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Mortes de PC Farias e Suzana completam 30 anos com processo encerrado e memória

Um crime que silenciou uma figura-chave do submundo da República, chegou aos tribunais depois de 17 anos e foi encerrado na esfera judicial após 22 anos segue como um

Mortes de PC Farias e Suzana completam 30 anos com processo encerrado e memória

Um crime que silenciou uma figura-chave do submundo da República, chegou aos tribunais depois de 17 anos e foi encerrado na esfera judicial após 22 anos segue como um enigma na história política brasileira. Na madrugada de, o empresário Paulo César Farias e sua então namorada Suzana Marcolino foram encontrados mortos na cama de uma casa na praia de Guaxuma, em Maceió. Desde então, o caso foi alvo de sucessivas perícias, motivou disputas entre especialistas e teve um inquérito anulado.

O episódio completa 30 anos nesta terça-feira (23) com o processo judicial encerrado sob a tese de duplo homicídio, nenhuma pessoa punida e a memória em torno de seus personagens em disputa. Empresário com trânsito livre nos círculos políticos e econômicos do país, PC Farias foi um dos homens mais influentes do governo Fernando Collor de Mello, político de carreira meteórica que chegou à Presidência aos 40 anos na primeira eleição para o cargo após a redemocratização. PC foi tesoureiro da campanha de Collor em 1989, manteve a influência durante o governo e se tornou personagem central dos escândalos de corrupção que levaram Collor ao impeachment em 1992.

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O alagoano baixinho, careca e com um vasto bigode sairia das sombras para ganhar os holofotes. De 1992 a 1996, PC Farias foi alvo de investigações, respondeu a processos judiciais e foi detido um hotel de luxo na Tailândia, meses após ter a prisão decretada. Quando foi morto, estava em condicional e ia prestar novos depoimentos na CPI das Empreiteiras.

PC Farias e Suzana Marcolino eram namorados há cerca de um ano e quatro meses quando foram encontrados mortos em junho de 1996. Ele tinha 50 anos e ela, 28. "

Imagine ir dormir e acordar com o impacto de um furacão destruindo tudo ao seu redor e na sua estrutura mais profunda. Foi assim que a família de Suzana Marcolino acordou naquele dia do seu assassinato e nunca mais a vida foi igual para nós", afirma a jornalista Ana Luiza Marcolino, irmã de Suzana. A polícia de Alagoas sustentou, de pronto, a existência de crime passional– Leia também: Procuradoria se manifesta contra censura de Kassio a pesquisa que apontou queda

Suzana teria assassinado PC com um tiro no peito e cometido suicídio. A tese foi referendada por um laudo do médico-legista Fortunato Badan Palhares, mas a conclusão seria questionada no ano seguinte ao crime. Um novo relatório policial, após reportagens da Folha, demonstrou que Suzana era mais baixa do que os 1,67m utilizados como referência na perícia.

Ela teria entre 1,53 m e 1,57 m, o que não a colocaria na trajetória da bala que supostamente teria disparado contra si. A revelação mudou os rumos da investigação. Em 1999, o inquérito original foi reaberto, e novos exames realizados pelo perito George Sanginetti indicaram que tanto PC Farias quanto Suzana haviam sido assassinados.

Um relatório da Polícia Científica de Alagoas apontou indícios de luta corporal na residência. A guerra de versões se estendeu por mais de uma década. O então deputado federal Augusto Farias, irmão de PC Farias, chegou a ser indiciado por suspeita de participação nas mortes por disputas patrimoniais.

O inquérito foi arquivado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2002 por falta de provas. O julgamento aconteceria apenas em 2013, quando foram ao banco dos réus os quatro seguranças que trabalhavam na casa na praia de Guaxuma na noite do crime. O Ministério Público sustentou que os seguranças tinham o dever legal de impedir o crime e falharam nessa função.

No júri, a tese do duplo homicídio foi acolhida pelos jurados, que reconheceram que Suzana não matou PC Farias nem se suicidou. No entanto, o júri decidiu absolver os quatro acusados por clemência, sem esclarecer quem teria cometido o crime. A Promotoria alegou irregularidades no julgamento, incluindo ameaças a familiares de uma jurada, quebra da incomunicabilidade entre integrantes do conselho de sentença, além de uma decisão contrária às provas que constavam nos autos. Mais de politica

Na época, não havia possibilidade de recurso contra a decisão no mérito. Apenas em outubro de 2024 o STF decidiu que é possível recorrer de decisão do júri popular que absolve um réu sem fundamentação e em sentido contrário à prova dos autos. O processo foi encerrado em definitivo em abril de 2019, quando o Tribunal de Justiça de Alagoas negou a última apelação para reverter a decisão que inocentou os acusados do crime.

" Ficou um sentimento de decepção com a decisão dos jurados. Mas também um aprendizado enorme para todos nós, que aprendemos com os erros. Leia também: Presidente de sindicato de juízes diz que penduricalho não é privilégio

Hoje a gente se cerca para que não aconteça mais um caso como este", afirma o promotor Marcus Mousinho, que atuou no tribunal do júri. Ele aponta a não preservação da cena do crime como crucial nas dificuldades de elucidação do caso. "

Felizmente, hoje temos um cenário diferente, com delegados mais preparados e distantes do cenário político", avalia. O encerramento das investigações e do processo judicial sem um culpado pelas mortes de PC e Suzana mantém a memória em torno do caso em disputa. No documentário "Morcego Negro", lançado em 2023, o empresário Augusto Farias afirma que o irmão morreu assassinado pela então namorada em meio a uma "relação em desconstrução".

A família de Suzana Marcolino lembra que o mesmo júri que encerrou caso sem punições também a inocenta da acusação de homicídio. " Apesar da linha do tempo já marcar 30 anos dessa tragédia, somos obrigados a continuar assistindo à desumanização de Suzana, isso é o que mais dói", afirma Ana Luiz Marcolino, que atualmente dá palestras sobre educação emocional para mulheres.

Três décadas depois, o caso segue provocando debates no meio policial e jurídico, e despertando o interesse dos brasileiros em meio a uma nova leva de novas produções audiovisuais se debruçaram sobre os anos Collor e seus personagens. Além do documentário "Morcego Negro", de Chaim Litewski e Cleisson Vidal, um filme sobre a história de PC Farias está sendo produzido pelo roteirista Bráulio Mantovani e pelos produtores José Padilha e Marcos Prado, alguns dos principais nomes por trás de "Tropa de Elite". Figura central na teia de escândalos de seu curto governo, Fernando Collor de Mello foi preso em 2025 após ser condenado por receber propina de um esquema na BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras.

Ele cumpre pena em prisão domiciliar e nega as acusações. Comentários

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