? Votação unânime, realizada nesta sexta-feira (15), decidiu por manter proibição de fabricação e venda dos produtos
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta sexta-feira (15), por manter a proibição da fabricação, comercialização, distribuição e uso de 24 produtos detergentes e desinfetantes da Ypê. A proibição havia sido temporariamente suspensa, após a empresa Química Amparo, fabricante da Ypê, entrar com um recurso, na última semana. Agora, porém, os diretores votaram de forma unânime por manter os lotes da marca proibidos.
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“Tal posicionamento decorre da inequívoca configuração de risco sanitário elevado, associada a falhas sistêmicas de boa parte de fabricação, a recorrência de desvios microbiológicos e a impossibilidade, no presente momento, de assegurar a conformidade e a segurança dos produtos colocados no mercado”, disse o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle. Segundo a agência, manter as atividades antes que a marca implemente as correções necessárias, que ainda estão sendo julgadas, implicaria em ampliar o tempo de exposição da população aos produtos que estão em desacordo com as regras sanitárias O que muda O diretor-presidente votou por duas medidas distintas e proporcionais: Leia também: Márcia Sensitiva é internada: entenda o risco de quadro viral evoluir com
a retirada do efeito suspensivo quanto à proibição de fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos, mas manutenção do efeito suspensivo em relação ao recolhimento dos produtos. Ou seja, a empresa não pode fabricar, vender, distribuir ou usar os produtos listados. No entanto, a obrigação de recolhê-los imediatamente foi pausada.
Assim, o recall não precisará ocorrer agora, mas fica condicionado à apresentação e aprovação do plano de mitigação de riscos. Segundo a agência, o recolhimento em larga escala, feito sem planejamento, poderia ser ineficaz ou desorganizado, reduzindo a eficácia da medida sanitária. Por isso, a decisão é fazê-lo de forma estruturada e supervisionada pela Anvisa.
“Tal encaminhamento se mostra o mais adequado sob a perspectiva regulatória operacional, uma vez que o recolhimento de produtos em larga escala demanda planejamento logístico minucioso, definição de fluxos, canais de comunicação eficazes com consumidores e cadeia de distribuição, bem como mecanismos de rastreabilidade que assegurem sua efetividade”, disse o diretor-presidente. Próximos passos indicados nos votos Obrigações imediatas A Química Amparo deve manter suspensas todas as atividades de fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos listados na RE nº 1.834/2026, sem possibilidade de retomada enquanto pendente o julgamento do mérito do recurso.
Elaboração do Plano de Mitigação de Riscos A empresa precisa apresentar à Anvisa um plano contendo critérios de rastreabilidade e monitoramento pós-mercado, estratégia de comunicação de risco aos consumidores, medidas de segregação e destinação adequada dos produtos já distribuídos e um planejamento logístico estruturado para o recolhimento. Mais de saude
Informação ao consumidor A empresa tem a responsabilidade de prestar orientações claras aos consumidores sobre os produtos afetados e os cuidados necessários relacionados ao seu uso. Julgamento do mérito do recurso Leia também: Microplásticos e fertilidade ganha destaque após novo desdobramento em
O julgamento do mérito do recurso administrativo ainda está pendente, sendo esta análise apenas sobre o efeito suspensivo. A decisão final sobre a manutenção ou levantamento integral das medidas ocorrerá em momento posterior. O que aconteceu Em inspeção conjunta realizada pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) e pela Vigilância Sanitária Municipal de Amparo (GVS-Campinas), foram detectadas 76 irregularidades e mais de 100 lotes de produtos comprometidos.
+ Durante esse período, foram produzidas 1.792 lotes de produtos, de modo que os lotes reprovados representam 6% do total da produção. Segundo a Anvisa, as inspeções tiveram origem em denúncias por parte da empresa Unilever, feitas em outubro de 2025 e março de 2026, via sistema
FALA BR – canal de ouvidoria adotado pelo órgão.
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