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Ler matéria →Mundo vive 'epidemia de estupidez', afirma Drauzio Varella

Crédito, Wanezza Soares
- Author, Mariana Alvim
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 9 minutos
- Tempo de leitura: 3 min
O médico e escritor Drauzio Varella sabe bem o que é conviver com a desinformação— há cerca de 10 anos, ele vê sua imagem e voz sendo usadas na disseminação de notícias e propagandas falsas.
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Falando no evento BBC World Service: Trust is Earned– O Desafio da Credibilidade nesta sexta-feira (14/08), Varella brincou que deve ser o maior vendedor de remédios falsos do Brasil, talvez da América Latina.
Mas a verdade é que, há várias décadas, Varella vem se dedicando profundamente à comunicação de informações cientificamente embasadas.
Ele só não imaginaria que, nos anos 2020, iria se deparar com uma "epidemia de estupidez" que rejeita o uso de máscaras contra a covid-19 e vacinas, afirmou. Leia também: Augusto Cury na Globo: o que disse o candidato à Presidência na entrevista
"Ignorância é uma coisa, estupidez é outra. Eu sou ignorante em muitas coisas. Cada um de nós", explicou. "O ignorante aprende quando ele é ensinado; o estúpido não, porque o estúpido acha que ele sabe."
O médico participou de um evento gratuito promovido pela BBC World Service e pela BBC News Brasil sobre os desafios do combate à desinformação no país.
Ele foi entrevistado pelo jornalista da BBC João Fellet.
Varella contou que desde a epidemia de Aids, na década de 1980, profissionais de saúde como ele lidam com colocações falsas, como a que chamava a então nova doença de "peste gay".
"Não é possível uma coisa dessas, porque olha as implicações epidemiológicas que você tem com uma afirmação ignorante e preconceituosa como essa. Se é peste gay, as mulheres, teoricamente, estavam protegidas. Os homens heterossexuais também. Mas existe alguma doença sexualmente transmissível que poupe um dos sexos? Toda doença sexualmente transmissível, por definição, é sexualmente transmissível." Mais de mundo
Segundo o médico, foi nessa época que ele passou a se dedicar também à comunicação, fazendo campanhas de rádio com informações sobre a Aids.
Mais de 30 anos depois, a desinformação apareceu com novas facetas na pandemia de coronavírus.
"A covid foi uma grande surpresa, porque nós imaginávamos que já tínhamos passado de certos pontos." Leia também: Investigação revela: 150+ lucraram com segredos das Forças Armadas dos EUA

Crédito, Wanezza Soares
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"Sempre tivemos movimentos antivacinas no Brasil, mas eram muito restritos a uma camada, em geral a classe média alta", lembrou Varella.
"Mas isso era um movimento marginal que não tinha nenhuma repercussão na sociedade. E de repente você vê médicos formados, alguns na faculdade que eu me formei, na USP, falando contra as vacinas. Mas como assim? Como aconteceu isso? É um fenômeno mundial."
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