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Michelle: de primeira-dama vista como trunfo à briga com filhos de Bolsonaro

Michelle Bolsonaro: de primeira-dama vista como trunfo à briga com filhos de Bolsonaro Crédito, Getty Images Legenda da foto, Michelle Bolsonaro disse que largou

Michelle: de primeira-dama vista como trunfo à briga com filhos de Bolsonaro
Michelle Bolsonaro: de primeira-dama vista como trunfo à briga com filhos de Bolsonaro
Michelle e Jair Bolsonaro em 2024

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Michelle Bolsonaro disse que largou presidência do PL Mulher para se dedicar ao marido e à filha
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    • Author, Redação da BBC News Brasil*
  • Published Há 7 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

A saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher— a ala feminina do partido— na terça-feira (30/06) marcou um novo capítulo na crise entre a esposa e o filho de Jair Bolsonaro, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Até recentemente, a ex-primeira-dama, uma líder importante na direita brasileira, era vista como um fator catalizador para agregar votos a candidaturas. Políticos e analistas a colocam como a maior liderança feminina da política brasileira hoje, e sua força, dizem, vem de sua autenticidade como líder conservadora cristã.

Michelle vinha articulando candidaturas conservadoras em diferentes Estados e ganhou destaque em pesquisas de intenção de voto como opção competitiva para enfrentar o presidente Lula em outubro.

Mas nos últimos meses, a ascensão de Michelle Bolsonaro na política teria causado desconforto dentro do próprio PL, provocando turbulências no coração do bolsonarismo. Leia também: EUA aplicam primeiras sanções contra rede acusada de ligação com PCC

Sua crescente proeminência teria sido um dos fatores que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro a escolher o filho Flávio como seu candidato ao Palácio do Planalto, em dezembro do ano passado.

Michelle chegou a ser apontada como possível candidata à vice-presidente numa chapa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Repúblicanos), antes de Flávio Bolsonaro ser lançado por Jair ao Palácio do Planalto.

Mas a crise com Flávio alterou essa trajetória— e deixou o futuro incerto para a ex-primeira-dama.

Crise com Flávio

Na semana passada, a crise de Michelle com Flávio atingiu um novo patamar após a ex-primeira-dama publicar um vídeo no qual disse ter recebido uma "punhalada" do enteado no ano passado, quando a família Bolsonaro viveu uma crise em torno das articulações políticas para as eleições no Ceará.

Ela disse que, na época, o senador a "maltratou" e tratou seu apoio como algo "insignificante". Mais de mundo

Naquela ocasião, Michelle criticou diretamente a intenção do PL de apoiar Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual, decisão que, segundo Flávio Bolsonaro, contaria com a aprovação do pai, dentro de uma estratégia para derrotar o PT no Estado— o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.

Michelle sentado em uma mesa com feição séria enquanto fala de Flávio Bolsonaro

Crédito, Reprodução Instagram/Michelle Bolsonaro

Legenda da foto, Vídeo de Michelle Bolsonaro agravou crise entre bolsonaristas

As críticas ae Michelle foram feitas em novembro, durante evento de lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará, político bolsonarista com forte discurso conservador.

No dia seguinte, os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro criticaram Michelle, e ela foi chamada de autoritária pelo hoje pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Nos vídeos divulgados por Michelle pelo Instagram na semana passada, a ex-primeira-dama disse que sempre atuou com a concordância do marido e chamou as palavras contra ela de "duras" e com "tom agressivo".

"Os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado", continuou.

A ascensão de Michelle

Michelle Bolsonaro discursa em língua de sinais ao lado de Jair Bolsonaro, durante a posse dele no Palácio do Planalto, em Brasília, em 1º de janeiro de 2019.
Legenda da foto, Michelle discursou em Libras na posse presidencial de Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019
Encontro do PL Mulher, com a presença de Michelle Bolsonaro, em Santa Catarina, em 29 de julho de 2023. No palco cercado de flores rosas, Michelle veste rosa e fala ao microfone, ao lado de um tradutor de libras vestido de preto, com a plateia ao fundo
Legenda da foto, Em março de 2023, Michelle Bolsonaro assumiu a presidência do PL Mulher, cargo com salário de mais de R$ 40 mil
Michelle Bolsonaro veste uma camiseta azul onde se lê "Bolsonaro livre", ao lado do senador Eduardo Girão, que veste uma camiseta verde com os dizeres "Não vão nos calar", e da vereadora de Fortaleza Pricilla Costa, que veste uma camiseta branca escrita "Anistia Já". Ele têm os olhos fechados e estão em posição de oração, cercados de apoiadores bolsonaristas
Legenda da foto, Michelle Bolsonaro ao lado de seus aliados, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e a vereadora de Fortaleza Pricilla Costa (PL-CE), vice-presidente do PL Mulher

Da Ceilândia ao Palácio do Planalto

Michelle Bolsonaro quando mais jovem, sorrindo
Legenda da foto, Michelle chegou a considerar a carreira de modelo, mas desistiu
Bolsonaro e Michelle em foto antiga. Ele veste preto e segura um celular próximo ao ouvido. Ela usa um boné preto e veste uma camisa do Flamengo
Legenda da foto, Bolsonaro e Michelle se conheceram em 2007, quando ela tinha 25 anos e ele, 52
Jair Bolsonaro com Michelle Bolsonaro e as duas filhas. Michelle e Letícia sorriem olhando para a câmera, enquanto Bolsonaro está sério e Laura, em seu colo, morde o lábio inferior
Legenda da foto, Michelle tem duas filhas: Laura Bolsonaro (de azul, no colo de Bolsonaro) e Letícia Firmo, fruto de seu primeiro casamento
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