Abril Azul: Mais de 3,8 mil pessoas com diagnóstico de TEA aguardam atendimento na fila de regulação estadual em Belém. Mães enfrentam longa espera, falta de terapias e impacto na rotina.
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Mais de 3,8 mil pessoas com diagnóstico de TEA aguardam atendimento na fila de regulação estadual, segundo o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém.
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A unidade, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), tem capacidade para cerca de 700 pacientes, o que contribui para um tempo médio de espera estimado em 3,5 anos.
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A situação evidencia dificuldades no acesso ao tratamento adequado e em tempo oportuno, especialmente para crianças que necessitam de acompanhamento contínuo.
Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. — Foto: Agência Pará
Mães de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam dificuldades para garantir atendimento especializado no Pará. Uma delas tem três filhos com TEA na fila de espera por atendimento, sendo que a filha de 11 anos está no aguardo há 6 anos. Leia também: Como polícia desmascarou assassino brasileiro que ficou foragido no Paraguai por décadas
Situação semelhante a outra mãe que enquanto o filho mais velho é acompanhado por uma unidade pública (mas já próximo de deixar o serviço), o mais novo aguarda há quase três anos na fila, sem acesso a terapias, medicação adequada e acompanhamento médico.
"Estão sem terapia, que é justamente o que mais ajuda a melhorar a qualidade de vida deles e a minha. Ser uma mãe atípica é um desafio muito grande, porque a maioria de nós não tem rede de apoio”, afirma Bárbara Silva, mãe de três filhos com TEA — de 11, 13 e 15 anos.
Mais de 3,8 mil pessoas com diagnóstico de TEA aguardam atendimento na fila de regulação estadual do Pará, segundo o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. A unidade, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), tem capacidade para cerca de 700 pacientes, o que contribui para um tempo médio de espera estimado em 3,5 anos.
A situação evidencia dificuldades no acesso ao tratamento adequado e em tempo oportuno, especialmente para crianças que necessitam de acompanhamento contínuo. O cenário ganha ainda mais visibilidade durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, quando famílias reforçam a necessidade de ampliação da rede de atendimento no estado.
Em nota, a Sespa informou que "trabalha para aumentar a oferta de atendimentos para as pessoas no espectro do autismo" para "reduzir o tempo de espera na fila de regulação" (veja o posicionamento completo ao final). Mais de noticia
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Adolescente recebe alta, como se deixasse de ser autistas, reclama mãe
Rosilene Lima com Isaac e Davi — Foto: Arquivo pessoal Leia também: Infarto em miss de 31 anos chama atenção para sintomas e prevenção
A dona de casa Rosilene Lima Rocha, de 45 anos, é mãe de Isaac, de 8 anos, e Davi, de 15, ambos diagnosticados com TEA.
Segundo ela, o filho mais velho é atendido pelo CIIR desde a inauguração da unidade, mas já se aproxima da idade limite para permanecer no serviço. Ela critica a falta de políticas públicas voltadas para adolescentes com autismo.
“O Davi é assistido pelo CIIR e está tudo certo, mas o problema é que o atendimento demora muito e ele já está próximo de sair do serviço. Não temos política pública para adolescente. As crianças estão recebendo alta quando chegam à adolescência, como se deixassem de ser autistas e não precisassem mais de acompanhamento”, conta.
Já Isaac enfrenta uma realidade diferente: há quase três anos na fila de espera por uma vaga no CII, ele chegou a iniciar terapias no Serviço de Atendimento em Reabilitação (Saber), no bairro do Marco, em Belém, com apenas uma sessão por semana, mas o atendimento foi interrompido por falta de pagamento da prefeitura.
O g1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Belém, que disse ter "identificado inconsistências e que estão sendo apuradas pelos setores competentes para assegurar a regularidade e a conformidade dos procedimentos adotados pela Administração Pública. Assim que as apurações forem concluídas, serão adotadas todas as providências necessárias para a regularização de pagamentos".
- Belém
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