feriado 2 de julho: o que muda após celebração do 2 de julho de 2026 - confira
Ler matéria →Como conquistar a Gen Z? As campanhas presidenciais testam suas armas- Author, Leandro Prazeres- Role, Da BBC News Brasil em Brasília- Published- Tempo de leitura: 11 min O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) aparece em um vídeo de seu perfil no Instagram
"rasgando" uma tela virtual com a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, em um tom informal, disparou sua mensagem: "Sabe o que eles fazem com os jovens? Eles usam vocês! ".
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O perfil do movimento Juventude do PT, destinado à mobilização do público jovem, lança uma campanha nas redes sociais batizada de "Brota na urna". Durante um evento em Ji-Paraná (RO), o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dança um funk criado em sua homenagem. Enquanto isso, Renan Santos (Missão) dispara anúncios nas redes sociais se apresentando como o pré-candidato do "partido da geração Z".
Seja nas redes sociais ou no mundo real, esses movimentos têm uma coisa em comum: a esquerda e a direita já deram início à disputa pelo eleitorado jovem, um público estimado em 18,7 milhões de pessoas entre 16 e 24 anos. São os eleitores da chamada geração Z, aqueles nascidos entre 1996 e 2012.
O motivo desse interesse é óbvio. Com todas as principais pesquisas de intenção de voto apontando que as eleições deste ano tendem a ser tão ou mais disputadas que as de 2022, o apoio dos jovens está entre os mais cobiçados. Em jogo, está uma fatia responsável por 11,5% do eleitorado total, estimado em 156,4 milhões de eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Leia também: Teatro Castro Alves Reinaugura com Obras de R$ 260 Milhões e Novo Padrão Internacional em Salvador
Trata-se de um volume nada desprezível, considerando que as eleições presidenciais foram vencidas por Lula por uma diferença de apenas 2,1 milhões de votos. Mas, na busca por esses votos, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que tanto a esquerda quanto a direita deverão enfrentar desafios. À esquerda, o principal desafio, dizem, será reverter os baixos índices de aprovação do governo Lula junto a essa faixa etária e romper a resistência ao fato de o petista ter 80 anos de idade.
À direita, pesquisas e especialistas apontam que o desafio será reverter a preferência momentânea que o público jovem vem demonstrando em favor de Lula e diminuir a rejeição de parte do eleitorado geral em relação ao pai de Flávio, ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os especialistas apontam ainda que ambos os lados enfrentaram pelo menos dois desafios adicionais: a aversão à polarização política e o tradicional descrédito do eleitorado jovem brasileiro em relação à importância do próprio voto, o que leva a uma taxa de abstenção maior que a média nacional. Apoio, desaprovação e mobilização
As principais pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos meses apontam um cenário desafiador para o presidente Lula, que busca a reeleição. Segundo pesquisa divulgada em maio pelo instituto Datafolha, entre eleitores de 16 a 24 anos, Lula venceria Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno com 35% dos votos, contra 28% do senador. No segundo turno, no entanto, Lula aparece com 47% a 41%.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Apesar de aparecer como favorito no segmento até 24 anos, segundo o Datafolha, uma outra pesquisa do instituto aponta um sinal de alerta para a equipe de campanha do presidente. A pesquisa que avalia a aprovação do governo Lula também divulgada em maio mostra que os jovens estão entre os segmentos mais descontentes com a atual administração do petista.
No total, 50% dos entrevistados desse segmento desaprovam o governo, contra 45% que o aprovam. Aqui, a margem de erro também é de dois pontos percentuais. Um dado ainda mais preocupante para o governo é que é neste segmento que Lula encontra o pior índice dos que consideram seu governo ótimo ou bom, 19%, quando a média nesse quesito foi de 32%. Mais de noticia

A diretora do Datafolha, Luciana Chong, diz que a comparação com pesquisas anteriores mostra o tamanho do desafio de Lula junto aos jovens. " Em março de 2023, Lula tinha 36% de avaliação ótima ou boa entre os jovens.
Agora, ele tem 19%. Por outro lado, em 2023, ele tinha 17% de avaliação ruim ou péssima nesse segmento. Agora, ela subiu para 37%", diz Chong à BBC News Brasil.
Ela afirma que o Datafolha ainda não produziu dados qualitativos para entender, em detalhes, o que fez a avaliação de Lula cair tanto junto aos jovens. Ela afirma, no entanto, que os entrevistados verbalizam um sentimento comum: " O que dá para perceber é que há um mau humor generalizado da população e uma grande desconfiança em relação às instituições". Leia também: BR-153 ganha destaque após novo desdobramento em acidente ocorreu
Duas pesquisas divulgadas pelo Datafolha nos últimos meses apontam para este cenário. Em uma delas, sobre quais são os principais problemas do país na avaliação dos entrevistados, os jovens apontaram que, para eles, o tema que mais os preocupa é a situação da economia. O resultado destoa da média dos entrevistados, que apontou a saúde como o principal problema.
" Os mais jovens parecem perceber essa piora da sensação econômica e relatam uma falta de perspectiva. Eles estão pessimistas em relação a tudo", afirma Chong.
Por outro lado, o fato de o cenário ser desafiador para Lula não significa, necessariamente, que a situação seja mais fácil para Flávio Bolsonaro ou para outros candidatos de direita. A pesquisa mais recente de intenção de votos do Datafolha aponta que Lula venceria todos os adversários da direita no segundo turno neste segmento. Além disso, Flávio Bolsonaro está empatado com Lula no quesito rejeição.
Segundo o Datafolha, o senador e o petista têm uma rejeição de 46% no segmento do eleitorado mais jovem. Além disso, segundo Luciana Chong e o pesquisador e presidente do Instituto Ideia, Maurício Moura, as pesquisas apontam que, também neste público, as mulheres demonstram mais apoio a Lula do que a Flávio Bolsonaro. "
A gente percebe que as mulheres mais jovens têm uma percepção mais positiva, especialmente por conta de políticas de proteção contra a violência doméstica e de programas como o Pé-de-Meia", diz Moura à BBC News Brasil. Nikolas: 'Antes, a gente só via mobilização do jovem por meio da esquerda' Considerado um dos principais cabos eleitorais da direita, Nikolas Ferreira contou à BBC News Brasil qual foi estratégia por trás do vídeo em que pediu o engajamento dos eleitores jovens e que já acumulou 22,6 milhões de visualizações no Instagram. O número é quase igual ao total de seguidores do parlamentar, 22 milhões.

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