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Mostra na Cinemateca revisita cinema tcheco por meio de suas cineastas

Mais uma vez a Cinemateca Brasileira, com o apoio da União Cultural Tcheco-Brasileira e da Embaixada da República Eslovaca no Brasil, programa uma mostra imperdível

Mostra na Cinemateca revisita cinema tcheco por meio de suas cineastas

Mais uma vez a Cinemateca Brasileira, com o apoio da União Cultural Tcheco-Brasileira e da Embaixada da República Eslovaca no Brasil, programa uma mostra imperdível. " Mulheres do Cinema Tchecoslovaco" chega a São Paulo depois de encantar o público da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, no final de 2025.

Ótima oportunidade para os cinéfilos perceberem que a representação feminina no cinema tcheco não se limita à ótima Vera Chytilová, e a qualidade da filmografia do país não está somente na chamada "nova vlna", mais conhecida como a nouvelle vague tcheca. No entanto, não temos como fugir do óbvio. O grande momento do cinema tcheco se localiza, mais ou menos, entre 1963 e 1972.

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Esse período pode ser dividido em dois, separados pelo fim da Primavera de Praga, em agosto de 1968. Com a invasão de Praga pelos tanques soviéticos, encerrando uma fase mais branda do regime comunista, os filmes passam a ser gradualmente mais e mais censurados. Alguns dos realizados entre 1968 e 1970 seriam banidos e só voltariam ao circuito no fim dos anos 1980.

Essas datas são importantes. Elas explicam por que um filme como "Romanetto", de 1970, dirigido por Eva Sadková, é tão enigmático, quase cifrado. Abraçar o enigma era uma maneira de não ser banido naqueles anos difíceis de adaptação a um novo tipo de direcionamento de todas as artes.

Sadková começou nos anos 1950, trabalhando principalmente para a televisão de seu país. Era, portanto, veterana quando realizou este longa sem diálogos e cheio de quebras no tempo narrativo. Boa parte da mostra está no período áureo. Leia também: Quem matou Arthur? Público vai esperar 7 meses por resposta em Quem Ama Cuida

A começar pelo primeiro longa de Vera Chytilová, "Algo Diferente", de 1963, uma obra-prima que encantou Jacques Rivette e que alguns críticos —entre os quais me incluo— consideram melhor que o mais conhecido e festejado " As Pequenas Margaridas". Um filme bipartido, ficção e documentário, uma ginasta em preparação e um casal em crise.

Nunca superado, mesmo pela cineasta. Junta-se a Sadková e Chytilová, a figurinista, roteirista e diretora de arte Ester Krumbachová, que em 1970 dirigiu seu único longa, " O Assassinato do Sr. Diabo

", uma comédia matrimonial que lembra pouco os grandes filmes do cinema moderno tcheco. Não é um grande filme, mas também não é desprezível, e é sempre agradável.

Krumbachová foi muito importante, não só para o cinema de Chytilová como para o de outros diretores, como o mais famoso dos cineastas tchecos, Milos Forman. Dele, será exibido o clássico " Os Amores de uma Loira", de 1965.

Apesar de o maior atrativo estar nos filmes dirigidos por mulheres, a mostra contempla filmes como esse de Forman, com atrizes ou mulheres em outras funções criativas. Por isso temos, ainda dentro desse período mágico, obras como " Até que a Noite Acabe", de Peter Solan, " Mais de entretenimento

A Noite da Freira", de Karel Kachyna, o banido em 1969 —e lançado só em 1990— " Celebração no Jardim Botânico", de Elo Havetta, e "Morgiana", de Juraj Herz. Todos são valiosos e têm atrizes importantes no elenco, justificando a programação.

O destaque absoluto vai para o belíssimo " A Noite da Freira", que conta com a carismática Jana Brejchová no papel principal e também tem figurinos da grande Krumbachová, a maior presença da mostra. O longa tem algumas das imagens mais impressionantes de toda a programação, com composições de grande elaboração, num preto e branco de alto contraste.

Por falar em elenco, é por causa da talentosa atriz Natasa Gollová que " Eva Está Aprontando", longa realizado em 1939 por Martin Fric, está na programação. Trata-se de uma comédia no estilo de Ernst Lubitsch, com personagens entrando e saindo pela janela e situações envolvendo o roubo de um bracelete, além da luta de classes. Leia também: Entretenimento: Panorama da Semana no cenário cultural e televisivo

E não podia ficar de fora o emblemático "Êxtase", 1933, de Gustav Machatý, em que a atriz tcheca Hedy Lamarr, antes de seu estrelato em Hollywood, protagoniza cenas de nudez que escandalizaram o público daquele tempo. Voltando às diretoras, temos obras de outras épocas também, principalmente dos anos 1980, período de comédias e preocupações comerciais, pois era uma exigência das autoridades naquele momento fazer filmes que dialogassem com o grande público. O melhor dos três filmes dirigidos por mulheres nessa década é "

A Era dos Servos", 1989, de Irena Pavlasková. Em muitos momentos, lembra o cinema de Eric Rohmer e suas indecisões amorosas. É um filme mais adulto, que reflete mais um momento de crise no cinema tcheco, meses antes da "Revolução de Veludo" que encerrou o regime socialista no país.

" Krakonos e os Esquiadores", 1981, de Vera Plívová-Simková, e " O Mundo É Tão Divertido Contigo", 1982, de Marie Polednáková, são comédias típicas da época, com crianças e um forte apelo comercial.

No primeiro caso, algo de fábula, pois Krakonos é uma espécie de guardião das montanhas; no segundo, uma interessante inversão de papéis, em que três homens viajam com seus filhos pequenos e precisam cuidar deles, dar banho, comida, pôr para dormir, enquanto suas esposas têm merecidas folgas dessas funções. Ainda nos anos 1980, temos, além de um longa eslovaco de animação chamado " A Condessa Sangrenta", 1980, de Viktor Kubal, bons filmes de diretores importantes do cinema moderno tchecoslovaco: o tcheco Jiri Menzel e o eslovaco Dusan Hanak.

De Menzel, o simpático "Encurtado", de 1981. De Hanak, o denso e feminino " Alegria

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