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Michael Jackson quis se tornar branco? Entenda o vitiligo e como a doença muda

Entenda o vitiligo e como a doença muda a aparência Rei do pop provavelmente convivia com vitiligo universal, condição capaz de destruir a melanina de 80% do corpo É

Michael Jackson quis se tornar branco? Entenda o vitiligo e como a doença muda

Michael Jackson quis se tornar branco? Entenda o vitiligo e como a doença muda a aparência Rei do pop provavelmente convivia com vitiligo universal, condição capaz de destruir a melanina de 80% do corpo É quase impossível estar vivo e não saber quem foi Michael Jackson nem conhecer algumas de suas características inesquecíveis: a voz superpotente ao cantar, as luvas cintilantes, as indumentárias, o moonwalk… Tudo isso fez a identidade de um artista jamais esquecido.

Mas havia outro traço do cantor alvo de muitos olhares, debates e polêmicas. Trata-se de uma condição de saúde que ganhou tanto espaço na mídia, cercada de preconceitos, que ainda hoje é difícil pensar nele sem lembrar dela. O vitiligo.

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Doença autoimune, o vitiligo faz o sistema imunológico destruir os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele. Jackson nasceu em 1958, filho de pais negros, e, ao menos aos olhos do público em geral, teria tido o tom de pele uniforme até o início dos anos 1980, época do lançamento do sucesso Thriller. Foi nesse período que, por causa da doença, manchas despigmentadas podem ter começado a surgir em seu corpo.

“ O vitiligo é adquirido. Ninguém nasce com essa condição.

Ela pode ser determinado geneticamente, mas tem causas que a gente ainda não conhece”, explica Roberta Buense, do ambulatório de Vitiligo da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo. Não se sabe com certeza há quanto tempo o cantor vivia com a condição, mas logo o público acompanharia as manchas evoluírem para o que parecia um embranquecimento gradual do artista. À época, muitos o acusaram de “mudar de cor” de propósito, o que ele sempre negou, afirmando ter orgulho de ser um homem afro-americano. Leia também: SUS oferecerá novo teste para câncer de intestino que pode ser feito em casa

Casos como o dele, nos quais manchas avançam a ponto de tomar quase todo o corpo, ainda são raros e pouco conhecidos — mas têm nome: vitiligo universal. Além do vitiligo, o astro também sofria, provavelmente, de lúpus do tipo eritematoso discoide. Esta é uma outra doença autoimune e inflamatória que pode afetar vários órgão, como rins, cérebros, pele e articulações.

O que é o vitiligo? O vitiligo é uma doença autoimune, adquirida e crônica que acomete cerca de 0,54% dos brasileiros. Ela ocorre quando, por um erro de comando (não se sabe o porquê), o sistema imunológico passa a atacar as próprias células do corpo.

Nesse caso, os melanócitos, responsáveis pela pigmentação da pele, cabelo e pelos. “ Então, a cor da pele vai clareando até que a célula morre e o local acometido fica em um tom que chamamos de branco marfim“, explica Roberta.

Apesar de não surgir desde o nascimento, uma vez manifestada, a doença irá acompanhar o paciente pelo resto da vida. “Algumas vezes, porém, entra em remissão. Ou seja, a doença ‘dorme’, mas pode se reativar de repente”, diz a médica.

Um problema é que o vitiligo tem um comportamento difícil de prever. Na maioria das vezes, a tendência é que ele progrida, mas lentamente. Em alguns casos, porém, pode avançar muito rápido. Mais de saude

Tudo vai depender das reações do sistema imune de cada pessoa. Também há situações em que a pele volta a recuperar parte da cor naturalmente. Isso acontece em cerca de 10% a 20% dos pacientes, principalmente em manchas pequenas e em áreas mais expostas ao sol.

Como visto, não se sabe com certeza o que faz o vitiligo aparecer, mas alguns gatilhos podem ser estresse físico e emocional, traumas mecânicos e uso de substâncias químicas, como derivados do fenol, além de existirem tendências genéticas. Doenças autoimunes, principalmente envolvendo a tireoide, também podem estar associadas. “

Hoje entende-se o vitiligo como uma interação entre predisposição genética, desregulação imunológica, estresse oxidativo, vulnerabilidade do melanócito, fatores neurológicos, imunes e ambientais”, explica Ivonise. Outra questão é que o vitiligo pode se apresentar de diferentes formas: localizado, quando as manchas ficam restritas a uma região; acrofacial, quando afeta rosto e extremidades, como mãos e pés; generalizado, com manchas espalhadas pelos dois lados do corpo; e universal, quando mais de 80% da pigmentação corporal é perdida. Acredita-se que o quadro de Michael Jackson tenha sido, justamente, o último. Leia também: Atriz de Game of Thrones revela complicações cerebrais e decisão de congelar

E o que é o vitiligo universal? Nessa manifestação da doença,”o organismo passa a destruir melanócitos em larga escala“, explica Ivonise Follador, dermatologista, doutora em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (ufba), sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ou seja, por razões desconhecidas, o sistema de defesa entende que todas as células de cor devem ser destruídas.

E o resultado é uma despigmentação extensa, que pode atingir mais de 80% da superfície corporal, incluindo o rosto, o tronco, os membros e até os pelos (um clareamento que é chamado de “leucotriquia“). Vale reforçar que trata-se de uma condição rara. Em geral, estima-se que ela corresponda a 5 ou 10% dos casos de vitiligo, embora algumas séries clínicas encontrem números um pouco menores ou maiores.

“E a gente ainda não sabe o que faz em uma pessoa o vitiligo atingir um pedacinho da pele e em outra entrar num processo autoimune intenso a ponto de atingir a pele toda”, lamenta Roberta. Alguns podem ter essa evolução por desistem do tratamento, mas ela geralmente, como todo vitiligo, depende da reposta imunológico do paciente. A progressão normalmente não é rápida, mas para alguns pode ser muito agressiva.

Michael pode ter usado remédios para ‘acelerar’ a doença? As médicas avaliam que é possível. “

Quando você tem um vitiligo universal em que sobra muito pouca área [com cor], é mais fácil a gente despigmentar e jogar a favor do sistema imunológico, destruindo o que falta, do que conseguir estabilizá-lo e, em seguida, tentar repigmentar”, explica Roberta. Isso quer dizer que, antes de tentar recuperar a cor da pele, é preciso, primeiro, interromper o ataque do sistema aos melanócitos. Para algumas pessoas, isso pode ser muito difícil.

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