
Crédito, Reuters
- Author, Guy Hedgecoe
- Role, Da BBC News em Tenerife
- Há 1 hora
- Tempo de leitura: 5 min
À medida que o navio de cruzeiro MV Hondius se aproxima de Tenerife, os habitantes da ilha espanhola aguardam com uma mistura de incerteza e, em alguns casos, raiva.
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O governo espanhol autorizou os passageiros da embarcação, que registrou um surto de hantavírus, a desembarcarem no porto de Granadilla neste fim de semana, após acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O navio viaja de Cabo Verde, onde três pessoas foram evacuadas.
Foram confirmados cinco casos de infecção, incluindo três mortes, causadas pelo surto ocorrido no navio holandês, segundo a OMS.
Na sexta-feira (08/05), alguns trabalhadores portuários de Tenerife se reuniram em frente ao prédio do parlamento das Ilhas Canárias, na cidade de Santa Cruz, para expressar preocupação de que a chegada iminente possa representar um risco à saúde deles. Leia também: A corrida para rastrear passageiros que desembarcaram do navio atingido por
Durante o protesto, os moradores da ilha usaram apitos, tocaram vuvuzelas e exibiram faixas com frases de efeito.
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"Estamos descontentes com a ideia de podermos trabalhar em um porto sem medidas especiais de segurança ou informações quando um barco infectado se aproxima", disse Joana Batista, de um sindicato local de trabalhadores portuários, que participava do protesto.
Alguns de seus colegas ameaçaram bloquear a chegada do navio de cruzeiro caso suas reivindicações não sejam atendidas.
"Se o barco vai parar aqui, que pare, mas com as medidas necessárias em vigor", disse ela. "A população local precisa ser informada sobre como isso os afetará, como os passageiros serão transportados. Precisamos, acima de tudo, de garantias." Mais de mundo
Perto dali, observando o protesto, estava a nutricionista María de la Luz Sedeño, que concordava com grande parte do que os manifestantes exigiam e mal conseguia conter sua fúria.
"Esta é a gota d'água em tudo o que o povo das Ilhas Canárias tem que suportar", disse ela - uma aparente referência à contínua chegada de milhares de migrantes indocumentados em barcos vindos do Norte e Oeste da África.
Para alguns habitantes das Ilhas Canárias, acolher migrantes é motivo de orgulho, enquanto para outros, como Sedeño, é motivo de frustração. Leia também: Países preparam resgate de passageiros em cruzeiro com casos de hantavírus
Mas todos parecem concordar que a migração torna o seu território o foco de um drama internacional.
Mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando chegar às Ilhas Canárias, muitas vezes em botes improvisados, segundo a ONG Caminando Fronteras. O papa Leão XIII tem uma visita marcada à região em junho e deve se encontrar com migrantes e organizações dedicadas a ajudá-los.
María de la Luz Sedeño citou o fato de o governo central da Espanha ter ignorado a forte oposição à chegada do navio de cruzeiro, manifestada pelo presidente da região das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo.
"As pessoas aqui não estão sendo ouvidas."

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