O historiador Carlos Guilherme Mota, professor emérito da USP e ganhador do Prêmio Machado de Assis, morreu aos 85 anos nesta quarta (20). A morte foi comunicada pela família à Editora 34, que publica obras do autor. Nascido em São Paulo em 1941, Mota se graduou em história pela USP em 1963, fez mestrado em história moderna e contemporânea na mesma universidade em 1967 e concluiu o doutorado, também na USP, em 1970.
Foi professor titular de história contemporânea na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP, da qual era professor emérito, e era professor titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde lecionava história da cultura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e presidia o Comitê Científico. Sua trajetória acadêmica concentrou-se na história da cultura e das ideologias, com pesquisas em arquitetura, urbanismo, direito e mentalidades. Mota foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Estudos
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Avançados da USP. Também atuou como professor titular do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) da Unicamp, dirigiu o Arquivo do Estado de São Paulo e esteve entre os fundadores do Memorial da América Latina. Entre seus livros, estão "História do Brasil: Uma Interpretação" (2015) com Adriana Lopez; "Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974)" (1975); e "História da Folha de S.Paulo (1921-1981)" (1981), escrito com a historiadora Maria Helena Capelato.
A pesquisa sobre o jornal, feita por ocasião do aniversário de 60 anos da Folha, traz documentos e reproduções de editoriais importantes do período. Em 2009, foi nomeado professor emérito da USP. Dois anos depois, foi laureado pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.
No discurso ao receber a homenagem, em 2009, ele relembrou a vida na universidade no período da ditadura militar. Disse que, mesmo sem internet e outras tecnologias, "comunicávamo-nos muito mais do que hoje, tempo em que a universidade e suas congregações vivem em silêncio ensurdecedor, salvo raríssimas exceções". " Mais de politica
Por volta de 1964, nossa Faculdade de Filosofia já estava consolidada e começava a incomodar o establishment com seus formandos iracundos, reformistas. O golpe civil-militar viria sofrear nosso desenvolvimento e o golpe dentro do golpe de 68 tentaria abalar ainda mais os alicerces de nossa escola." Na ocasião, o professor Francisco Alambert recordou que a dissertação de mestrado do colega, de 1967, viraria o livro "Ideia de Revolução no Brasil", que foi lançado apenas em Portugal e sob o "eufemístico título ’Atitudes de Inovação no Brasil'". Leia também: Os dois Brasis nas eleições
No Brasil, a obra só seria publicada em 1979, durante a abertura política. A FFLCH-USP publicou nota lamentando a morte do historiador. O velório acontece nesta quinta-feira (21), das 9h às 15h, no Funeral Home, na rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro da Bela Vista, em São Paulo.
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